ARTIGO: Combate ao abuso e exploração sexual infantil
POR GUILHERME FRANCO
Do acervo · publicada originalmente em 30 de maio de 2022
Fonte: Guilherme Athayde Ribeiro Franco, promotor de Justiça em Campinas, especialista em Dependência Química pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), postado por Natali Galvão
Foto: Divulgação
Acervo · 202218 de maio é o Dia Nacional de Combate ao Abuso e a Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes. A data é alusiva à morte de uma garotinha capixaba, na Década de 1970, que teria sido drogada, abusada sexualmente, assassinada, tendo depois seu corpo queimado. Na ocasião, a perícia teria detectado a presença de cocaína no corpo da vítima.
Cocaína - tanto quanto hoje - não é uma substância barata. Naquela época, era bem mais restrito o círculo de consumidores. Por isso, a linha correta de investigação levou a Polícia Civil a jovens bem-nascidos como prováveis autores dos crimes.
Infelizmente, ninguém foi punido.
A história se repete a cada instante e em diversos locais do país. Álcool e outras drogas costumam dividir a cena com os abusos sexuais.
Preocupante sobremodo se os cigarros eletrônicos - pendrives viciantes com sabor e cheiro de infância, que podem ser carregados com qualquer tipo de substância no e-juice - forem liberados no país. Crianças e adolescentes são facilmente fisgados para o consumo de cigarros eletrônicos. Afinal, que mal pode fazer uma pendrive que produz cheiro de sorveteria em uma tarde de domingo?
Nesse quadro, não é difícil imaginar o doping para a prática criminosa, tendo como alvo até bebês de colo. Uma macabra avenida de fumaça com cheiro de morango a encobrir pedófilos está prestes a se abrir, se a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revogar a proibição do comércio de cigarros eletrônicos, que vigora há anos, por meio da salvadora RDC 46/2009.
Nos tempos bíblicos, bebês eram dados até por suas próprias mães como sacrifício a divindades. Uma mistura de cheiro de corpinhos queimados com diversos aromas de ervas servia para agradar os deuses.
Mamon e Cia. têm apetite insaciável. Só muda um pouco a receita.
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