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Cultura e Variedades

Ex-aluna do IFSP-Matão está na Universidade de Harvard

Luana Faria é pesquisadora visitante de Doutorado na Escola de Engenharia e Ciências Aplicadas

Do acervo · publicada originalmente em 31 de agosto de 2022

Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão

· Leitura de 7 min

Foto: Divulgação

Luana, diante do prédio onde estuda. "Ser aluna de Harvard significa viver um sonho, não só meu, mas de toda minha família. É uma oportunidade única e indescritível"Acervo · 2022
Luana, diante do prédio onde estuda. "Ser aluna de Harvard significa viver um sonho, não só meu, mas de toda minha família. É uma oportunidade única e indescritível"

Por quatro anos, de 2016 a 2019, Luana Cristina Italiano Faria cursou Licenciatura em Química no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP-Matão). Menos de três anos e meio depois, ela estava na Universidade de Harvard, na cidade de Cambridge (estado de Massachussetts, Estados Unidos). Sim, uma ex-aluna do IFSP-Matão está numa das melhores e icônicas instituições de ensino do planeta, fundada no longínquo ano de 1636. Como Luana foi parar lá? A Comarca fez essa pergunta a ela, na seguinte entrevista.

Qual motivo te levou a estudar no IFSP-Matão de 2016 a 2019?

Sempre tive vontade de estudar em universidade pública. Após o vestibular, ingressei no curso de Licenciatura em Química do IFSP-Matão, período noturno. Morava com minha família em São Carlos e precisei ir e voltar de van durante toda a Graduação. Para me apoiar, meu pai – que é motorista de van – se prontificou e realizou meu transporte e de outros colegas de São Carlos. Sou muito grata a ele por isso.

O que significou estudar no IFSP-Matão?

Foi um ‘divisor de águas’. Lá aprendi muitas coisas e contei com o ensino de professores excelentes, que me transmitiram conhecimentos técnicos e valores que sempre carregarei. O meu maior mentor foi o professor Filipe Camargo Dalmatti Alves Lima, com quem trabalhei desde o segundo ano de Graduação, sendo sua aluna de Iniciação Científica. Ele me abriu muitas portas. Sou grata a tudo o que o IFSP-Matão me proporcionou e se estou onde estou hoje, também foi por conta dos profissionais maravilhosos que trabalham lá.

O que você fez depois do IFSP-Matão?

Ao terminar a faculdade no IFSP-Matão, entrei direto para o Doutorado na Universidade de São Paulo (USP-São Carlos) como bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O objeto de estudo do meu Doutorado é o desenvolvimento de eletrodos de carbono para aplicação em baterias de fluxo redox, no laboratório do professor Frank Nelson Crespilho, meu orientador.

Como o IFSP-Matão influenciou sua decisão de cursar Pós-Graduação?

Desde criança sempre gostei de ciências e de saber o porquê das coisas. No final do primeiro ano de Graduação no IFSP-Matão, tive aulas com o professor Filipe Lima, que abriu meus olhos para a pesquisa. Com ele compreendi que era possível unir a Química à Computação, outra paixão de infância. Foi com ele que aprendi grande parte do que sei sobre a área acadêmica. No final do segundo ano de Graduação, sob sua orientação, conquistei a bolsa de Iniciação Científica da Fapesp, a primeira bolsa da Fapesp aprovada no IFSP-Matão. Na Iniciação Científica, que desenvolvi até o último ano da Graduação, estudei as propriedades eletrônicas do Ferroceno, uma molécula orgânica com potencial de utilização em dispositivos de armazenamento de energia, como as baterias. Por estar inserida no estudo de possíveis moléculas para aplicações em baterias, me motivei e dei início aos estudos na Pós-Graduação.

O que te levou à Universidade de Harvard?

A área de bateria de fluxo é um assunto pouco explorado no Brasil e, para desenvolver minha pesquisa e aperfeiçoar os conhecimentos na área, era necessário estagiar em um grande laboratório. Por essa razão, aconselhada por meu orientador e com a aprovação do responsável em Harvard, professor Michael Aziz, submeti um projeto de pesquisa à Fapesp para financiamento de estudos no exterior. O projeto foi aprovado e fui agraciada com a bolsa solicitada.

Onde fica Harvard? Comente sobre a universidade.

Harvard está localizada nas cidades de Cambridge e Boston, no estado de Massachussetts, Estados Unidos. A instituição conta com 12 escolas distribuídas entre Cambridge e Boston, com cursos de Graduação, Pós-Graduação e Especialização. Além disso, conta com plataforma on-line de ensino que oferece diversos cursos gratuitos. Criada em 1636, Harvard tem mais de 35 mil alunos, do planeta todo.

Por que a instituição se tornou emblemática, icônica?

A Universidade de Harvard é uma das mais antigas dos Estados Unidos, reúne diversos prêmios e nomeações, tornando-a uma das universidades de maior prestígio no mundo. Também está entre as oito que integram a ‘Ivy League’ (‘Liga da Hera’, uma planta), sendo que as outras são as universidades americanas de Brown, Columbia, Cornell, Dartmouth, Princeton, Pennsylvania e Yale. Diversos presidentes e grandes líderes dos Estados Unidos se formaram em Harvard. Um ponto de relevância da instituição é a dedicação à excelência de ensino, aprendizagem e pesquisa, além de contribuir para o desenvolvimento de lideranças de diversas nações e chefes de Estado. A universidade tem grande relevância para a academia e para a ciência por diversas indicações de seus pesquisadores aos Prêmios Nobel, Pulitzer e outros de grande respeito.

Quando você chegou em Harvard? Relate sua rotina.

Cheguei no dia 1º de maio de 2022. Sou pesquisadora visitante de Doutorado na Escola de Engenharia e Ciências Aplicadas de Harvard. Todos os dias acordo por volta das 7h30, tomo café da manhã e vou para a faculdade de bicicleta, trajeto que levo de 15 a 20 minutos para percorrer. Ao chegar à faculdade, deixo minhas coisas no escritório, vejo a programação do dia e dou início aos trabalhos de pesquisa. Alguns dias são mais corridos que outros. Em alguns, preciso realizar diversos experimentos; então passo o tempo todo no laboratório. Em outros, revezo entre o laboratório e o escritório. No escritório trato os resultados dos experimentos e estudo. Almoço com o pessoal do laboratório no jardim da Harvard Law School. Sou eu mesma que preparo todas as minhas refeições. No final do dia, volto para casa de bicicleta e janto com minha colega de quarto, momento em que conversamos. Depois vou para o quarto e falo por vídeo chamada com meus familiares e meu namorado. No final da noite estudo, leio livros ou assisto alguma série. Aos fins de semana saio para conhecer as belezas e diversidades da região de Boston/Cambridge, como parques, museus, bibliotecas, restaurantes etc.

São quantos brasileiros em Harvard?

Não sei ao certo o número. De acordo com o Google, há cerca de 64 brasileiros estudando em Harvard.

O que significa ser aluna desta instituição?

Ser aluna de Harvard significa viver um sonho, não só meu, mas de toda minha família, já que sempre me apoiaram nos estudos. É uma oportunidade única e indescritível. É incrível pensar que ando, estudo e trabalho no mesmo local em que os maiores líderes americanos e do planeta passaram. Mas ser aluna de Harvard também é uma responsabilidade: retribuir para meu país todo conhecimento e experiência adquiridos.

Já participou de algum congresso?

Acompanhada de outros brasileiros que estão em Harvard, visitei a sede da Organização das Nações Unidas (ONU), localizada na cidade de Nova Iorque. Realizamos um tour pela ONU e participamos de uma apresentação sobre o desarmamento nuclear na missão permanente do Brasil na ONU. Foi uma experiência inenarrável e enriquecedora. Nunca imaginei participar de algo tão único. Recentemente, dos últimos dias 21 a 24, participei de um congresso em Chicago e apresentei resultados da minha pesquisa de Doutorado.

Quais são os seus próximos passos?

Quando concluir os estudos em Harvard, voltarei ao Brasil para finalizar minha pesquisa e defender minha tese de Doutorado na USP.

Qual é a sua mensagem para quem quer estudar em Harvard?

Sempre acreditei que os estudos conseguem levar a gente longe, mas nem nos meus melhores sonhos vislumbrei a oportunidade de passar um ano em Harvard. Por isso, recomendo a todos: acreditem no poder da educação, acreditem nos seus sonhos e nunca desistam. Por mais difícil que pareça, a recompensa sempre vem.

PERFIL

Luana Cristina Italiano Faria é filha de Gilmar Faria e Vania de Cassia Italiano Faria. “Tenho um irmão, Lucas. Nasci no dia 15 de junho de 1997, em São Carlos. Cursei os Ensinos Fundamental e Médio no Centro Educacional Sesi 108, de 2004 a 2014. No segundo ano do Ensino Médio, iniciei paralelamente o curso Técnico em Mecatrônica no Senai de São Carlos, onde estudei em 2013 e 2014”.

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