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Negócios

João Marchesan continua luta pela reindustrialização do país

Após seis anos, empresário deixou a presidência do Conselho de Administração da Abimaq/Sindimaq

Do acervo · publicada originalmente em 22 de agosto de 2022

Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão

· Leitura de 5 min

Foto: Divulgação

João Carlos Marchesan. "O declínio industrial tem sido tão gritante no Brasil que quase não conseguimos enxergar como retomar o processo de reindustrialização"Acervo · 2022
João Carlos Marchesan. "O declínio industrial tem sido tão gritante no Brasil que quase não conseguimos enxergar como retomar o processo de reindustrialização"

Do dia 3 de junho de 2016 até o último dia 4 de agosto, João Carlos Marchesan foi presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e do Sindicato Nacional da Indústria de Máquinas (Sindimaq). “Entrego a casa com recorde de associados, aproximadamente 1.700. O setor faturou quase R$ 300 bilhões em 2021. Empregamos 383 mil trabalhadores e estamos nas principais notícias relacionadas ao setor de máquinas e equipamentos em particular e à indústria em geral, seja nos jornais impressos, nas mídias online, rádio, televisão, totalizando no período de 2016 a 2022 quase 40 mil aparições do nosso nome na imprensa, sem apenas uma menção negativa”, resume Marchesan.

Segundo ele, o crescimento associativo ocorre “graças ao desenvolvimento de um projeto de expansão associativa, que foi totalmente concebido e desenvolvido na minha gestão com apoio direto da conselheira Elizabeth Bozza e desenhado em consonância com o Conselho de Administração, que teve como principal objetivo garantir um aumento significativo da base de associados da entidade, com o principal efeito colateral de aumentar a representatividade do setor de máquinas e equipamentos”. Entrevistado por A Comarca, o empresário matonense – detentor de variadas funções junto a entidades – prossegue na Abimaq/Sindimaq como primeiro vice-presidente de Gino Paulucci Junior, novo presidente do Conselho de Administração.

Quando a Abimaq e o Sindimaq foram fundados?

A história da indústria de máquinas e equipamentos se confunde com a história do Brasil, desde seu início no Século 18 – quando foi inventada a máquina a vapor – até os dias atuais, com a evolução para a Indústria 4.0. Essa história passa pelas quatro Revoluções Industriais, mostra a transformação da indústria de bens de capital no Brasil e no mundo. Desde 1937, quando foi fundado com o nome de ‘Syndicato dos Constructores de Machinas e Acessórios Têxteis’, o Sindimaq/Abimaq atua pelo desenvolvimento de uma indústria brasileira de máquinas e equipamentos que reúne excelência e inovação tecnológica, exportando 30% do que produz e trabalhando sempre pela representatividade e competitividade do setor.

Como sua presidência foi norteada nestes seis anos?

Assumi em junho de 2016 com a convicção de que estaríamos motivados e engajados em implementar e propor ações que pudessem contribuir para a retomada da economia brasileira, além de atuar para ampliar a força e representatividade da Abimaq/Sindimaq. Iniciamos o desafio que se apresentava para juntos – diretoria, associados e colaboradores – continuar nossa missão em defesa da indústria de máquinas e equipamentos.

Dentre todas as realizações, o que destacar neste período presidencial?

Foi um período de muitas lutas, marcado pela pandemia de covid-19 e por um cenário desafiador. Uma das tarefas em que todos na Abimaq/Sindimaq nos dedicamos nos últimos seis anos foi a reindustrialização. Embora sejam várias tarefas, destaco essa como uma das mais importantes, além do combate ao Custo Brasil.

Qual a trilha que o novo líder da Abimaq/Sindimaq deverá seguir?

De acordo com Gino Paulucci Júnior, a entidade está bem conduzida e bem posicionada; consequentemente, acreditamos que ele seguirá a mesma linha, continuando o trabalho em defesa do setor de máquinas e equipamentos. Na função de seu vice, obviamente continuarei com o trabalho iniciado e favorecido pela total profissionalização da entidade, consolidada totalmente na minha gestão.

A interlocução da Abimaq/Sindimaq com o Governo Federal melhorou depois da criação da Frente Parlamentar da Indústria de Máquinas (FPMAQ)?

Há quem afirme que existe uma Abimaq/Sindimaq antes e outra depois da FPMAQ. Concordo totalmente com esta afirmação. Criada em 2015 por parlamentares de partidos diversos e voltada ao debate de temas do setor de máquinas e equipamentos, a FPMAQ é uma importante conquista para o setor, reunindo deputados e senadores preocupados com a indústria nacional e seu fortalecimento, tendo sido criada para tentar reverter a crise vivenciada pela indústria de transformação brasileira, o decorrente desmantelamento da cadeia produtiva e a crescente perda de empregos no setor.

O que não foi realizado durante sua gestão, que o senhor gostaria que tivesse acontecido?

As Reformas Tributária e Administrativa. Não foi por falta de trabalho nosso, mas devido a fatores que independem da nossa vontade e do nosso empenho.

Apesar do cenário mundial e dos entraves internos como falta de infraestrutura, o agronegócio brasileiro cresce. Por quê?

A venda de máquinas agrícolas mais que dobrou entre 2018 e 2021, o que mostra que nosso crescimento – embora disseminado – foi muito desigual entre os setores da casa. Na verdade, cerca de 60% deste crescimento ocorreu em 2021, não por acaso, depois de quase um ano com a Selic a 2% e com o câmbio médio ao redor de R$ 5,40 em equivalência ao dólar.

Quais são as perspectivas para a indústria e para o agronegócio brasileiro?

Excelentes. Para um acumulado do Produto Interno Bruto (PIB) na ordem de 3,6% no período de 2018 a 2021, o setor representado pela Abimaq/Sindimaq cresceu nada menos que 37%, ou seja, dez vezes mais do que o Brasil. Nesse período, apesar do baixo crescimento econômico do país, o câmbio mais competitivo e a queda dos juros, junto com a recuperação do setor mineral e da construção civil e, principalmente, a pujança do agro, foram os principais fatores que sustentaram a demanda de máquinas e equipamentos, ajudada pela substituição das importações, facilitadas pelo câmbio depreciado e pelas dificuldades do ‘Global Sourcing’.

Daqui para frente, como o senhor contribuirá com a Abimaq/Sindimaq e outras entidades representativas à indústria e ao agronegócio?

Da mesma forma que contribuo ao longo de todos esses anos, pois continuarei insistindo ao benefício da reindustrialização. Não podemos perder de vista que o declínio industrial tem sido tão gritante no Brasil que quase não conseguimos enxergar como retomar o processo de reindustrialização. Talvez uma Reforma Tributária mais ampla possa realmente apontar nessa direção, uma vez que nenhum outro país viu a fabricação como parcela do PIB desaparecer tão rapidamente. Essa situação nos remete à necessidade urgente de minimizar o Custo Brasil, diminuir a insegurança jurídica e ter uma carga tributária mais inteligente, que não afete tanto o consumo e a produção.

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