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Cultura e Variedades

DINHEIRO & VOCÊ: Maus investimentos existem aos montes. Como identificá-los?

POR MAZINHA CICOGNA

Do acervo · publicada originalmente em 19 de fevereiro de 2022

Fonte: Mazinha Cicogna, postado por Natali Galvão

Foto: Acervo A Comarca

DINHEIRO & VOCÊ: Maus investimentos existem aos montes. Como identificá-los?Acervo · 2022
DINHEIRO & VOCÊ: Maus investimentos existem aos montes. Como identificá-los?

Existem investimentos ruins, assim como existem produtos de baixa qualidade. Há, entretanto, duas diferenças importantes entre os investimentos e os produtos que compramos. A primeira é que quando você está decidindo se vai comprar um produto e nota que ele está quebrado, imediatamente você o devolve e pede outro; com investimentos, essa identificação não é imediata. A segunda diferença importante é que se um investimento foi bom no passado, ele não necessariamente será no futuro.

Para evitar investimentos ruins, minha principal dica é: compare a rentabilidade passada do investimento que você pretende fazer com a taxa de juros Selic. Se o investimento tiver risco, mesmo que baixo, ele deve te oferecer rentabilidade maior do que a taxa Selic.

A segunda dica é: existem investimentos que são reconhecidamente ruins por quem trabalha no mercado financeiro e os bancos adoram vender esses produtos para seus clientes. Vou falar de três produtos, mas para todos os investimentos devemos ser criteriosos.

O primeiro deles são os CDBs com taxa de juros menor do que 100% CDI. Se esse for o caso do CDB do seu banco, resgate e invista no Tesouro Selic.

O segundo investimento ruim são os Títulos de Capitalização vendidos por bancos e por outras empresas. Os Títulos de Capitalização são oferecidos com diversos nomes para disfarçar esse produto péssimo, mas todos funcionam de forma parecida: você faz um depósito único (ou compra o título), ou faz aportes mensais (que o banco pega direto da sua conta). Além disso, o dinheiro aplicado não pode ser resgatado antes do vencimento e, no vencimento, você recebe o total depositado sem correção nenhuma ou corrigido por uma taxa de juros muito baixa. Se você resgatar antes do vencimento, você recebe menos do que o total depositado. Você não leu errado: se mantiver o dinheiro aplicado no Título de Capitalização até o vencimento, você não recebe praticamente nada de juros.

Para conseguir vender esse produto financeiro muito ruim, os principais argumentos são de que os Títulos de Capitalização são uma forma de fazer uma poupança forçada e que há possibilidade de ganhar prêmios em dinheiro. Vamos por partes. Se você quiser fazer poupança forçada, abra uma conta poupança e programe um depósito fixo todo mês; dessa forma, pode resgatar seu dinheiro quando quiser e vai receber mais juros do que no Título de Capitalização. Quanto aos prêmios, se você jogar na loteria da Caixa Econômica Federal toda semana é mais barato e o prêmio é bem maior. Então, quando te oferecerem um investimento no banco pergunte: “É um Título de Capitalização?”. Se a resposta for “sim”, recuse.

Por fim, o terceiro produto financeiro ruim é chamado de Fundo Simples, um fundo de investimento em renda fixa que tem quase todo (senão todo) o investimento em Tesouro Selic. Os Fundos Simples recebem esse nome porque não há exigência de valor mínimo, nem de avaliação do nível de risco aceitável pelo investidor. Era para ser um fundo de investimento simples e barato, porém, não é isso que ocorre na prática, o que deixa sua rentabilidade bem abaixo do Tesouro Selic. Então, ao invés de investir em um Fundo Simples, compre o título do Tesouro Selic você mesmo.

Como sempre digo, espero que esta coluna e as passadas tenham ajudado a pensar nas suas finanças e, com isso, a tomar melhores decisões. Esta é a última coluna dessa primeira etapa. Como sou professora e as aulas presenciais serão retomadas (ainda bem!), precisarei fazer uma pausa nas nossas conversas financeiras. Voltarei nas próximas férias de verão. Até lá!

Em caso de sugestões e/ou comentários sobre a coluna, envie e-mail para: dinheiroevoce@comarcanet.com.br. Muito obrigada!

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