Artigo: Uma Matão com medo se reuniu na Câmara
POR ROGÉRIO BORDIGNON
Do acervo · publicada originalmente em 14 de fevereiro de 2022
Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão
· Leitura de 4 min
Foto: Rogério Bordignon
Acervo · 2022Na noite da terça-feira (8), a Câmara Municipal sediou uma Audiência Pública sobre o tema Segurança Pública, encontro solicitado pelo vereador Paulo Augusto Bernardi para a presidente da Casa Legislativa, Ana Maria Freire da Silva Mondini. Vereadores, representantes da Prefeitura, das Polícias Militar e Civil, diversas lideranças de entidades matonenses e cidadãos se reuniram para discutir sobre um problema que jamais teve essa dimensão atingida, tampouco preocupou tanto as pessoas em nosso município.
Além de Ana e Paulo, estiveram na Mesa Diretora: Alfredo Gagliano Júnior (delegado titular de Polícia Civil), Israel de Oliveira Pigossi (1º tenente da Polícia Militar, que assumiu o comando da 4ª Companhia no último dia 7, substituindo ao capitão Rodrigo Adriano Lopes, por este se dedicar à preparação para tentar promoção a major), Wanderley Rinco (diretor da Guarda Municipal) e Willian Di Gaetano Bassi (secretário municipal de Administração, Fazenda e Controle Interno).
A Câmara foi caixa de ressonância convergente ao amedrontador período que nossa população vive, provocado por insegurança, sobretudo relacionada a furtos e roubos. Um surto destas criminalidades se dissipa e cresce desde meados do ano passado, com ápice no último mês de janeiro, quadro mantido exceto se o mês de fevereiro o superar – possibilidade que os cidadãos de bem não querem, obviamente.
O mosaico das palavras lamentosas daquela noite formou um texto que pessoas minimamente instruídas e informadas têm há tempos sobre a segurança pública em Matão: déficit do efetivo humano na Polícia Militar; déficit da quantidade de funcionários, veículos e de equipamentos da Polícia Civil; falta de maior contingente humano na Guarda Municipal; defasagem salarial e de outros encargos financeiros nas Polícias Militar e Civil; falta de videomonitoramento em Matão etc.
São em maior quantidade os entraves enfrentados pelas forças da segurança pública em nosso município ou em qualquer outra aldeia do Brasil, a começar por entrelinhas no Código Civil e na Constituição Federal, que tolheram tantas atuações de agentes que zelam por nossa segurança e se tornaram anteparos legais para impunidade a criminosos em qualquer outro rincão.
Dá até saudade do tempo em que eu e amigos, indo para aulas na Escola Municipal ‘Adelino Bordignon’, vimos oito Opalas desfilando por ruas e avenidas de Matão, tratando-se de viaturas que o Governo do Estado tinha destinado ao uso da 4ª Companhia da Polícia Militar em 1989, governo do saudoso ex-prefeito João Fecchio (1989-1992). Saudade de uma Matão muito mais segura, que não deixava seus moradores com medo; de um tempo em que a bandidagem – desorganizada! – era quem tinha medo.
Há esforços incontáveis e dignos de honras por parte de policiais militares e civis, bem como de guardas municipais. A Prefeitura apoia para tentar suprir com material humano, equipamentos, parcerias com a PM e com a Civil, assim como colabora com outras formas legais ao nosso aparato de segurança pública. Há o anúncio de mais apoio da Prefeitura, sobretudo quanto à Atividade Delegada e ao videomonitoramento.
Desde o segundo mandato do saudoso ex-prefeito Jayme Gimenez (2001-2004) – ou seja, há uns 20 anos! –, o Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio-Matão), a Polícia Militar e anos depois o Conselho Comunitário de Segurança Pública (Conseg) tentam, sem colher frutos, a instalação do sistema de videomonitoramento em Matão. Há também – por igual ou maior período de duas décadas – o vaivém das reclamações quanto o direito sagrado ao sossego público.
O medo e a indignação habitam cabeças de pessoas de bem! Que joça que tudo isso se tornou!
Sabe-se que deputados estaduais como Maria Izabel Azevedo Noronha (Professora Bebel) e federais como Luiz Felipe Tenuto Rossi (Baleia Rossi) tentam nos apoiar para que voltemos a ter investimentos satisfatórios na segurança pública. O Governo do Estado, recentemente, deu duas viaturas para nosso Patrulhamento Rural, é verdade, mas precisamos de mais.
Pedidos também são feitos por vereadores. Paulo Bernardi e outros legisladores querem a atenção de qualquer deputado estadual ou federal que teve mais de 100 votos em Matão nas Eleições de 2018 para que apoiem nosso município de alguma forma. Ana Mondini busca apoio estadual ou federal também, tendo como principal busca a instalação do ‘Detecta’ em Matão.
Na citada Audiência Pública, a Loja Maçônica ‘Terra da Saudade’ pediu para Ana Mondini o encaminhamento ao Governo do Estado de ofício ao qual esta instituição integrou outras entidades para solicitar socorro a Matão, município que – segundo o capitão PM Ricardo Domingos Júnior (coordenador operacional do 13º Batalhão da Polícia Militar do Interior, BPM-I) – apresenta números criminais consideravelmente menores do que outros municípios do mesmo porte populacional.
Sim, leitor! Não há dúvida de que por aí a ‘coisa’ está mais feia ainda! Barbaridade...
Porém, a esperança ainda não nos abandonou. Na quarta-feira (9), o prefeito Cido Ferrari, Willian Bassi, Ana Mondini, os vereadores Everaldo de Carvalho e José Aparecido Ferreira dos Santos (Cido Motos) estiveram com o general João Camilo Pires de Campos (secretário de Estado da Segurança Pública) e Yussef Abou Chain (Divisão de Concursos da Polícia Civil), em reunião agendada pelo matonense Ernesto Mascellani Neto (presidente do Detran-SP). Foram clamar por ajuda e também levaram outro Abaixo-Assinado, este providenciado pelo nosso Legislativo.
Aguardemos, ainda com medo...
Comentários
Ninguém comentou ainda. O primeiro comentário pode ser o seu.








