Hospital de Matão adere à campanha 'Chega de Silêncio'
Ato com um abraço simbólico acontece às 16h30 desta terça-feira (19), na antiga fachada do Hospital
Do acervo · publicada originalmente em 19 de abril de 2022
Fonte: Hospital Carlos Fernando Malzoni, postado por Natali Galvão
Foto: Divulgação
Acervo · 2022Nesta terça-feira (19), a Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos (CMB) realiza, em todo o Brasil, a campanha 'Chega de Silêncio', que expõe a grave crise financeira enfrentada pela maior rede hospitalar do SUS (Sistema Único de Saúde). No total, 1.824 instituições filantrópicas brasileiras unem-se para alertar a sociedade sobre o problema e pedir ajuda para sobreviverem.
O Hospital de Matão, a Santa Casa de Araraquara e a Santa Casa de São Carlos participam da campanha promovendo um ato com um abraço simbólico. Em Matão, o ato está marcado para as 16h30, na antiga fachada do Hospital. De acordo com a definição do dicionário, abraço é "a ação de envolver algo ou alguém com os braços, mantendo essa pessoa ou coisa próxima ao peito; amplexo". Mas também é "a demonstração de carinho, de amor, de afeto ou de amizade, geralmente feita após uma mensagem verbal ou escrita: um enorme abraço".
“Será um gesto de demonstração de reconhecimento da importância dos serviços de saúde prestados a todos, de respeito e afeto para com os profissionais que se dedicam a salvar vidas e, principalmente, de reflexão de que cada um de nós tem sua responsabilidade para a manutenção e sobrevivência desses hospitais que representam cerca de 60% do atendimento ao SUS no Brasil”, destaca Rogério Bartkevicius, diretor geral da Santa Casa de Araraquara.
A mobilização tem como objetivo o pedido de socorro e de recursos para a sobrevivência e a manutenção dos atendimentos. O subfinanciamento é a remuneração dos serviços SUS abaixo do custo, e é a principal causa da crise e do endividamento dessas instituições. Desde o início do plano real, em 1994, a tabela SUS foi reajustada em 93,77%, enquanto o INPC (Índice de Preços ao Consumidor) foi de 636,07%; o salário mínimo, 1597,79%; e o gás de cozinha, 2.415,94%. “Este descompasso brutal representa R$ 10,9 bilhões por ano de desiquilíbrio econômico e financeiro na prestação de serviço ao SUS, de todo o segmento. Dessa forma, se não houver políticas imediatas consistentes, de sustentabilidade para esses hospitais, dificilmente nossas portas se manterão abertas e a desassistência à população é fatal”, afirma o presidente da CMB.
Rogério Bartkevicius explica que a crise que a Santa Casa de Araraquara atravessa é exclusivamente financeira. “Essa questão com o SUS é um problema da saúde pública e que impacta a maioria das Santas Casas do País”. De acordo com ele, a pandemia da covid-19 agravou ainda mais a situação, somada a fatores como a alta nos custos de insumos hospitalares. “O gasto mensal com medicamentos e materiais médicos aumentou, respectivamente, em média, 45% e 65% em relação aos valores praticados antes da pandemia. Os anestésicos para a realização de cirurgias, que antes eram adquiridos por R$ 1,5 a unidade, hoje custa R$ 289,00”, ressalta Rogério.
A Santa Casa de São Carlos acumula um déficit econômico e financeiro nas suas operações SUS de aproximadamente 2 milhões de reais por mês. “Atendemos cerca de 400 mil habitantes de São Carlos e outras 5 cidades (Porto Ferreira, Descalvado, Dourado, Ibaté e Ribeirão Bonito). São pacientes que dependem dos serviços prestados pela Santa Casa, que é um hospital privado e filantrópico. Sem a destinação de recursos, como ficará a situação dessas pessoas atualmente atendidas aqui?”, destaca o provedor da Santa Casa de São Carlos, Antônio Valério Morillas Júnior.
O Hospital de Matão também enfrenta dificuldades financeiras devido ao subfinanciamento da tabela SUS. Por exemplo: o SUS paga R$ 37,95 por uma ultrassonografia, R$ 10,00 por uma consulta médica e R$ 4,11 por um hemograma completo, valores muito abaixo do que os hospitais gastam na realidade. A pandemia também impactou o Hospital com o aumento do uso de medicamentos e insumos hospitalares. Os preços de insumos e medicamentos dispararam: bloqueadores neuromusculares (Cisatracúrio 10mg) tiveram um aumento de 348%, o Midazolam 50mg (hipnótico) aumentou 868%, dentre outros.
O agravamento da crise no Hospital de Matão só não foi maior porque a sociedade, empresas e instituições se mobilizaram para ajudar. Outro fator relevante é a existência de um plano de saúde estável, o HSAÚDE, que consegue amenizar o grande rombo causado pelos atendimentos SUS.
Para Denise Minelli, superintendente do Hospital Carlos Fernando Malzoni, “sem os nossos hospitais, a saúde da população da região ficará extremamente comprometida. Para que continuemos sendo o principal parceiro do SUS, precisamos da atualização urgente da tabela de remuneração”.
O subfinanciamento do SUS é um problema de saúde pública que causou, nos últimos seis anos, o fechamento de 315 hospitais e o fechamento de mais de 7.000 leitos. O objetivo desse abraço simbólico é sensibilizar toda a sociedade para que apoie essas instituições que cuidam e salvam vidas e que precisam ter sustentabilidade econômica e financeira para continuar a oferecer serviços de saúde aos usuários do SUS.
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