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Cultura e Variedades

Padre Luiz Sleutjes completará dez anos de sacerdócio

Trajetória começou como vigário, auxiliando ao padre Jorge Nahra em São Carlos

Do acervo · publicada originalmente em 10 de maio de 2022

Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão

· Leitura de 8 min

Foto: Rogério Bordignon

O padre Luiz Albertus Sleutjes. "Em unidade com os outros padres e lideranças católicas da cidade ? bem como com as outras denominações religiosas ? é possível dar uma resposta sincera e efetivaAcervo · 2022
O padre Luiz Albertus Sleutjes. "Em unidade com os outros padres e lideranças católicas da cidade ? bem como com as outras denominações religiosas ? é possível dar uma resposta sincera e efetiva

Luiz Albertus Sleutjes é filho de Antonio Sleutjes e de Maria Beatriz Federice Sleutjes. Irmão de Tony Francisco, nasceu em Brotas no dia 29 de agosto de 1986 (35 anos). Coroinha do saudoso padre Marcos Antonio Simões Pião na cidade onde nasceu, cursou o Seminário de Propedêutica em Jaú (em 2004) e o Seminário Diocesano de São Carlos (de 2005 a 2007). No final de 2011, concluiu o curso superior de Teologia e Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Puccamp).

Ordenado padre no dia 25 de maio de 2012, serviu como vigário na Paróquia São João Batista, em São Carlos, auxiliando o padre Jorge João Aparecido Nahra. No dia 22 de fevereiro de 2013, passou a ser padre, assumindo trabalhos na Paróquia de São Sebastião (Jardim Paraíso), em Matão, onde celebrou sua última missa antes de ir para Roma (Itália) no dia 5 de agosto de 2018. Pouco antes, em junho de 2018, concluiu o Mestrado em Teologia Sistemática na PUC de São Paulo.

Naquele mês de agosto, foi enviado pela Diocese de São Carlos a Roma para cursar Especialização/3º Ciclo (Doutorado) em Teologia Moral na Accademia Alfonsiana, Instituto Superior de Teologia Moral, Pontifícia Universidade Lateranense. Residiu no Pontifício Colégio Pio Brasileiro, mantido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Reassumiu sua missão na Paróquia de São Sebastião no dia 20 de outubro de 2021. Segue entrevista com o padre Luiz, que comemorará dez anos de Ordenação Sacerdotal no próximo dia 25.

Qual a origem do sobrenome Sleutjes?

É dos meus avós paternos, imigrantes holandeses que chegaram ao Brasil após a Segunda Guerra Mundial, em janeiro de 1949. A tradução de Sleutjes do holandês para o português é ‘pequenas chaves’.

A sua primeira passagem por Matão durou praticamente cinco anos e meio. Como foi aquela jornada inicial?

Naquela primeira passagem, destaco o trabalho na Paróquia de São Sebastião, no bairro do Paraíso, no desenvolvimento das pastorais e celebrações, bem como o envolvimento com as causas sociais. No que tange à Igreja em Saída – categoria marcante do Pontificado do papa Francisco –, lecionei aulas de Filosofia e Sociologia em duas escolas matonenses: na Etec ‘Sylvio de Mattos Carvalho’ e no Colégio Anglo. Foi uma ótima experiência de ajuda às pessoas a superarem as fragilidades. Avalio esse primeiro período como uma semeadura, pois demos juntos bons passos para o bem possível.

Como foi se especializar na Itália e na Alemanha?

Durante os três anos em Roma, desenvolvi minha pesquisa na área da Teologia Moral nos temas da família, da formação da consciência e da Ecologia Integral, alcançando a titulação acadêmica de Mestrado e Doutorado. No campo pastoral, desenvolvi alguns trabalhos missionários atendendo confissões e celebrando missas nas regiões do Veneto, do Lazio, de Maranello e na Gallura, ou seja, na Sardenha. Também exerci o serviço pastoral em Essen (Alemanha) para comunidades de italianos naquele país, onde participei de um curso de Doutrina Social da Igreja. Em outubro de 2019, integrei o grupo de brasileiros que auxiliou no Sínodo dos Bispos Panamazônicos. Nessa ocasião, trabalhei com o papa Francisco no Vaticano por 15 dias; fui responsável por registrar as Atas Sinodais em Português. Esse Sínodo tratou de questões ambientais, mas, acima de tudo, trabalhou questões da Igreja e seus integrantes, principalmente a mulher, diante dos novos desafios demandados por essa ‘mudança de época’. No entanto, como todos, passei um ano e meio desses três anos limitado pelo estado de cuidado e precaução devido a pandemia de covid-19. Foram dias reclusos no Colégio Pio Brasileiro, onde habitei com outros 50 padres brasileiros. Passamos o período de 100 dias, literalmente, sem colocar o pé na calçada.

De Roma, o senhor veio direto para Matão?

Após concluir os estudos de doutoramento, voltei ao Brasil e ajudei a Paróquia Sagrada Família em Araraquara como colaborador paroquial. Dois meses depois, o administrador diocesano Dom Eduardo Malaspina me nomeou como padre da Paróquia de São Sebastião, em Matão.

Sintetize a sua experiência com o papa Francisco.

As duas semanas de trabalhos no Sínodo Panamazônico, o encontro oficial com a faculdade e as concelebrações com o papa Francisco, no Vaticano, formaram uma ótima impressão desse ser humano humilde, sincero e muito bondoso. Dentre as experiências, destaco uma, no dia 12 de outubro de 2019, quando eu estava no fim da fila para pegar um cafezinho no intervalo e o papa Francisco apareceu como último da fila. Ofereci um lugar à frente, mas ele disse que preferia ir conversando. Perguntou sobre minha origem, sobre o Brasil, sobre o que estudava. E me deu um conselho: “Nunca perca a humildade”. Trata-se de alguém objetivo e simples que testemunha a fé em um Deus misericordioso, prático e, ao mesmo tempo, corajoso, que discerne e estimula o discernimento dos demais. Deixa claro que para viver a fé não existem receitas prontas, mas que é muito importante semear processos de transformações pessoal e comunitária.

Por que voltar para Matão? Foi escolha ou o senhor aceitou decisão da Diocese de São Carlos?

Como presbítero, estou à disposição da Diocese de São Carlos. Sendo assim, houve a necessidade de voltar para Matão e aqui estou de bom grado para dar continuidade na caminhada dessa porção do Povo de Deus. Tenho consciência histórica de que não é simplesmente continuar de onde paramos em 2018, pois a missão e o objetivo não são meus, mas estou a serviço de algo maior e por isso me coloco à disposição para escutar e caminharmos juntos, como povo que constrói a própria história, crescendo juntos e iluminados por Deus.

O que ganha a comunidade com sua especialização?

A especialização em Teologia Moral capacita para atuar na formação acadêmica. Dessa forma, hoje contribuo como professor de Filosofia no Instituto São Tomás de Aquino, em São Carlos, ministrando aulas para futuros presbíteros, e como docente de Teologia na Puccamp e também no curso de Teologia do Seminário de Diamantina (MG). A Dissertação de Mestrado foi sobre ‘O bem comum e a Ecologia Integral’. Já a Tese, defendida e aprovada, versou sobre ‘O pecado ecológico como desafio à Teologia Moral – uma relação entre responsabilidade e Ecologia Integral’. Desenvolvemos esse trabalho em 300 páginas, com o objetivo de responder à pergunta: ‘que mundo queremos deixar às próximas gerações?’.

Em geral, a população do Jardim Paraíso enfrenta mais dificuldades quanto às suas necessidades básicas hoje do que há três anos e meio?

Após a situação pandêmica – uma vez que esse vírus não atinge apenas a questão sanitária global, mas todas as dimensões da casa comum –, a população do Jardim Paraíso, como todas as pessoas de qualquer faixa etária, está mais necessitada de humanidades, em todos os sentidos. Prova disso é o exemplo de ignorância expresso pela guerra da Rússia contra a Ucrânia. Neste cenário, as pessoas de menor renda são as que mais sofrem as consequências da falta de paz nos campos econômico, político, educacional, acesso à cultura gratuita e de qualidade, sanitária e humana. Seja aqui ou em outro lugar, a missão é sempre ressaltar aquilo que o ser humano traz de melhor em si: a força de autossuperação, pois mesmo diante de tantos desafios e dificuldades, continuamos a dizer sim à vida e a lutar pelos nossos sonhos. Continuamos trabalhando e buscando o bem comum.

O que fazer nessa retomada de atividades junto à Comunidade de São Sebastião?

Começo a responder essa pergunta citando Santa Madre Teresa de Calcutá: “Nem todos podem fazer grandes coisas, mas todos podem fazer pequenos gestos com grande amor”. Quero abusar do clichê ‘a unidade faz a força’. Dessa forma, em unidade com os outros padres e lideranças católicas da cidade – bem como com as outras denominações religiosas –, é possível dar uma resposta sincera e efetiva às demandas do povo matonense. O caminho se faz caminhando, mas nunca sozinho; faz-se necessário unir e agregar forças para construirmos a paz e o bem comum.

Maio chegou. O que refletir sobre o Mês das Mães?

Quando comentamos sobre mães, falamos das mulheres, pessoas que sempre devem ser mais que homenageadas, mas respeitadas em sua missão. Cada uma deve ter a possibilidade e, ao mesmo tempo, ser incentivada a assumir a condição de protagonista da vida com toda dignidade que a existência exige. Parabéns a todas as mulheres e, de maneira especial, àquelas que exercem a maternidade com gestos de cuidado, paz e caridade ao próximo. Celebrar o mês de maio, o Mês das Mães, é celebrar a ternura que cada mulher dispensa, naturalmente, em sua missão na construção de um mundo melhor. Assim, não podemos deixar de tocar no papel da mulher como protagonista da liberdade, da dignidade, da educação, da força, da unidade e da construção da paz. É celebrar uma porção de Maria, a mãe de Jesus, em cada mulher do cotidiano.

Explique o que é Pentecostes.

Pentecostes é uma festa cristã com origens no judaísmo. Na cultura semita, os judeus celebram a Festa das Tendas, a presença de Deus, através das leis e da profecia, na caminhada do povo rumo à Terra Prometida. No Cristianismo, existe uma atualização desse mistério com o sacrifício de Cristo: na alegria da Espiritualidade Pascal, as comunidades recebem o Espírito Santo como defensor, como continuidade da presença de Jesus na missão do cotidiano: “Sejam sal da terra e luz do mundo” (Mateus, capítulo 5, versículos de 13 a 14). Dessa forma, Deus continua a nos chamar e a capacitar à missão de construímos juntos um mundo mais justo, mais humano, começando com a mudança de olhar para a vida de cada pessoa. Assim, a responsabilidade é pessoal, as boas consequências são coletivas. Após os 50 dias do Tempo Pascal, um número significativo, pois são sete semanas (7x7 = 49), celebraremos no próximo dia 5 de junho o Domingo de Pentecostes. Isso significa celebrar a Deus, que continua a caminhar com a humanidade; significa celebrar a nossa corresponsabilidade em cuidar uns dos outros e da casa comum.

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