Missa de 7º Dia de Armando Marchesan será na segunda (10)
Um dos fundadores da Tatu-Marchesan, empresário morreu na segunda-feira (3)
Do acervo · publicada originalmente em 7 de janeiro de 2022
Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão
· Leitura de 5 min
Foto: Rogério Bordignon
Acervo · 2022Às 18h35 da segunda-feira (3), Armando Marchesan faleceu aos 98 anos, no Hospital ‘Carlos Fernando Malzoni’, vítima de falência pulmonar. Armando adoeceu há praticamente sete meses, sendo que, da última vez, ficou internado no Hospital de Matão por dez dias antes de partir. Viúvo de Angelina Torquato Marchesan, ele foi casado com Therezinha Braghini Marchesan desde 1976.
Armando teve três filhos com Angelina: o saudoso José Alberto Marchesan (Zezé), que foi casado com Maria Cecília Bastia Marchesan, pais de Andréa, Adriana, Armando Neto e Alessandra; Maria Helena Marchesan Matturro, casada com Francisco Matturro, pais de Fernanda, Fabio e Flávia; e Maria Zaira Marchesan, casada com Otto Silveira Maia – sendo que Maria Zaira e o ex-marido Luiz Alvares (saudoso) são pais de Luiz Paulo. Armando tinha 14 bisnetos e dois tataranetos.
O corpo do empresário foi cremado em Jaboticabal, por volta das 12 horas da terça-feira (4). A família agradece às manifestações de profundo pesar e a todas as pessoas que cuidaram de Armando. A Prefeitura de Matão e a Câmara Municipal declararam luto oficial de três dias.
Ao lado de seu irmão Luiz, Armando fundou e viveu uma das maiores empresas do setor de máquinas e implementos agrícolas da América Latina, a Tatu-Marchesan. Mais do que saber e querer, os dois fizeram acontecer desde os primeiros esforços. A partir do bater de ferro na bigorna, num pequeno galpão ou mesmo na calçada de terra, Armando e Luiz evoluíram para outras etapas, por mais de 70 anos.
A seguir, A Comarca publica parte de uma reportagem especial produzida para a Revista A Comarca – Matão 118 Anos, publicada em agosto de 2016. A Missa de Sétimo Dia em memória a Armando Marchesan será realizada na segunda-feira (10), às 19 horas, na Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus.
História, trabalho e progresso
A trajetória de vida que culminou com a consolidação de uma grande empresa
Giovanni Marchesan, natural de Castello Di Godego (Veneto, Itália), chegou ao porto de Santos em 1896, dirigindo-se ao interior paulista para trabalhar na construção da estrada de ferro entre Jaboticabal e Porto Taboado (antiga localidade). Depois, Giovanni viveu próximo a Catanduva, Valinhos, Campinas até chegar a Matão, já casado com Maria Pietrobon (Marieta), a qual conheceu na viagem da Itália para o Brasil.
Com Marieta, Giovanni teve três filhos: José, Guilherme e Alexandre. José casou-se com Zaira Bocchi, com quem teve quatro filhos: Orlando (1920), Armando (1923), Yolanda (1926) e Luiz (1928), tendo Armando nascido no dia 21 de abril. Zaira, a mãe deles, faleceu aos 29 anos. O pai, José, morreu cinco anos depois, aos 36 anos. Os quatro filhos foram criados por tios paternos. Estudaram, cresceram, trabalharam.
Luiz dominava o ofício de ferreiro, enquanto o conhecimento de Armando se fortaleceu na carpintaria. No dia 1º de maio de 1946, iniciaram empresa própria em um barracão alugado na Avenida Siqueira Campos, entre as Ruas João Pessoa e Rui Barbosa (Centro). Arremataram o material necessário para a melhoria da fábrica de carroças e charretes e no dia 25 de novembro de 1946, com capital social de CR$ 20 mil, instituíram formalmente a Oficina Brasil de Irmãos Marchesan.
A empresa teve quase toda sua produção inicial destinada a carrinhos de molas e charretes. Com o passar do tempo, a fama dos produtos Marchesan ultrapassou fronteiras e eles já eram vendidos no norte do Paraná. Armando e Luiz, sempre atentos às necessidades dos agricultores, começaram a fabricar também implementos agrícolas de tração animal (arados, grades de discos, cultivadores de enxadas, entre outros).
A Oficina Brasil teve o nome alterado para Irmãos Marchesan Ltda no dia 1º de janeiro de 1952. E com o passar do tempo foi iniciada a produção de implementos tracionados por tratores (tração mecânica). O símbolo da bigorna – antes associado às carrocinhas e charretes – deu lugar à marca Tatu. Assim, em 1955, com a mudança do símbolo da empresa, os irmãos tinham encontrado algo que fizesse a associação dos implementos com a sua finalidade.
TATU-MARCHESAN
Em 1963 ocorreu a primeira mudança de local da fábrica – transferida para a Rua Bambozzi, nº 430. Em 20 de janeiro de 1967, a Irmãos Marchesan se transforma em sociedade anônima e passa a ser denominada Marchesan Implementos e Máquinas Agrícolas Tatu S/A. No final da década de 1960 e início da década de 1970, a evolução na agricultura teve grande impulso com a mecanização; e a Marchesan iniciou um processo de reestruturação que a projetou no mercado externo.
Em 1970, a empresa tinha 180 funcionários e o seu perfil administrativo passou por ajustes necessários ao atendimento das demandas futuras de crescimento. Os produtos se diversificaram, a rede de revendas foi ampliada para todo o Brasil e as exportações – até então somente para o Paraguai – passaram a ocorrer também para outros países da América Latina. Em 1979, a empresa alcança significativa expansão com a mudança do parque industrial para uma grande área situada na Avenida Marchesan, nº 1.979.
Na década de 1980, as exportações se expandiram para o restante do continente americano e alguns países da África e Oriente Médio. Em 1986, as vendas para o exterior representavam quase 20% da produção total da Marchesan e atingiam 23 países. Já era a maior empresa do setor na América Latina e a terceira no mundo, com 2.500 funcionários.
Com tecnologia própria, sempre incentivando a pesquisa e buscando total autonomia, a Marchesan produz componentes que definem sua qualidade e desempenho, como mancais, discos, enxadas, eixos e componentes para a fabricação do chassi. Para isso, conta com ferramentaria e fundição próprias com fornos modernos que possibilitam a produção de aço e ligas com qualidade superior.
Em janeiro de 2011, a Marchesan passou por mais uma etapa de modernização com a criação do Conselho de Administração, que fortaleceu as regras de Governança Corporativa e fomentou o processo de profissionalização da gestão. Após 75 anos, a empresa mantém o legado dos irmãos Armando e Luiz Marchesan, que, com intensa vontade de trabalhar, coragem e abnegação, constituíram uma empresa com importantíssimo destaque no cenário da mecanização agrícola nacional.
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