Sérgio Mancini obtém segundo lugar em premiação nacional
Arquiteto matonense se destacou no Prêmio Saint-Gobain
Do acervo · publicada originalmente em 24 de dezembro de 2021
Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão
· Leitura de 9 min
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2021Neste ano, o arquiteto matonense Sérgio Augusto Mancini obteve o segundo lugar da Categoria Profissional / Projeto Residencial na oitava edição do Prêmio Saint-Gobain / Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura (Asbea), com a proposta intitulada ‘Casa Z.Mod’, constituída por sete módulos metálicos pré-fabricados. Sobre a conquista de um dos mais importantes prêmios brasileiros de arquitetura, A Comarca entrevistou Sérgio Mancini. Ressalta-se que essa premiação foi a única obtida por arquiteto do estado de São Paulo.
O que é o prêmio Saint-Gobain/Asbea?
Antes de discorrer sobre o prêmio, informo alguns números da Saint-Gobain. No Brasil, a Saint-Gobain tem 56 fábricas, sete escritórios comerciais, três mineradoras, centro de pesquisa, dois e-commerces, 79 lojas, mais de 12 mil colaboradores, R$ 8,7 bilhões em vendas. Está em 70 países, com 168 mil colaboradores e oito centros de pesquisas. É detentora de 23 marcas, dentre as quais, Carborundum, Brasilit e Telha Norte. O prêmio é uma iniciativa do Grupo Saint-Gobain e da Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura (Asbea), que se uniram nesta edição tendo como foco principal a elaboração da ‘mais importante premiação de arquitetura do Brasil’, a fim de reconhecer e premiar projetos que se destacaram nos anos 2020-2021 na proposição de soluções para o conforto do ambiente, bem como a inovação, sustentabilidade, arquitetura, além de mobilizar profissionais e estudantes que acreditam que a construção civil exerce significativa contribuição ao bem-estar das pessoas. O prêmio apresenta, ano a ano, o melhor da produção brasileira de arquitetura; e a representatividade dos projetos é equivalente à sua qualidade. Estudantes e profissionais de todo o país demonstraram a variedade de tipologias e realidades que formam a arquitetura nacional e a riqueza deste mosaico de formas, texturas, cores e soluções. A premiação de 2021, potencializada pela parceria com a Asbea, simboliza a união que reforça ainda mais o reconhecimento ao setor. O prêmio ainda incentiva o uso de tecnologias e soluções inovadoras e a correta especificação de produtos e processos construtivos. Segundo o presidente da Asbea, Henrique Mélega Re, “a organização deste prêmio nos enche de prazer e orgulho, não só pelo fato de promover o desenvolvimento técnico e a excelência, mas principalmente pela certeza de que seremos recompensados com um volume enorme de projetos da mais alta qualidade de participantes que fazem a arquitetura brasileira”.
Quais as categorias do prêmio?
Na edição desse ano houve a Categoria Acadêmico e a Categoria Profissional, esta de forma individual ou em equipe, dividida nas modalidades Projeto (obras não iniciadas ou já iniciadas e não concluídas até 2020) e Edificações (obras concluídas entre janeiro de 2018 e outubro de 2020). Nas duas categorias aconteceram premiações aos três primeiros colocados nas tipologias Residencial, Institucional e Comercial. Eu fui o segundo colocado na Categoria Profissional / Projeto Residencial.
Você esperava obter esse destaque?
Quando vi que o tema chave desta edição seria ‘Modularidade’ e ‘Pré-fabricação’, temas que tenho como foco nos últimos anos e que são recorrentes na produção de projetos do escritório, entendi que a proposta da ‘Casa Z.Mod’ poderia ser uma forte concorrente devido aos aspectos inovadores e bastante arrojados adotados no projeto. Tinha expectativa e esperança, sim, pois estava certo de ter feito um grande trabalho. No dia 30 de abril recebi o comunicado de que o projeto constava na lista dos ‘Top 10’ da categoria; no dia 26 de julho veio a confirmação de que já estava entre os premiados, porém, sem saber a ordem classificatória. A confirmação da conquista do segundo lugar veio com o anúncio oficial feito em evento online por Carlos Mattar, diretor comercial e de Vendas Técnicas da Saint-Gobain produtos para construção. Foi uma competição difícil, com mais de 1.100 projetos inscritos e definida por 12 jurados. Após saber de fato que havia ficado na segunda colocação, anunciei em redes sociais a vitória numa premiação que reconhece os melhores projetos que se destacaram ao propor soluções em conforto do ambiente, inovação e sustentabilidade.
Como o júri considerou seu trabalho?
O júri técnico descreveu o projeto da seguinte maneira: “O segundo lugar desta modalidade fica para a ‘Casa Z.Mod’, uma edificação residencial constituída por sete módulos metálicos totalmente pré-fabricados. Um projeto que quebra paradigmas ao estabelecer novos sistemas construtivos e ao utilizar tecnologias mais simples, racionais e eficientes como fortes aliadas da arquitetura. A forma como se deu o uso dessas tecnologias é o ponto forte deste trabalho, que explora técnicas de construção off-site avançadas. Este processo, simples e inovador, permite adaptações, expansões e até a realocação do ambiente construído em locais diferentes. Os itens modulares ocupam área de 162 m², que supre toda a demanda infra estrutural de uma residência, sendo instalados in loco via sistema ‘plug and play’. Justamente pelo apelo estético e ambiental único, este projeto é um excelente modelo de arquitetura para a promoção de maior bem-estar das pessoas e integração com o entorno”.
Obviamente, você ficou muito feliz.
Embora já se vão quase 12 anos de carreira, formalizei a Mancini Arquitetura como negócio há pouco mais de três anos. Trata-se de um escritório emergente, envolvido em diversos projetos que transformarão o contexto urbano de Matão nos próximos anos. Me sinto muito feliz e grato por já estar posicionado entre os melhores do país. Recebendo este reconhecimento, os nomes do escritório e também de Matão estão inseridos em um hall de vencedores que foram grandes inspirações no início de minha carreira, tal como o grande mestre Paulo Mendes da Rocha, que nos deixou exatamente nesse ano. Sou o único representante do estado de São Paulo entre os premiados da categoria. Essa ocasião surge com uma excelente oportunidade para mostrarmos a força do interior paulista na produção de bons projetos de arquitetura e também nos dá um grande sinal em relação ao futuro. O sentimento de orgulho é inevitável e nos motiva ainda mais para seguir adiante, firmes no propósito de transformar o mercado da construção civil em um ambiente mais sustentável e inteligente.
Quando você se formou em arquitetura?
Sou arquiteto, urbanista e artista gráfico graduado pela Universidade de Araraquara (Uniara) em 2009. Sou diretor e responsável pelo desenvolvimento dos projetos e pelo conceito geral da produção do escritório Mancini Arquitetura, um estúdio criado em 2018 com foco na produção de projetos que evoluem através da investigação, análise e experimentação, tendo a racionalidade como único preceito básico de norteamento. Austeridade e modernidade, aliadas a sistemas construtivos de vanguarda, definem o conceito e a identidade do escritório. Atuo em múltiplas escalas e diversos tipos de programas, desde mobiliário a intervenções urbanas, passando por casas, edifícios, até instalações temporárias.
Você tem outros prêmios?
No último ano da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (Uniara), em 2009, meu trabalho final de graduação foi selecionado como o melhor entre todos os formandos e, então, obtive minha primeira aparição em concursos. Se tratava do 22º Prêmio ‘Ópera Prima’, cujo intuito é reconhecer e premiar os melhores trabalhos finais de graduação. O projeto em questão, intitulado ‘Exploratório Cultural’, tratava da proposta arquitetônica de um Centro Cultural e Gastronômico para Matão. Em 2011, me inscrevi num evento promovido por uma grande incorporadora situada na capital paulista, cujo objetivo era desenvolver ideias de ocupação para um apartamento de 70 m². Dentre 41 propostas, fiquei na terceira colocação com a proposta intitulada ‘Book Haus Concept’.
Quais as suas metas profissionais?
Por ser admirador do Modernismo Brasileiro, uma das minhas metas é repensar e dar continuidade a este movimento arquitetônico através de trabalhos fundamentados pela racionalidade, sustentabilidade e principalmente pela simplicidade formal. Através da exploração das novas tecnologias e sistemas estruturais, elementos pré-fabricados, modulares e de construção seca, da valorização dos aspectos naturais dos materiais e do contexto a ser inserido, tenho como principal objetivo desenvolver projetos que quebrem os paradigmas do mercado atual, mais simples, no âmbito executivo, eficientes, sustentáveis, com especial atenção aos detalhes, acabamentos e custos. Considero que cada projeto pode ser uma poderosa ferramenta de transformação de seu contexto. Acredito que a ‘má reputação’ e as ‘dores’ relacionadas ao setor de obras são principalmente ocasionadas por métodos e processos tradicionais e totalmente artesanais que insistimos em utilizar até os dias atuais; métodos sem padrão de qualidade definido, sem controle de custos, sem eficiência e de manutenção complicada, sem contar o fato de que o ofício de ‘pedreiro’ se encontra em extinção. As novas gerações não têm mais interesse neste trabalho, o que torna a busca por mão de obra de qualidade cada vez mais intangível. A ‘industrialização da construção civil’ é um caminho sem volta. Nós, do Interior, costumamos afirmar que as novas tecnologias demoram muito tempo para nos atingir, o que de fato é verdade. A questão é que cedo ou tarde elas chegam... e quem não estiver preparado se tornará obsoleto em questão de poucos anos. Também tenho o sonho de exercer o ofício da arquitetura em outros países. Acredito que novas experiências nos tornam pessoas e profissionais cada vez mais completos e podem ampliar ainda mais o repertório de projetos. Essa ideia, que antes parecia bem distante, se tornou uma possibilidade real e acessível. Devido ao prêmio recebido, os contatos com outros escritórios internacionais se estreitaram e muitas portas estão se abrindo.
Onde fica o escritório Mancini Arquitetura?
Fica na Avenida 28 de Agosto, nº 540, Centro. Para mais informações sobre o projeto premiado há o site www.mancini.arq.br. Contato comigo pode ser feito pelo telefone / WhatsApp (16) 2016-1824.
PERFIL
Sérgio Augusto Mancini é o mais novo de dois filhos de Sergio Argemiro Mancini e Sônia Elizabeth Nunes Mancini, irmão de Danieli. “Cito os meus saudosos avós como forma de agradecimento: Adhemar e Irene Rodrigues Mancini (paternos) e Manoel Nunes de Farias e Maria Ivone Picollo Nunes (maternos). Todos foram figuras muito presentes e contribuíram bastante para a minha formação pessoal e profissional. Nasci em Araraquara, no dia 8 de outubro de 1986. Maria Clara Parise Hasselaar é minha companheira há mais de 15 anos. Nossa filha, Liz, completará cinco meses no próximo dia 28. Iniciei a carreira como autônomo, assumindo a autoria e desenvolvendo diversas tipologias de projetos, desde residências até edifícios comerciais, industriais e até instalações temporárias construídas em diversas unidades da Rede Sesc por todo o estado de São Paulo. Entre projetos e concursos, a pesquisa sempre se faz presente. Com este pensamento, em julho de 2018, formalizei a empresa Mancini Arquitetura, cujo foco principal se concentra na pesquisa, análise e experimentação de novos sistemas construtivos, materiais, tecnologia aplicada, pré-fabricação, industrialização, entre outros assuntos relacionados ao mercado da arquitetura e construção”.
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