Matonense para atividades sem saber se volta em 2023
Time não disputará a Copa Paulista no segundo semestre deste ano
Do acervo · publicada originalmente em 2 de maio de 2022
Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão
· Leitura de 8 min
Foto: Rogério Bordignon
Acervo · 2022Depois de dispensar o elenco, sempre há situações pendentes a serem resolvidas por parte de pessoas que administram um clube de futebol. Na Matonense, em 2022, esse trabalho se finda junto com o término do mês de abril. As janelas da Casa do Atleta estão fechadas, bem como acessos a este local, ao Vestiário ‘Bruno Giliolli’ e outras dependências, cuidadas pelo zelador Luiz Augusto da Silva.
Não há atividade na cozinha da Casa do Atleta, onde na última quarta-feira (27) somente estavam o supervisor Luiz Augusto Júnior Santos Silva e o diretor de Futebol, Pedro Leonardo Filho (Pedrão). Cabe então constatar que a Matonense entra num período de inatividade futebolística com participação incerta na Série A-3 do Campeonato Paulista de 2023.
Segundo Pedrão, o time não disputará a edição 2022 da Copa Paulista, prevista para começar no próximo mês de julho. Questionado sobre o seu futuro, ele afirma não saber. “Se eu continuar na Matonense, será por causa de Antonio Aparecido Galli, a quem sou muito grato”, diz Pedrão. A parceria entre os dois começou há 26 anos, em 1996.
Naquela ocasião, Pedrão trouxe o meia João Batista (da Ferroviária para a Matonense) e, três dias depois, aceitou o convite de Galli para a parceria. “Comecei a ser empresário de jogadores em 1994, quando ainda jogava futsal em São Paulo. Parei de jogar em 1995 e me dediquei mais ao mercado do futebol a partir de 1996”, lembra ele, entrevistado por A Comarca.
Os contratos dos jogadores são vigentes por qual período?
Quando se forma um elenco, salvo raras exceções, os contratos são firmados com os jogadores desde o dia que eles começam a treinar até o final do campeonato, independentemente do time se classificar para as fases subsequentes. Nesta edição da Série A-3, por exemplo, a maioria dos contratos dos atletas com a Matonense começou no dia 20 de novembro de 2021 e segue até o próximo dia 20 de maio, embora todos tenham sido dispensados no último dia 27 de março.
Você atuou numa Matonense em ascensão em 1996 e 1997, na A-1 de 1998 a 2002, em 2013 e 2014 e, por enquanto, 2021 e 2022. Qual foi o período mais desafiador?
Foi voltar em 2013. Retornamos após um período em que a Matonense não conseguia subir para a Série A-1 e, pior que isso, declinou até ficar numa situação extremamente crítica. Em 2013, jogador nenhum acreditava na Matonense, não queria vir para cá de jeito nenhum. Conseguimos montar o grupo que subiu para a A-3 como campeão porque alguns empresários e presidentes de clubes confiaram em mim e no Galli e cederam atletas para a Matonense. A Francana, por exemplo, nos emprestou seis jogadores. Fomos campeões, subindo da Bezinha para a A-3. A maioria dos integrantes daquele plantel de 2013 conseguiu acesso em 2014, para a A-2, sendo que a Matonense foi vice-campeã.
Não houve o acesso da A-2 para a A-1 em 2015 e vocês não continuaram à frente da Matonense. Voltaram em 2021, o time fez grande campanha, mas não conseguiu subir em 2022. O que deu certo em 2021 e não deu em 2022?
Como a Matonense caiu em descrédito de 2016 a 2020, também foi difícil montar o elenco para a Bezinha de 2021. No entanto, contratamos um bom plantel, fizemos excelente campanha e subimos.
Vocês mantiveram grande parte do elenco de 2013 para 2014. Por que a maior parte do grupo de 2021 não foi mantida para 2022?
Em 2013, recebemos uma grande quantidade de jogadores livres, ou seja, sem vínculos com clubes que eles tinham defendido. Já em 2021, 70% do grupo era composto por atletas emprestados, ou seja, com vínculos aos seus clubes de origem. Tivemos que devolver a maioria do grupo que foi vice-campeão da Bezinha no ano passado. Tentamos negociar, mas exigiram o retorno dos jogadores.
O que mais pesou na disputa da A-3 foi o sistema defensivo da Matonense, que terminou como o mais vazado do campeonato.
Daquele excelente sistema defensivo na Bezinha conseguimos manter os zagueiros Guilherme Mariano e Guizão – que jogou algumas partidas em 2021 –, o lateral Kaio e o volante Willian. Contratamos outros defensores em cujos potenciais acreditávamos, mas eles não renderam o esperado. O padrão tático praticamente não mudou, pois o treinador que terminou a Bezinha foi o mesmo que começou a A-3, o Marcos Campangnollo. Os resultados não vieram com ele e tivemos que contratar o técnico Cléber Gaúcho, que vinha de títulos da A-3 com o Velo Clube e da Primeira Divisão do Campeonato Goiano com o Grêmio Anápolis. Infelizmente, não tivemos sucesso.
Além disso, o que mais impediu novo acesso?
Não fizemos uma boa pré-temporada. Por 15 dias em dezembro de 2021, liberamos os atletas dos treinamentos porque a incidência de casos de covid-19 foi geral no plantel. Voltamos e, logo na sequência, liberamos os jogadores por nove dias para passarem o Natal e o Ano Novo com suas famílias. Em cima da hora, tivemos que dedicar boa parte do tempo para formar e treinar o time que disputou a Copa São Paulo de Futebol Júnior e isso tira um bom tanto do foco que se deve ter no time principal. Mesmo assim, deixamos de nos classificar por muitos erros de arbitragem, pois tivemos sete pênaltis não marcados, dois gols mal anulados e três gols sofridos de forma irregular.
Se você montar o próximo grupo da Matonense, jogadores com quais perfis táticos seriam contratados?
Não adianta querer inventar no futebol. Eu contrataria atletas com os mesmos perfis táticos dos jogadores que praticamente sempre contratei. Há muitos anos, priorizo atletas que formem um time ‘cascudo’ em seu sistema defensivo, técnico no passe e na transição, veloz e eficiente no movimento ofensivo.
A Matonense pode caminhar para ter uma empresa como sua gestora. A situação financeira da Matonense é viável para esta perspectiva?
Não me envolvo com as decisões da diretoria e do conselho, nem com a situação financeira da Matonense. Não estou bem informado sobre estes assuntos, porque minha parte é montar time, comissão técnica, enfim, é a prática futebolística. Isso sem receber um centavo sequer da Matonense. Sei pouquíssimas coisas; por exemplo, sei que não recebemos nenhum recurso financeiro da Federação Paulista de Futebol (FPF) devido ao bloqueio que a Justiça impõe à Matonense decorrente de dívidas passadas. Afirmo que, desde a década de 1990, a Matonense entra em campo e tem suas conquistas em virtude da atuação do Galli e das empresas parceiras.
Tua intenção é de continuar na Matonense?
Não queria deixar de ser parceiro do Galli. Tive convites de dois times paulistas e de dois times mineiros para atuar como gerente de Futebol, mas agradeci e permaneci com o Galli. Prefiro ter meu tempo livre para cuidar de assuntos particulares do que ter vínculo exclusivo com algum clube. No entanto, após tristes episódios vividos durante a Série A-3 deste ano, fiquei pensativo com relação à minha permanência ou não na Matonense e aguardarei para tomar minha decisão. Quero agradecer muito ao Galli, às empresas que formaram o Grupo de Apoio à Matonense (GAM), às empresas parceiras de outrora, aos apoiadores da Matonense, funcionários, colaboradores, Secretaria Municipal de Esportes, Lazer, Turismo e Juventude e outros setores da Prefeitura de Matão, aos torcedores da Garra Azul que gentilmente se manifestaram para a minha permanência na Matonense, bem como a outros torcedores conscientes.
Existem torcedores que criticam bastante.
Vixe! E como tem! Existem torcedores que pensam que eu e o Galli temos a obrigação de subir o time um ano após o outro. Tem quem chega no Estádio ‘Dr. Hudson Buck Ferreira’ já xingando jogadores, comissão técnica, nós... Gostaríamos muito que a Matonense subisse um ano após o outro e ficasse vários anos na elite do futebol paulista e brasileiro. Mas o futebol tem muitas situações variáveis e não existe uma cláusula que garanta o sucesso sempre. Futebol nunca será ciência exata.
Já são 28 anos como empresário de futebol
Pedrão conquistou quatro títulos e sete acessos
Pedro Leonardo Filho (Pedrão) começou a jogar futebol como atacante na Ferroviária em 1982. Jogou no Paraná pela Platinense e pelo Grêmio Maringá, voltando para o time de Araraquara. Fraturou a perna e parou de jogar em 1990, mas se recuperou neste mesmo ano e passou a jogar futsal por times de Araraquara e outras equipes de São Paulo (capital), culminando em atuar ao lado do craque Falcão no Mackenzie, seu último time, em 1995. Ainda atleta, começou a ser empresário de jogadores em 1994.
Neste segmento, ajudou a Matonense a conquistar os acessos e os títulos de 1996 (A-3) e 1997 (A-2). No segundo semestre de 1997, ele, o saudoso técnico Luiz Carlos Ferreira e 14 jogadores foram transferidos da Matonense para o São Caetano, onde Pedrão atuou como gerente de Futebol, conquistando o título Paulista da A-3 e o vice-campeonato Brasileiro do mesmo ano, ambos em 1998, ano em que foi montar elenco para o Guarani de Campinas em 1998 e 1999.
Em 2000, trouxe jogadores do Guarani para a Matonense – base que fez o time realizar sua melhor campanha naquele ano entre todas as cinco edições da A-1 que disputou de 1998 a 2002. Voltou para a Matonense em 2013, foi campeão da Bezinha (equivalente à Quarta Divisão Paulista) e, em 2014, contribuiu para o time subir da A-3 para a A-2 como vice-campeão. No ano passado, formou a equipe que foi vice-campeã da Bezinha, conseguindo acesso para a A-3.
Considerando Matonense e São Caetano, são quatro títulos (portanto, quatro acessos) e três vice-campeonatos (outros três acessos), totalizando sete acessos de divisões, dos quais seis no Paulista e um no Brasileiro. Dos jogadores que trabalharam com Pedrão e Galli na Matonense, três chegaram a atuar pela Seleção Brasileira: o lateral Zé Carlos (Copa do Mundo de 1998), o lateral Baiano e o atacante Grafite.
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