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Esporte

A nobre missão de auxiliar-técnico

Em entrevista, o ex-jogador Gilmar Minelli comenta como é executar essa função

Do acervo · publicada originalmente em 9 de novembro de 2021

Fonte: Rogério Bordignon, postado por Natali Galvão

· Leitura de 7 min

Foto: Rogério Bordignon

Gilmar. "A missão do auxiliar-técnico é motivar, encontrar soluções e ajudar o grupo a render o quanto puder, sempre exigindo o máximo dos atletas"Acervo · 2021
Gilmar. "A missão do auxiliar-técnico é motivar, encontrar soluções e ajudar o grupo a render o quanto puder, sempre exigindo o máximo dos atletas"

Gilmar Antonio Minelli Batista nasceu no dia 16 de maio de 1970, em Olímpia. Filho de Pedro Batista Filho (saudoso) e de Nair Maria Minelli, tem três irmãos: Aparecida, Gilberto e Gislene. É casado com Queila Cristina Minelli Batista e são pais de Rauani Yuri e Antonella. Começou a jogar futebol aos dez anos e a brincadeira ficou séria aos 16 anos, quando iniciou sua carreira na Internacional de Bebedouro, onde ficou até 1989. 

De 1990 a 1992, o meia defendeu a Ferroviária, e de 1992 a 1995, o Guarani, com passagem pela Internacional de Limeira em 1994. Foi jogador da Ponte Preta em 1996 e da São-Carlense em 1997. Jogou no futebol norte-americano defendendo o Tampa Bay Mutiny (de Tampa, Florida) em 1997 e 1998, quando veio para a Matonense jogar a Série C do Campeonato Brasileiro. 

Ficou também em Matão no ano de 1999 e foi para o São Caetano, onde permaneceu até 2001 quando jogou no Santo André, Metro Stars (atual Red Bull, de Nova York, Estados Unidos), voltando à Matonense para o Paulistão de 2002. No segundo semestre desse ano foi para o Ceará e, na sequência, para o Figueirense (2003), Corinthians de Alagoas e Santa Cruz (2004); Francana, Rio Branco de Andradas (MG) e Oswaldo Cruz (2005), onde encerrou a carreira de jogador. 

Como treinador, começou no Corinthians alagoano em 2006. Depois, ASA (2007), CRB e CSA (2009), voltou ao Corinthians em 2010 e treinou o Murici de Alagoas (2011 a 2014), com passagem pela Matonense como auxiliar-técnico em 2013 e também como treinador do Sub-20 da Ferroviária. Retornou ao CSA como gerente de futebol (2015 e 2016). Em 2017 e 2018 teve passagem pelo Murici. Foi auxiliar-técnico e depois treinador no Noroeste de Bauru (2019 e 2020). 

Começou 2021 como auxiliar no Comercial de Ribeirão Preto e voltou para a Matonense no último mês de junho para ser auxiliar. Trabalhou ao lado de Márcio Ribeiro na formação e nos primeiros quatro jogos da equipe na ‘Bezinha’ e fez a ponte para o técnico Marcos Campangnollo. Sobre o acesso para a Série A-3 e outros assuntos, A Comarca entrevistou Gilmar. 

Como foi convencer a seus pais de que você queria ser jogador de futebol? 

Nem eu tinha me convencido. Jogava porque gostava, mas não tinha o futebol como prioridade. Concluí o atual Ensino Médio, mas aí o futebol realmente começou a me mostrar o seu caminho. Como nasci em Olímpia, mas fui criado em Bebedouro, iniciei minha caminhada na Inter. Em 1990, deixei a casa dos meus pais para morar em Araraquara e não parei mais. Rodei o Brasil, morei em duas cidades norte-americanas – Tampa e Nova York – e fiquei 45 dias em Zürich, na Suíça, quando fui emprestado pela Ferroviária em 1991, mas não joguei e voltei para Araraquara, porque a Ferroviária queria me vender e o Grasshopper queria o meu empréstimo. 

Quantos títulos de campeão e acessos você tem? 

Os acessos como jogador foram na Ferroviária (Série C para B do Brasileiro em 1994), São Caetano (B para A do Brasileiro, 2000) e Santo André (A-2 para A-1 do Paulista, 2001). Como auxiliar-técnico, acesso com a Matonense em 2021. Os principais títulos como jogador são: campeão da Série A-2 com o São Caetano em 2000, vice-campeão brasileiro pelo São Caetano (Série A, em 2000), campeão catarinense pelo Figueirense (2003), campeão alagoano pelo Corinthians (2004) e campeão mineiro do Módulo 2 com o Rio Branco de Andradas em 2005. Como treinador fui vice-campeão alagoano com o Corinthians em 2007 e campeão alagoano pelo Murici em 2013. 

Sempre existem episódios marcantes na carreira, além das principais conquistas. Quais os teus episódios inesquecíveis? 

Me recordo de alguns, sendo que o principal foi estar naquela final do Brasileiro de 2000, entre Vasco e São Caetano, em que parte do alambrado do Estádio de São Januário se rompeu e muitas pessoas se machucaram. Em 2001, estava em Nova York quando aconteceram os atentados em 11 de setembro. Em 2008, com o Corinthians de Alagoas, chegamos às quartas-de-final da Copa do Brasil, sendo eliminados pelo Vasco. E pelo CSA, ajudei a eliminar o Santos nas oitavas-de-final da Copa do Brasil de 2009. 

Como é ser jogador e como é atuar como treinador? 

O jogador tem a preocupação exclusiva de treinar e jogar. O treinador tem que treinar e a missão de escolher os melhores e mais bem preparados para jogar. E essa definição é muito difícil, pois, por detalhes mínimos, você tem que optar por um – deixando-o feliz – e não por outro, deixando-o entristecido. É bem mais complexo ser treinador. 

E onde se encaixa o trabalho de auxiliar-técnico? 

Justamente para ajudar o treinador a fazer as melhores escolhas e ter as definições mais apropriadas para diferentes momentos. O auxiliar também analisa as equipes adversárias e passa as informações para o treinador. O trabalho de um auxiliar-técnico abrange todo o elenco, sobretudo aqueles que não começam os jogos como titular. É o auxiliar que, na maciça maioria das vezes, ouve os argumentos dos atletas e da comissão técnica e serve como um anteparo, como um escudo de blindagem ao treinador, justamente por ter mais facilidade no contato cotidiano com os jogadores. Não é raro um trabalho prévio do auxiliar-técnico despontar como resultado prático numa partida na qual ele mesmo sugeriu uma determinada alteração ao treinador, baseada num histórico que este auxiliar vinha se dedicando. Algumas vezes, o auxiliar consegue leituras táticas da equipe adversária – com a bola rolando – e mostra possíveis soluções ao treinador. 

Como você sai de um treino em que acabou de ouvir queixas de jogadores descontentes? 

A cabeça tem que estar no lugar. É necessário explicar aos jogadores que eles poderão ter chances se continuarem trabalhando e mostrando evoluções. Não se pode – em hipótese alguma – tirar o sonho de um atleta ou de qualquer pessoa. E outra: como vou sentenciar algo negativo para um atleta que amanhã pode viver uma grande fase, ser vendido ao exterior e até convocado para a Seleção Brasileira? A missão do auxiliar-técnico é motivar, encontrar soluções e ajudar o grupo a render o quanto puder, sempre exigindo o máximo dos atletas. 

Mas como você domina a vontade de voltar a ser treinador? 

Estou me preparando, me aperfeiçoando, realizando cursos, treinamentos e estágios para – no momento certo, dentro da ética, do respeito e da lealdade –, aí sim, voltar a pensar em ser treinador. 

Então você está feliz com sua missão? 

Bastante, ainda mais quando os objetivos são alcançados. Não fomos campeões da ‘Bezinha 2021’ por pouco. Vamos nos preparar melhor para a Série A-3 para tentar novo acesso e, se possível, o título. É claro que a A-3 é um degrau bem mais alto. 

Mas a ‘Bezinha’ é ‘chapa quente’. O que é a ‘Bezinha’? 

Acredito que é um dos campeonatos mais complicados do planeta. O elenco de um time é composto por jogadores em formação; atletas que querem disputar uma competição de maior projeção e estão no limite de idade, que nesta série é de 23 anos. Essa juventude de 19, 20, 23 anos, faz os jogadores oscilarem muito dentro de campo. Também há maior preocupação com o dia a dia deles. Há gramados em situações ruins e uma disputa sequencial em ritmo alucinante, com jogos nos meios e nos finais de semana, o que torna difícil recuperar o que não dá certo. É complicado até para treinar! Veja, por exemplo, todas as outras 28 equipes que não conseguiram o acesso para a Série A-3 em 2021; esses 28 times terão que remontar seus elencos, recomeçar e encarar a complicada e difícil ‘Bezinha’. Tem times que caíram para esta série e não conseguiram subir mais. 

Você será auxiliar-técnico da Matonense na Série A-3? 

Quero continuar na Matonense. Uma reunião está prevista para esta semana e é este encontro que começará a nortear os próximos passos. A Série A-3 deverá ter início em janeiro de 2022. Se for como em 2021, as duas equipes que disputarão a final farão 21 partidas cada, em praticamente quatro meses, o que dá um pouco mais de espaço para treinar, já que na ‘Bezinha’, a Matonense fez 18 partidas em dois meses e meio. 

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