Alimentos do campo para o consumidor
Após participarem da Feira do Produtor Rural, algumas famílias prosperaram e abriram seu próprio negócio
Do acervo · publicada originalmente em 10 de maio de 2022
Fonte: Eliana Saraiva com informações da Assessoria de Imprensa da Prefeitura, postado por Natali Galvão
· Leitura de 6 min
Foto: Eliana Saraiva
Acervo · 2022A agricultura familiar é uma prática desenvolvida em pequenas propriedades rurais por famílias de pequenos agricultores, cuja colheita dos alimentos é aproveitada por elas e, ainda, para o consumo de parte da população. Além de ser uma atividade importante para o sustento de diversas famílias que vivem na zona rural, dados apontam que cerca de 70% dos alimentos consumidos no Brasil são frutos da agricultura familiar.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a agricultura familiar está presente em quase 85% das propriedades rurais do país. No tocante à participação na produção e nas vendas da agroindústria rural, a agricultura familiar responde por percentuais significativos: 81,0% na região Norte; 37,6% no Nordeste; 33,8% no Sudeste; 55,6% no Sul; e 12,5% no Centro-Oeste. Matão está inserida neste cenário produtivo, ou seja, o município e seu entorno contam com muitos produtores rurais, em particular no distrito de São Lourenço do Turvo, no bairro de Silvania e em assentamentos rurais.
Os familiares do produtor Osmar Pinotti, proprietário do Sítio Floresta (no Turvo), trabalharam por muitos anos para abastecer barracões de frutas e, também, levar mercadorias para serem comercializadas no Centro Estadual de Abastecimento (Ceasa) em São Paulo. “Num período não muito distante também trabalhamos levando nossos produtos diretamente ao consumidor final em feiras de agricultores em Araraquara e, ainda, comercializávamos em portas de empresas como a Lupo (Araraquara), Confecções Elite e Marchesan Implementos Agrícolas”, conta Vânia Pinotti Margutti, filha de Osmar.
Vânia também cita a participação na Feira do Produtor Rural de Matão durante três anos. Para a família Pinotti foi um período interessante, pois essa feira oferece espaço para que o agricultor exponha e comercialize seus produtos. A realidade para a família Pinotti se modificou em 2015 com a decisão de alugar um imóvel em Matão e implantar o Atacadinho da Roça, cujos principais produtos comercializados são laranja, mandioca, limão, manga, tangerina, goiaba, abacate e hortifrutis em geral. Outros itens também são oferecidos ao consumidor final para atender a demanda, como sucos, produtos de mercearia, queijaria, bebidas, dentre outros.
O Atacadinho da Roça é administrado por Vânia Pinotti Marguti, Adriana Thomé Pinotti e Jorge Luís Marguti. Segundo eles, a agricultura familiar é trabalhosa, porém, gratificante. “Antigamente, tínhamos mais facilidade para produzir porque não existiam tantas pragas como hoje. Atualmente, o agronegócio é vantajoso, porém, está muito difícil para se produzir por conta os insumos agrícolas, como fertilizantes, sementes, tratores, defensivos agrícolas, dentre outros produtos, os quais estão cada vez mais caros por conta do dólar”, declaram.
BENEFÍCIOS
A agricultura familiar apresenta muitos benefícios. Dentre eles estão:
- Fomenta políticas públicas: Os pequenos agricultores contribuem significativamente com o desenvolvimento econômico do país. Por isso, o governo lhes oferece benefícios que podem partir das esferas municipal, estadual ou federal.
- Gera empregos e renda: A agricultura familiar estimula o desenvolvimento de regiões afastadas dos centros urbanos, garante a renda de inúmeras famílias rurais e gera empregos, o que contribui com a redução do êxodo rural.
- Preserva a tradição cultural: A agricultura familiar preserva a tradição cultural por produzir alimentos típicos da região e preserva hábitos alimentares, ou seja, a forma como os alimentos são selecionados e consumidos.
- Segue práticas sustentáveis: Outra grande vantagem é o respeito ao meio ambiente, principalmente pelo baixo impacto ambiental. A produção em pequena escala possibilita a implantação de sistemas produtivos eficientes com uso de energia renovável.
- Diversifica os alimentos: A agricultura natural garante alimentos diversificados e com diferencial competitivo, mesmo com a produção em baixa escala. A oferta de produtos se dá de forma regular, originados da fruticultura ou da horticultura, independentemente da época do ano.
- Produz alimentos de qualidade: Os agricultores familiares se fundamentam na sustentabilidade da produção, com o mínimo de agroquímicos e adotando o sistema orgânico de produção. Com isso, os alimentos são mais saudáveis e com alto valor nutricional quando comparados aos produzidos em grande escala.
PROJETO INICIAL
O projeto de criação da Feira do Produtor Rural se deu por iniciativa da então vereadora Carla Abu Kamel, que muito se empenhou para viabilizar a proposta em Matão. “Aos moldes da Feirinha do Bosque, nossa intenção foi expandir uma feira semelhante para outros locais da cidade. Mediante uma pesquisa que fizemos à época, na área rural, constatamos que existiam muitas famílias de agricultores que cultivavam uma grande diversidade de produtos, mas que tinham dificuldades para comercialização. Visitamos as propriedades e realizamos várias reuniões com estas famílias até conseguirmos uma quantidade expressiva de interessados que nos incentivaram a tocar o projeto adiante”, relembra Carla.
“Além de aumentar a renda destas famílias de agricultores, a Feira do Produtor Rural possibilitou que a população também tivesse mais uma opção para fazer suas compras, levando para casa produtos frescos, de qualidade e com preços atrativos. Inicialmente, cerca de 60 famílias de agricultores aderiram ao projeto, ao qual tenho muito orgulho de ter sido a idealizadora. Na época, contamos com o apoio do ex-prefeito Chico Dumont, que não mediu esforços para a implantação; do então secretário de Desenvolvimento Econômico, Willian Di Gaetano Bassi; do diretor da Casa da Agricultura ‘Paulino Rossi’, Luiz Manhani; do pessoal da fiscalização, enfim, de todos aqueles que estiveram envolvidos neste projeto, que atende produtores e a população em geral”, finaliza Carla.
Feira poderá ter novidades
Prefeitura estuda atrativos para aumentar o público consumidor
Além de maior variedade em verduras, legumes e frutas na Feira do Produtor Rural – que acontece às quartas-feiras, a partir das 15 horas, no estacionamento do Ginásio de Esportes ‘Décimo Chiozzini’ –, a Prefeitura de Matão incentiva a participação de feirantes com novas bancas que comercializem doces artesanais em compotas; salgados e polpa de frutas; pão e bolos caseiros; plantas denominadas ‘suculentas’; flores e mudas; com possibilidade da ‘pechincha’ nos preços, como estratégia para aumentar a oferta e assim atrair e cativar o consumidor matonense.
Criada em 2015 durante o governo do então prefeito Chico Dumont (Lei nº 149/2015, de autoria da então vereadora Carla Abu Kamel), a Feira do Produtor Rural objetiva auxiliar os pequenos produtores matonenses, assentados em programas de reforma agrária ou proprietários de imóveis rurais a escoarem a produção de alimentos hortifrutigranjeiros, gêneros agroindustriais, produtos derivados do leite e da industrialização artesanal, artigos de artesanato, cultura e lazer, dentre outros produtos.
“Por trás da produção de hortifrutigranjeiros há também o trabalho árduo de pequenos produtores rurais do município para a comercialização, estimulando a população a prestigiar a Feira. Por isso é importante que os produtores continuem a oferecer produtos de qualidade e bons preços. Além disso, é muito prazeroso comprar ao ar livre. Assim, a tendência é de que a Feira não apenas permaneça, com o passar do tempo, mas também evolua em seu formato para crescer em oferta e em público”, avaliou o prefeito Cido Ferrari.
De acordo com o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico, Luiz Gonzaga Bussola, a fidelidade dos clientes à Feira é muito importante. “Contamos com as pessoas físicas e jurídicas, donos de restaurantes, ‘marmitarias’ e lanchonetes que escolhem comprar na ‘Feira’, para que assim possamos fazer girar a economia sustentável”, reforçou. Para Luiz Manhani, engenheiro agrônomo responsável pela Casa da Agricultura ‘Paulino Rossi’, a Feira tem importância especial porque segue um modelo de política pública preocupada também com o pequeno produtor. “O Projeto de Lei que criou a Feira determina que somente produtos hortifrutigranjeiros e outros alimentos artesanais possam ser comercializados, além de primar pela qualidade de tudo o que é ofertado”, salientou Manhani.
Mais informações podem ser obtidas em contato com a Casa da Agricultura ‘Paulino Rossi’ (Avenida 15 de Novembro, nº 320, Centro) pelos telefones 3382-4076 e 3382-1213.
Comentários
Ninguém comentou ainda. O primeiro comentário pode ser o seu.












