ARTIGO: Transtorno Obsessivo-Compulsivo
POR MARIA SYLVIA GABRIEL
Do acervo · publicada originalmente em 30 de maio de 2022
Fonte: Maria Sylvia Gabriel, psicóloga, postado por Natali Galvão
Foto: Divulgação
Acervo · 2022O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é um transtorno de ansiedade, caracterizado pela presença de obsessões e/ou compulsões. Quem sofre deste transtorno apresenta eventos mentais, como pensamentos, ideias, impulsos e imagens, vivenciados como intrusivos e incômodos, nomeados como obsessões. Como produtos mentais, as obsessões podem ser criadas a partir de qualquer substrato da mente, como palavras, medos, preocupações, memórias, imagens, músicas ou cenas.
As compulsões são definidas como comportamentos e atos mentais repetitivos, realizados para diminuir o incômodo ou a ansiedade causados pelas obsessões ou para evitar que uma situação temida venha a ocorrer (muitas vezes esta situação temida pode ser inconsciente). Vale ressaltar que não existem limites para a variedade possível das obsessões e das compulsões.
No Transtorno Obsessivo-Compulsivo, os sintomas são egodistônicos, ou seja, os pensamentos, comportamentos, sonhos, impulsos, compulsões e desejos, entre outras manifestações, estão em conflitos ou dissonantes com as necessidades ou objetivos do ego (eu), ou ainda em conflito com a autoimagem ideal de uma pessoa.
Para o diagnóstico do TOC é necessário que as obsessões e/ou as compulsões causem interferência ou limitação nas atividades do sujeito, que consumam tempo e causem sofrimento ou incômodo ao paciente ou a seus familiares. Sujeitos com esta patologia poderão encontrar dificuldades de relacionamentos, no trabalho e também escolar. Somente psicólogos ou psiquiatras poderão realizar o diagnóstico.
O TOC é mais prevalente em algumas idades, sendo mais comum o aparecimento dos primeiros sintomas no final da adolescência. Algumas vezes pode iniciar-se na infância, mas dificilmente após os 40 anos. Quando o TOC se inicia na infância ou adolescência, manifesta-se mais no sexo masculino do que no feminino, porém, quando se manifesta após a adolescência, acomete mais as mulheres.
No que se refere ao TOC, este tende a ser um quadro secreto, em função da habitual preservação da crítica e consequente vergonha do portador em relação aos sintomas. Alguns indivíduos sequer sabem que se trata de uma condição médica tratável e muitos procuram ocultar os sintomas, mesmo de familiares próximos. Outros temem que ao falar de seus medos, eles de fato se realizem.
Muitas pessoas procuram tratamento para problemas emocionais, mas não para os sintomas obsessivos-compulsivos, e sim para ansiedade, estresse, sintomas depressivos, uso de substâncias ou problemas de relacionamento, deixando assim o TOC ‘de lado’.
Sabe-se que pessoas com TOC podem apresentar comorbidades em seu quadro clínico, ou até mesmo podem estar passando por momentos ‘delicados’, piorando seus sintomas obsessivos-compulsivos. Esconder estes sintomas por vergonha é um péssimo caminho. Quanto mais se adia o tratamento, mais grave fica a doença.
Comentários
Ninguém comentou ainda. O primeiro comentário pode ser o seu.








