Hino ao Senhor Bom Jesus se torna Patrimônio Cultural
Iniciativa do vereador Paulo Bernardi foi aprovada na Câmara Municipal
Do acervo · publicada originalmente em 1 de julho de 2022
Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão
Foto: Rogério Bordignon
Acervo · 2022Na segunda-feira (27), a Câmara Municipal aprovou por unanimidade, em única votação, o Projeto de Lei (PL) nº 95/2022, de autoria do vereador Paulo Augusto Bernardi, que declara o Hino ao Senhor Bom Jesus de Matão como Patrimônio Cultural Imaterial de Matão. A noite foi marcada por apresentação do Coral Menino Jesus, da Paróquia Senhor Bom Jesus de Matão, e por pronunciamento do padre Jorge João Aparecido Nahra, bem como do autor do PL.
HISTÓRICO
Na formação dos vilarejos era comum a doação de áreas de terra para um santo, ato entendido como uma forma de construção e manutenção das capelas, das atividades religiosas e vitais. Fazendeiros queriam ver o desenvolvimento das capelas e das comunidades em volta delas e destinavam áreas que, geralmente, eram dadas em enfiteuse a quem quisesse se estabelecer no local. “Assim, o ‘santo’ passava a receber o chamado foro e laudêmio, que era revertido para a manutenção da vila. Dessa forma, Matão foi construída sob as bênçãos do Senhor Bom Jesus”, resume Paulo.
O HINO
Consta no livro ‘Uma história para Matão - Volume 2’, obra também comemorativa ao centenário da primeira missa celebrada no Arraial do Senhor Bom Jesus de Matão no dia 25 de março de 1895, publicada pelo saudoso historiador Azor Silveira Leite em 1995, o depoimento do padre Nelson Antonio Romão divulgado na edição nº 1.355 do Jornal A Comarca, datada de 24 de junho de 1951, juntamente com a publicação da letra do hino.
Em conversa com padre Nelson e amigos sobre a festa do Senhor Bom Jesus de Matão e referente a construção do terceiro prédio da Igreja Matriz, o promotor atuante em São Carlos, Abel Newton de Oliveira Penteado, externou que almejava cooperar de alguma forma. Conhecendo sua generosidade, o padre Nelson solicitou ao promotor Abel um Hino ao Senhor Bom Jesus de Matão, o que foi prontamente aceito.
Semanas depois, padre Nelson relatou para A Comarca que Abel veio a Matão com seleta caravana sancarlense para executar pela primeira vez a peça lítero-musical. Consta na mencionada edição que, naquela noite de 8 de junho de 1951, “a Igreja Matriz estava repleta de fiéis que ouviram em sons maviosos e argentinos, o delicado hino, refletindo ao mesmo tempo, sentimentos e a maravilhosa obra do poeta e do músico que foram seus autores, pois doutor Abel fez a letra e o maestro Heitor de Carvalho – cirurgião-dentista em São Carlos – fez a música do hino”.
AGRADECIMENTOS
Pelas contribuições na busca por informações, Paulo agradece a Cléber Pereira Defina (promotor), Marisa Picchi Toledo (maestrina), Luiz Antônio Cezar de Oliveira (juiz de Paz), Jorge Nahra (padre da referida paróquia), Cirilo Braga (assessor de imprensa da Câmara Municipal de São Carlos) e A Comarca (jornalistas Rogério Bordignon e Paulo Sergio Gabriel Filho).
“Muito obrigado também a todos os vereadores, pois conseguimos resgatar um importantíssimo bem incrustado na nossa história. Tornamos Patrimônio Cultural Imaterial o Hino ao Senhor Bom Jesus de Matão, que muito além da sua característica religiosa, de seu vínculo com a primeira paróquia do município, tem a sua fundamentação na formação de nossa cidade”, sintetiza Bernardi.
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