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Cultura e Variedades

Ex-guardinhas da Citrosuco tiveram confraternização

Evento festivo aconteceu no último dia 16, no Rancho Fest

Do acervo · publicada originalmente em 23 de julho de 2022

Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão

· Leitura de 8 min

Foto: Rogério Bordignon

O primeiro reencontro. Evento propiciou o resgate de memórias num ambiente de alegria e descontração, sobretudo para aqueles que não se viam há muitos anosAcervo · 2022
O primeiro reencontro. Evento propiciou o resgate de memórias num ambiente de alegria e descontração, sobretudo para aqueles que não se viam há muitos anos

No último dia 16, ex-mensageiros da Citrosuco tiveram uma confraternização festiva e gastronômica. Organizada por Luiz Maurício Domingos Pereira – criador do grupo de WhatsApp que os integra – e Romílson Martins da Silva, a primeira edição do ‘Encontro dos ex-Guardinhas da Citrosuco’ aconteceu embalada pelo trio ‘The Laranjitos’.

“É uma banda formada por Mô Matturro (violão e voz), Betinho Uliana (guitarra e voz) e Pedro Simeoni (bateria), todos ex-guardinhas da Citrosuco”, apresenta Luciano Gonçalves Leite, que também auxiliou na organização. Entre os participantes, pessoas que não se viam há muitos anos, pois alguns trabalham em outros municípios, até em outros estados.

“Uma faixa de boas-vindas com a arte criada por Maurício, colhendo assinaturas dos participantes, foi colocada na entrada do ambiente principal do Rancho Fest, local em que o encontro foi realizado, regado por boa comida do Sapevi Buffet, memórias, alegria e muita descontração. Os ex-guardinhas estavam uniformizados por camisetas que traziam a mesma arte da faixa”, cita Romílson.

Havia uma quantidade de exemplares do Jornal ‘Nossa Gente’, que foram folheados. Alguns procuraram matérias – escritas pelo saudoso jornalista Gilberto Silva – nas quais seus nomes constavam, sobretudo as que registraram torneios de futsal ou futebol. Para 2023, a intenção é de expandir o encontro também às mulheres que foram guardinhas e aos familiares, já que este primeiro evento foi exclusivo para os guardinhas.

UM PROGRAMA SOCIAL

Formalmente, não havia uma denominação específica para o programa. Eram mensageiros, conhecidos internamente como guardinhas, sendo que a atividade principal – pois havia outras – consistia em levar as correspondências em envelopes do tipo ‘vai e vem’ (padrão memorando), identificando o remetente e destinatário das diversas áreas da empresa.

“O programa surgiu devido à necessidade da comunicação interna entre funcionários da Citrosuco, mas também como forma de atrair jovens para a empresa, ainda que em primeiro momento. Todas as contratações eram realizadas por intermédio da extinta Guarda Civil Mirim Municipal (Prefeitura de Matão)”, resume Paulo Sérgio Calera (gerente do Departamento de Desenvolvimento Humano e Organizacional, DHO, da Citrosuco).

“O programa possuía cunho social e o fomento ao aprendizado, convívio empresarial e primeiro emprego. Posteriormente, para formalização nos aspectos legais/trabalhistas, mensageiros passaram a ser contratados diretamente pela Citrosuco, sendo incluídos na carteira de benefícios da empresa, dando a estes jovens a oportunidade de participarem de processos internos de evolução de carreira”, continua Calera, lembrando que a entrega de correspondência dava visibilidade aos ‘guardinhas’.

Durante o trabalho que desenvolviam e no contato com as áreas da empresa, eram observados em relação às competências que a empresa exigia: carisma, atenção, protagonismo, comprometimento, comportamento, comunicação. “Então, a Citrosuco assumiu diretamente o vínculo empregatício de vários jovens, oportunizando posteriormente a chegada das meninas. A empresa já pensava em diversidade de gênero no mundo empresarial, quando isso era pouco discutido no mercado”, cita Margareth Ribeiro da Silva (Margô, especialista em Responsabilidade Social da Citrosuco).

“A oportunidade de ter feito parte do grupo de mensageiros reflete hoje no meu caráter e na minha integridade. Me traz memórias de alegria e muita gratidão por aprendizados não só no âmbito profissional, mas também na vida pessoal”, considera Meri Elen Verraci Alves, admitida como mensageira, hoje analista júnior de Compensação e Organização, C&O, da Citrosuco).

O FIM E O PESCAR

A modernização dos processos que envolviam correspondências entre as áreas (telefax, telegramas, memorandos e outros tipos de comunicação); as mudanças pelas quais passou o centro gráfico (encadernação, fotocópia, preparação de apostilas) com a substituição das máquinas fotocopiadoras por equipamentos que permitem a digitalização e envio de documentos – assim como o crescimento vertiginoso das tecnologias de informação (internet, computadores) –, fizeram com que as atividades desenvolvidas fossem extintas. O segmento de ‘guardinhas’ existiu na Citrosuco de meados da década de 1980 ao final da década de 1990.

Em substituição ao Programa de Mensageiros – e de forma gradativa –, a Citrosuco abraçou ao Programa Pescar em 2003, em parceria com a Fundação Programa Pescar de Porto Alegre, cuja metodologia tem cunho sócio profissionalizante que contempla jovens em situação de vulnerabilidade social/econômica, desenvolvendo formação técnica e de cidadania. Dessa forma, o Pescar voltou a dar oportunidades a jovens, fortalecendo as relações da empresa junto à comunidade local. Posteriormente, outras unidades do Pescar foram implantadas pela Citrosuco, sendo que as unidades estão em Matão, Catanduva (SP) e Fazenda Rio Pardo (Iaras, SP).

“O Pescar se tornou referência, inclusive para a fiscalização do Ministério do Trabalho, quando este programa deixou de ter somente conotação social, passando a ser visto/autorizado a atuar como entidade formadora, possibilitando o cumprimento de Cotas de Aprendizagem (lei específica) não só da Citrosuco, mas de outras empresas que queiram contratar estes jovens”, sintetiza Margô.

Depoimentos

“Há anos sou alfaiate. Entrei na Citrosuco em 1987, aos 13 anos, no Departamento de Comunicação Social. Depois fui fazer cálculos de cota-capital na extinta Citrocoope. Aos olhares cuidadosos de José Luís Torquato e sob a rigidez e seriedade de Antonio Carlos Jodas – nossos mestres –, pré-adolescentes com seus sapatos brilhando, debaixo de sol e chuva, enchiam suas mãos de comunicações e a todo instante levavam as informações com as quais a maior empresa produtora de suco do mundo se comunicava, antes das tecnologias atuais. Muitos de nós foram se destacando em departamentos de todos os setores da Citrosuco, tendo novos professores, numa época em que um problema exigia solução, não novo problema. Centenas de pequenas mãos de informações atualizadas foram crescendo e fazendo a vida caminhar. Se tornaram profissionais em diversas áreas, empresas, estados, outros países. Hoje somos pais e até avôs felizes pelo reencontro, tendo em nossos corações a consideração à Citrosuco, que impulsionou nossos conhecimentos, garra e vontade de crescimento, abrindo um leque para formação de excelentes profissionais que hoje dominam incontáveis áreas. Buscamos e construímos nossas histórias, famílias, memórias. Que Deus nos abençoe e que sirvamos de exemplos aos jovens de hoje, sabendo que o caminho é melhor quando construído e não esperado, pois somente acontece aquilo que é produzido”, Luiz Maurício Domingos Pereira.

“Eu tinha 13 anos quando entrei na Citrosuco, etapa que representou a formação de um homem com uma visão de compartilhamento, ajudando ao próximo, desenvolvendo o senso de responsabilidade e comprometimento. A empresa – através de nossos líderes na época, Torquato, Haroldo, entre outros – contribuía muito nos formando, sempre incentivando e nos demonstrando que havia um caminho aberto para sermos contratados de fato pela Citrosuco. Muitos de nós foram para diversos departamentos da empresa e, depois, contratados. Eu, por exemplo, fui para o Departamento de Tesouraria, sendo contratado oficialmente no dia 4 de setembro de 1989 como assistente de auxiliar administrativo. Passei por alguns departamentos: Contas a Pagar, Cobrança, Tributário, Planejamento (Orçamento) e Contabilidade. Estudei em São Carlos, viajando todos os cinco dias úteis da semana por cinco anos, contando com ajuda da Citrosuco, por intermédio de uma bolsa de estudo equivalente a 70% do valor da mensalidade, e segui o caminho da contabilidade. A Citrosuco implementou o Centro de Serviços Compartilhados (CSC), do qual eu fazia parte, trabalhando com Sergio Canassa (gerente de divisão). Em 2004, a Companhia Brasileira de Offshore (CBO) implementou um plano de crescimento e fui ajudá-los na parte contábil. Em 2013, a Citrosuco vendeu a CBO para fundos de investimentos e me convidaram a ficar no Grupo CBO, onde sou gerente contábil/fiscal. Há um único registro profissional na minha Carteira de Trabalho desde 1989. Tenho muito orgulho em afirmar que fui formado pela Citrosuco e por meus pais”, Ricardo de Paula Luqui.

“Iniciei como guarda mirim na Citrosuco em agosto de 1985 e trabalhei nesta função até setembro de 1986. Na sequência, fui efetivado como funcionário da empresa e desde então desempenho atividades na área de Controladoria/Finanças. Atualmente, sou gerente de Planejamento Econômico-Financeiro e Custos. Trabalhar na Guarda Mirim da Citrosuco foi uma experiência única da qual me orgulho e sou muito grato. Foi uma época de integração com vários adolescentes que compartilhavam das mesmas aspirações sobre o que gostariam de fazer no futuro, porém, de forma leve e descontraída, características desta fase da vida. Hoje, quem ler nossos depoimentos poderá pensar que trabalhar com 14 anos seja prematuro e que o jovem deveria seguir somente estudando. Naquela época era muito normal um jovem de 13, 14 anos trabalhar. O fato de ser jovem e de trabalhar não me impediu de estudar e aproveitar minha adolescência, de fazer novos amigos. Aquele momento que compartilhamos proporcionou grandes aprendizados como saber trabalhar em grupo, estabelecer relações interpessoais, a importância de ser organizado e ter disciplina, despertando objetivos pessoais e profissionais”, Ronaldo Antonio Bovo.

“Trabalhei como guarda mirim de março de 1989 a setembro de 1990 e fui efetivado no mês seguinte. Essa etapa de vida representou uma faculdade para mim. Foi um período de muito aprendizado, que passou por adquirir conhecimento sobre comportamento e disciplina profissional até o conhecimento de rotinas administrativas de alguns departamentos como Laboratório Químico, Serviços Gerais (reservas passagens/hotel, telex/telefonia) e Informática. Também significou um período de nobre agenda social, trazendo a oportunidade de participar de várias iniciativas recreativas e confraternizações junto aos demais guardas mirins e funcionários. Significou poder ajudar no orçamento familiar... Para conseguir alguns recursos financeiros extras, trabalhei também em alguns finais de semana como monitor/serviços gerais no extinto Clube Santa Carolina. Tratou-se de uma época formada por uma geração muito privilegiada e de muitos valores. Mesmo sob tantas adversidades que trazíamos do modelo de vida humilde e periférico, podemos afirmar que ter passado por aquela etapa como guarda mirim teve grande peso para que mantivéssemos os princípios, o caráter, sobretudo para poder servir de inspiração, exemplo e força para as gerações atuais. Ter sido guarda mirim me trouxe oportunidade de conhecer o ‘mundo corporativo’, aflorando em mim o forte desejo de cursar uma faculdade para trabalhar na área de informática e buscar realização profissional. Após ser guarda mirim, fui auxiliar de Processamento e Sistemas na Citrosuco, auxiliar administrativo, professor de informática, programador de computador, analista de sistemas, gerente de projetos, executivo de projetos. Atualmente sou Head de Fábrica de Software na área de TI, responsável por equipes multidisciplinares na elaboração de projetos de sistemas para médias e grandes empresas”, Wanderlei Ferreira Silva.

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