Clube de Xadrez recebe objetos de Arnaldo Dalmiglio
Doação foi feita por Álvaro, um de seus filhos, na Sorema
Do acervo · publicada originalmente em 8 de janeiro de 2022
Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2022O Clube de Xadrez de Matão (CXM) – cuja sede fica na Sala Alzir e Mário Biava, na Sociedade Recreativa Matonense (Sorema) – recebeu de Álvaro Luiz Dalmiglio objetos relacionados ao xadrez que pertenceram a seu pai, Arnaldo Dalmiglio (Neno), precursor deste esporte em Matão. A doação foi recebida no último dia 22 por Fabiano Vidoto e Marco Antonio Ferreira (Marcão), respectivos presidente e membro do CXM; Douglas Onofre Ferreira de Castro, então presidente da Sorema; e Reinaldo Luiz Panegocci (Pinduca), conselheiro deliberativo do clube.
Foram doados peças do jogo de xadrez com as quais Neno foi campeão brasileiro por Correspondência, em competição realizada de 1934 a 1942 pela revista ‘Xadrez Brasileiro’; anotações de partidas que o levaram a este título; problemas enxadrísticos, alguns publicados no jornal ‘O Estado de S. Paulo’ (Estadão) e premiados até no exterior; Carta Regulamento do mencionado torneio; livros, entre os quais um raro em língua alemã, que foi o troféu do destacado Brasileiro; a primeira e a segunda edições da revista A Comarca comemorativa ao aniversário de Matão (de 1973 e 1974) e uma fotografia de Neno.
“A doação é fundamental para ser recordada a importância da contribuição de meu pai ao xadrez matonense, do qual foi um dos precursores e um dos protagonistas. Ele formou enxadristas como Alzir Biava e divulgou o xadrez matonense para o Brasil e outros países. Estou feliz por fazer esta doação. Tesouros guardados no fundo do baú, não tem valor”, resume Álvaro, que também trouxe à tona um artigo de Alzir publicado em A Comarca no dia 11 de abril de 1992, logo após a morte de Neno.
No texto, Alzir apresenta e comenta lances de uma partida entre Neno (com peças brancas) e Ibsen Passos, de Muriaé (MG), pelo mencionado Brasileiro Postal. Alzir descreve a partida como uma obra-prima, salientando que lances de Neno surpreenderam a Ibsen e finalizando a descrição afirmando que seu primo era adepto da frase marcante proferida pelo campeão de xadrez Emanuel Lasker: “Sou um artista, não um carniceiro”.
O artigo também traz estas afirmações sobre Neno: “O seu amor e trabalho em favor da ‘Arte de Caissa’ marcou a fase mais importante do antigo xadrez matonense, sendo ele sem dúvida o seu maior expoente. Jogou, estudou e até sacrificou interesses seus para que o nosso nascente xadrez pudesse aflorar e se expandir numa época da ausência de maiores reconhecimentos técnicos, livros especializados, onde se jogava xadrez ‘na raça’. Ele ensinou vários discípulos: Aureliano Bueno, Helio Schiavon, Otto Arnold, Braulino Ferreira, Paulo Pavarini e a mim, afirmando que eu seria um dos maiores jogadores de Matão”.
Além do título nacional, Neno foi o primeiro campeão matonense (1942), repetindo o feito em 1944, 1945 e 1963. Foi terceiro colocado no Campeonato Paulista do Interior (Santos, 1944) e titular da equipe matonense até 1966, quando adoeceu e se afastou das lides enxadrísticas. “Não acompanhei a fase áurea do meu pai, pois nasci em 1959. Tive pouco interesse pelo xadrez. Me lembro de começar a ensinar algo para Jayme Augusto Cicogna Gimenez (Jayminho), a pedido de sua mãe, dona Íride”, cita Álvaro.
UM DESPORTISTA NATO
Neno nasceu no dia 2 de março de 1912, em Matão. Além dele, o casal Felice Dalmiglio e Virgínia Romanelli teve mais dois filhos, Aldo e Archimedes. Neno e sua esposa Udile Bottesini Dalmiglio também tiveram três filhos: Adilson, Arnaldo Filho (Arnaldinho) e Álvaro Luiz, respectivamente casados com Maria Helena de Oliveira Dalmiglio, Marinês Borburema e Tânia Regina Pereira. Os netos são Alessandro e Arnaldo Júnior (de Arnaldinho) e Mariana e Juliana (de Álvaro), sendo que Adilson não teve filhos.
Depois de ser aprendiz de alfaiate, Neno foi comerciante no setor de leiteria e também um dos sócios da Sorveteria Dalmiglio. Morou em Matão do nascimento até 1973, quando mudou-se para Araraquara, onde faleceu aos 80 anos no dia 28 de março de 1992, sendo sepultado em Matão. Desportista nato, Neno se destacou no xadrez, basquete, futebol, tênis, salto com vara, salto em distância, salto em altura, corrida de motocicleta, natação, atletismo e outros esportes, pois foi decatleta.
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