Padre Samir se despede de Matão
Missão continuará em Itirapina
Do acervo · publicada originalmente em 1 de julho de 2022
Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão
· Leitura de 6 min
Foto: Rogério Bordignon
Acervo · 2022Uma missa emocionante realizada na noite da quarta-feira (29) marcou a despedida do padre Samir Silva Sousa da Paróquia Divino Espírito Santo (Jardim São José). A partir das 18 horas deste sábado (2), ele iniciará uma nova etapa de sua missão, em Itirapina.
Quem assumirá a paróquia matonense será o padre Fábio Rogério Timóteo, que nasceu em Matão no dia 3 de junho de 1976. Filho de Jamiro José Timóteo e de Helena Nunes Timóteo e atuante em Jaú, ele teve sua Ordenação Diaconal do dia 27 de dezembro de 2003 e sua Ordenação Presbiteral no dia 9 de julho de 2004.
Com isso, três padres matonenses atuarão no município, considerando que o padre Marcelo Aparecido Jolli (Paróquia Santa Cruz) nasceu em Umuarama (PR), mas cresceu em Matão, e que o padre Jean Franco de Toledo (Paróquia Santa Luzia) é nascido nesta cidade. A seguir, a entrevista com o padre Samir.
O senhor completará 50 anos no dia 11 de dezembro. Nos resuma a sua trajetória.
Sou o terceiro dos oito filhos do saudoso Saturnino Neto de Sousa e de Iva Maria de Sousa. Meus irmãos são Jane Maria, Sandro, Ivone, Ivania, Janice, Yala e Majo. Nasci em Ituiutaba (MG), mas desde bebê morei e cresci em Canápolis (MG). Aos 14 anos, comecei a vender picolés e ‘geladinhos’ para ajudar no orçamento familiar e, na sequência, fui guarda mirim até os 17 anos e auxiliar da Junta do Serviço Militar até os 19 anos. Em 1991, ingressei no Seminário Menor/Instituto de Filosofia Santo Cura de Arce (São João Maria Vianney), em Ituiutaba (MG), onde também conclui o atual Ensino Médio. Cursei Filosofia no Seminário Maior Arquidiocesano Nossa Senhora de Fátima, em Brasília (DF), concluindo este ensino em 1996. Finalizei em 2001 o curso de Teologia que fiz no Seminário Maior Dom José André Coimbra, em Patos de Minas (MG). Exerci o Diaconato na catedral desta cidade em 2001 e, já padre, assumi a Paróquia de Santa Rosa de Lima (Iturama - MG), de 2002 a 2003. Fui reitor do Instituto de Filosofia Santo Cura de Arce, em Ituiutaba (MG), de 2003 a 2007, voltando a ser padre na Paróquia São Pedro e São Paulo, em Capinópolis (MG). Em outubro de 2009, passei a exercer o sacerdócio na Paróquia da Sagrada Família, em Araraquara, e cheguei à Paróquia Divino Espírito Santo no dia 31 de janeiro de 2017.
Sua atuação era desenvolvida em Minas Gerais, mas tomou o rumo de São Paulo. Como isso ocorreu?
Foi o bispo dom Paulo Sérgio Machado quem me ordenou diácono e depois presbítero em Canápolis (MG), onde passei toda minha infância e adolescência. Foi ele quem me convidou para atuar na Diocese de São Carlos. Durante praticamente um ano, final de 2008 ao final de 2009, fiquei à disposição da Mitra Diocesana de São Carlos celebrando missas onde precisavam de mim até assumir definitivamente a mencionada paróquia araraquarense e, depois, o então bispo dom Paulo César Costa – recentemente nomeado cardeal de Brasília (DF) – me transferiu para a paróquia matonense da qual me despeço, onde celebrei a primeira missa no dia 12 de fevereiro de 2017, na igreja que fica próxima a extinta Associação Matonense de Esportes e Lazer (Amel), na Vila Jandira. Foi uma missa marcante, pois fui muito bem acolhido.
A obra da igreja no Jardim São José estava em curso naquele momento?
Logo que assumi a Paróquia Divino Espírito Santo, tive conhecimento da obra da igreja cujo endereço é Rua Ângelo Ragassi, nº 415, Jardim São José, ficando na extremidade superior da Praça ‘Prefeito Newton Caivano’. Contando com o apoio dos fiéis, eu já tinha vencido dois desafios em Araraquara, referentes ao término da obra da igreja e a construção de um centro comunitário. Então, tomei coragem e decidi encarar o desafio de edificar o novo templo da Paróquia Divino Espírito Santo.
Afirmam que o senhor é um líder nato.
Vejo as necessidades da paróquia e observo onde as pessoas se encaixam diante dos trabalhos a serem realizados. Uma conjunção em equipe exige a entrega de muita gente. Felizmente consegui cerca de 90% das pessoas que convidei para exercer o voluntariado e ajudar a comunidade. O povo de Matão é muito religioso, piedoso e solidário; se envolve com a causa da evangelização e da caridade. Além de ajudar na edificação da nova igreja, desenvolve diversas ações sociais como o Programa Infanto-Juvenil com coral para crianças; a Pastoral da Sopa, com alimentos entregues para 150 famílias em média, toda quinta-feira. Temos também o Programa de Plantão Psicológico, onde profissionais deste ramo atendem pessoas católicas e de outras religiões em diferentes horários às segundas, quartas e sextas-feiras, agendados pelo telefone 3384-1828 da nossa Secretaria Paroquial, onde estão o Daniel Oliveira e a Emi Pereira. A Pastoral Solidária atua na doação mensal de Cestas Básicas para famílias cadastradas, sendo que a família que recebeu num mês não receberá no mês seguinte, voltando a receber no outro mês e assim sequentemente. Há também a Campanha Natal Solidário, que doa brinquedos a crianças carentes. Integramos uma comunidade que precisa de auxílio para a alimentação, no combate ao uso de drogas e no apoio psicológico e espiritual. Infelizmente, a fome existe, bem como os desamparados. Muitas pessoas convivem com uma realidade social que recebe atenção solidária muito bem-vinda da comunidade matonense; contudo, estas pessoas precisam de mais oportunidades e humanização.
Quais eventos contribuíram para os programas e para a obra da igreja?
Diversos eventos agregaram a comunidade e serviram como fontes de arrecadação para doações às pessoas necessitadas: Porco Paraguaio, Costela no Chão, Arraial da Paz, além de outros eventos festivos/solidários.
Que comunidade o senhor viu se formatar na Paróquia Divino Espírito Santo.
Vi se formatar uma igreja viva, com pessoas fazendo caridade, orando e trabalhando em prol de outras, construindo a civilização do amor. Quando celebro missa, observo do altar uma comunidade diversa, que varia de pessoas carentes a grandes empresários. A Casa de Deus tem que ser assim: acolher ricos e pobres. Jesus Cristo assim fez e eu sempre pratiquei, sendo a mesma pessoa e tratando a todos da mesma forma. A comunidade percebe isso. Acredito na comunhão de fé e vida e gosto de ser padre, de abraçar a igreja e levar pessoas para Deus, fazendo com que elas pratiquem uma espiritualidade agregada à vida. Fazer o bem faz bem!
Por que o senhor vai para Itirapina?
Há uns três meses, tive uma conversa com o bispo dom Luiz Carlos Dias e oficializei a ele o que já havia dito outrora ao bispo auxiliar dom Eduardo Malaspina. Afirmo que a decisão da minha saída de Matão decorre deste diálogo; afinal, sou servo de Deus e estou à disposição da igreja onde for preciso. Seguirei minha missão em Itirapina.
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