Menino de 6 anos 'vira' jacaré para se vacinar contra covid
Arthur Maciel foi uma das primeiras crianças a receber a imunização na cidade quando a vacinação foi liberada para a faixa etária sem comorbidades
Do acervo · publicada originalmente em 31 de janeiro de 2022
Fonte: G1, postado por Natali Galvão
Foto: Arquivo pessoal
Acervo · 2022Os animais preferidos do pequeno Arthur Eduardo Matuiski Maciel, de 6 anos, são gato e hamster, mas eles foram trocados pelo jacaré na fantasia que ele vestiu para ir ao acontecimento mais importante deste início de ano: a vacinação contra a covid-19 em Matão, cidade onde mora.
“Eu ouvi minha família falar que saiu no jornal que quem tomasse a vacina ia se transformar em jacaré e aí eu me fantasiei de jacaré para mostrar que era brincadeira”, disse.
A graça e serenidade do Arthur tomando a vacina ganhou destaque nas redes sociais da prefeitura. Ele foi uma das primeiras crianças a se vacinar quando a imunização foi liberada na cidade para o público de 5 a 11 anos sem comorbidades, na segunda-feira (24).
A publicação teve centenas de curtidas e compartilhamentos e também vários comentários parabenizando o Arthur e seus pais pela atitude. O menino explicou o motivo da brincadeira.
A ideia da fantasia foi justamente da mãe de Arthur, uma profissional de saúde que tem vivido a pandemia de frente nestes últimos dois anos e decidiu fazer algo para incentivar a vacinação.
“Todo dia no meu local de trabalho a gente lida com essas questões das pessoas que têm medo de tomar a vacina, que às vezes não acredita que funciona. E agora com a vacinação das crianças, a preocupação de alguns aumentou por se tratar dos filhos, muitos pais já falaram que não vão levar os filhos para vacinar. Com todo mundo na minha casa vacinado, vi que seria a vez do meu filho, pensei que era uma oportunidade de chamar atenção de fazer com que as pessoas vissem de uma forma mais divertida porque com as crianças a gente consegue fazer de uma forma mais lúdica e pensei: ‘o jacaré é a figura da vez, então vamos brincar com isso, quem sabe o pessoal olha, perde o medo’”, contou Maria Helena Matuiski.
Em dezembro de 2020, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que, na negociação com o governo para a compra de vacinas, a Pfizer impôs como condição que não se responsabilizaria por eventuais efeitos colaterais após aplicação do imunizante. "Se eu virar um chi, se eu virar um jacaré, se você virar super homem, se nascer barba em alguma mulher, ou algum homem começar a falar fino... e o que é pior: mexer no sistema imunológico das pessoas", falou na ocasião.
Ela conversou com Arthur, que adora se fantasiar e topou na hora e entendeu a importância do seu ato. Maria Helena defende que a vacinação é necessária e um ato de amor.
“A gente, enquanto profissional de saúde, precisa fazer com que a informação correta chegue a todo mundo, de alguma forma explicar e orientar, o nosso dia a dia é esse. Foi uma brincadeira, mas que leva uma mensagem séria, que é da vacina, que é importante para todo mundo e agora é a vez das crianças para que volte ao normal a vida, logo está começando as aulas, então é importante que a gente vacine os filhos para o bem maior. A gente pensa na saúde e a vacina é um ato de amor para todo mundo, quem toma a vacina está pensando no próximo também”.
No posto de saúde todo mundo quis tirar foto com Arthur. Agora, ele aguarda a segunda dose para plastificar sua carteirinha de vacinação.
Também está animado para iniciar os estudos presenciais no 1º ano do Ensino Fundamental, após dois anos fazendo as atividades em casa, e espera que a repercussão da sua atitude incentive outras crianças a se vacinarem.
“Esqueci de falar que a picadinha não dói quase nada, parece a picadinha de uma formiga”, garantiu.
Comentários
Ninguém comentou ainda. O primeiro comentário pode ser o seu.








