Área de cultivo de amendoim cresce na região
Érica Vignoli cultiva a leguminosa em uma área total de 180 alqueires
Do acervo · publicada originalmente em 12 de abril de 2022
Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão
· Leitura de 7 min
Foto: Rogério Bordignon
Acervo · 2022Em setembro de 2021, Érica Vignoli passou a se dedicar também ao cultivo do amendoim no Sítio São Pedro, no distrito matonense de São Lourenço do Turvo. Sequentemente, a produção aumentou para outras quatro propriedades, todas arrendadas nos municípios de Tabatinga, Nova Europa, Gavião Peixoto e Boa Esperança do Sul, perfazendo um total de 180 alqueires, nos quais também há soja. Seu pai, João Braz Vignoli, é pecuarista criador de gado das raças Angus e Nelore. No entanto, o que chamou a atenção da reportagem da revista A Comarca - Agro foi a dedicação dela ao cultivo de amendoim, decisão acentuada desde meados do ano passado.
“Pesquisei bastante, conversei com amigos produtores e também com o diretor geral da Agrofito, Francisco Ricardo de Toledo (Chicão). Mas a decisão foi tomada mesmo com ‘a cara e a coragem’, pois é necessário investir em maquinário específico para produzir e colher amendoim”, diz Érica, informando que são 130 dias do início do plantio até a colheita. Ela afirma que sua produção é comercializada com empresas da região, sendo que 60% da sua atual safra será destinada à exportação para o mercado europeu e os outros 40% serão remetidos para consumo no mercado nacional.
“De uns três anos para cá, quem arrenda sua terra está dando preferência ao cultivador de amendoim, justamente por conseguir uma renda maior do que a paga pelo plantio de outras culturas comuns à nossa região. A renda ao produtor de amendoim também se mostra maior há alguns anos”, cita. “A decisão de plantar amendoim não foi tomada antes porque foi necessário ter uma preparação financeira para adquirir o maquinário específico”, completa a agricultora, lembrando que a leguminosa exige mais cuidados ao seu trato do que a soja e outras culturas. “Enquanto a soja permite o plantio direto, o amendoim exige solo preparado e atenção maior no controle fitossanitário. Até dez aplicações de fungicidas e inseticidas podem ser feitas. No entanto, na conta final, compensa plantar e colher amendoim”, conclui.
Érica relata que foi feita a opção por usar o seguro agrícola devido a todo suporte dado ao produtor caso ocorra algum tipo de perda inesperada, como as provocadas por intempéries climáticas. “O amendoim entra na rotação da cana, o que traz muitos benefícios a esta cultura, pois propicia a fixação biológica de nitrogênio no solo. Com isso, o produtor reduz os custos com nitrogênio”, afirma a agricultora. Rico em gorduras boas, o amendoim tem alto teor de proteínas, é fonte de zinco, ácido fólico, fósforo e potássio e contém vitaminas B e E.
EM PLENA EXPANSÃO
O engenheiro agrônomo Francisco Ricardo de Toledo (Chicão), diretor geral da Agrofito, confirma a plena expansão do cultivo de amendoim, sobretudo nos últimos dez anos. Chicão se baseia em dados que constam em um amplo estudo realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e divulgado no ano passado. “A principal cultura paulista é a cana-de-açúcar, que é semiperene, ficando no solo de cinco a sete anos. Após este período, é necessário fazer a rotação com a lavoura de alguma planta leguminosa, como soja, amendoim, crotolária”, diz o agrônomo, completando que o amendoim não exige um solo muito fértil, representando economia ao produtor rural, que não precisa investir tanto em fertilizantes.
“Dessa forma, na rotação da cana, a maioria dos produtores prefere cultivar amendoim, arrendando terras para isso. E muitos produtores de cana também aderiram ao amendoim para aumentar sua renda, devido ao custo de produção da cana-de-açúcar ter se elevado”, conta Chicão, relatando que o amendoim é uma cultura nômade e que o plantio desta leguminosa não é recomendado por mais do que dois anos seguidos na mesma área por causa da incidência de doenças. Segundo dados da Fiesp, em 2020, o Brasil produziu 254 mil toneladas de grãos de amendoim, sendo que, deste total, 139 mil toneladas são destinadas à indústria de esmagamento para a produção de óleo. Do óleo extraído destas 139 mil toneladas, 90% é exportado. O farelo resultante deste esmagamento é usado como proteína para ração animal.
“A receita do Brasil com exportação de amendoim em 2020 foi de US$ 443 milhões, valor três vezes maior do que o registrado em 2011, de US$ 130 milhões, segundo o levantamento da Fiesp”, aponta Chicão. “Em 2020, o estado de São Paulo exportou US$ 427,8 milhões, o que representa 97% do total de exportações brasileiras de amendoim”, completa. Também de acordo com os dados da entidade, cada brasileiro consome em média 1,1 quilo de amendoim por ano, enquanto o consumo médio de cada habitante do planeta é de 6 quilos por ano e o consumo chinês atinge a 12,8 quilos por cada habitante anualmente. Segundo a Fiesp, o Brasil é o quinto maior exportador de amendoim, atrás de Índia, Estados Unidos, Argentina e China.
A safra paulista de 2019/2020 tomou 154,1 hectares. Já na safra 2020/2021, o estado cultivou 170,5 hectares, um acréscimo de 10,6% em área plantada de amendoim. “Estes dados sobre área plantada foram apresentados pelo Instituto de Economia Agrícola do Estado de São Paulo (IEA-SP). Num raio de 130 quilômetros a partir de Matão, temos como principais municípios exportadores Borborema, Jaboticabal, Catanduva, Sertãozinho, Ribeirão Preto, Taquaritinga, Dumont e Novo Horizonte. Outros municípios que concentram exportações de amendoim no território paulista são Tupã, São Paulo, Pompeia, Herculândia, Paraguaçu Paulista, Marília e Quintana”, registra Chicão, referindo-se ao estudo da Fiesp.
PERFIL
Érica Vignoli nasceu em Itápolis, no dia 5 de janeiro de 1989. Filha caçula de João Braz Vignoli e de Therezinha Marconi Vignoli, ela é irmã de Patrícia e Sara. Morou em Itápolis até janeiro de 2021, quando passou a residir no distrito matonense de São Lourenço do Turvo. Se formou em Nutrição no final de 2011, na União das Instituições Educacionais de São Paulo (Uniesp - Campus de Taquaritinga), começando a desempenhar sua profissão na multinacional GRSA, onde atua até hoje.
Guerra suspende exportações
De acordo com matéria de Paula Salati publicada no site G1 da Rede Globo, no último dia 2 de março, a guerra iniciada pela Rússia na Ucrânia não preocupa o agronegócio apenas pela dependência de fertilizantes. Ela começou também a impactar nas exportações e um dos produtos afetados foi o amendoim do Brasil. Os dois países do leste europeu são os destinos de quase metade deste produto brasileiro que vai para o exterior, sendo que no ano passado geraram para empresas daqui cerca de US$ 344 milhões em vendas. Os russos pagaram por 37,6% desse valor e a Ucrânia, 8,71%, de acordo com dados do Ministério da Agricultura.
“O amendoim estava em processo de embarque para a Rússia e Ucrânia, mas, com o início da guerra, o exportador segurou a carga”, disse o presidente da Câmara Setorial do Amendoim do Governo de São Paulo, Luiz Antônio Vizeu, para o G1. Os militares da Ucrânia fecharam os portos logo após a invasão russa no dia 24 de fevereiro e empresas de transporte marítimo suspenderam o deslocamento de contêineres para a Rússia, após sanções ocidentais impostas a este país.
No Brasil, a maior parte do amendoim sai pelo Porto de Santos e uma fatia pequena por Paranaguá, no Paraná. Apesar da sua importância no comércio com esses dois países, o amendoim não está nem entre os dez produtos mais exportados pelo Brasil. O valor da sua venda externa representa somente 1% do que o país embarca de soja, por exemplo. Metade de todo o amendoim produzido no Brasil é exportado e o restante fica no mercado interno.
Até o ano passado, a leguminosa passava por um bom momento no mercado de grãos. O preço da saca de amendoim em 2020 era negociado, em média, a R$ 84,78 no país, valor que subiu para R$ 96,52 em 2021, mas que recuou a um patamar entre R$ 65,00 e R$ 70,00 neste ano, devido ao aumento da oferta. Um dos temores dos produtores é de que o conflito possa desvalorizar ainda mais a cotação. Além disso, as empresas que já fecharam contrato estão com receio de não serem pagas por causa de sanções, como as que bloquearam dinheiro de russos em bancos internacionais. Segundo a matéria, o G1 procurou a Associação Brasileira das Indústrias de Chocolates, Cacau e Amendoim (Abicab), que preferiu não comentar os impactos da guerra.
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