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Esporte

Samie Elias trabalha para evoluir a natação portuguesa

Ele e mais dois profissionais integram equipe brasileira contratada para melhorar o rendimento

Do acervo · publicada originalmente em 15 de outubro de 2021

Fonte: Rogério Bordignon

· Leitura de 6 min

Foto: Acervo A Comarca

Samie com o preparador físico Igor Silveira. "Desenvolvo as habilidades técnicas dos atletas utilizando diversas ferramentas e conhecimentos da biomecânica esportiva"Acervo · 2021
Samie com o preparador físico Igor Silveira. "Desenvolvo as habilidades técnicas dos atletas utilizando diversas ferramentas e conhecimentos da biomecânica esportiva"

Samie Elias nasceu em Matão, no dia 19 de outubro de 1990; portanto, está prestes a completar 31 anos. Filho de Kemmell Elias e Eliana Maria Pereira, tem como irmãos Yussef e Dib. É bacharel em Esporte pela Universidade de São Paulo (USP, Campus Butantã, São Paulo). Em julho de 2009 começou estágio não remunerado nas equipes de base de natação do Esporte Clube Pinheiros (ECP).

O início de trabalho como assistente técnico no time de natação da USP Medicina (Pinheiros) se deu em 2010. Em 2011 foi convidado a integrar o Time Pro 16 – do nadador Cesar Cielo, comandado por Alberto Silva – e dar atenção aos atletas mais novos do projeto. Também em 2011 realizou, em paralelo, o trabalho de biomecânica e análise de competição de André Brasil.

Em 2013 foi contratado pelo Pinheiros como analista de desempenho e atuou prioritariamente com a natação, desenvolvendo trabalhos e testes para vôlei, basquete, judô, triathlon, handebol, atletismo e ginástica artística. Em 2014 foi contratado por um time profissional de atletas paralímpicos e estagiou na University of Southern California (USC, Los Angeles, Estados Unidos), junto ao atleta André Brasil.

Em 2015 fez trabalho paralelo como biomecânico no projeto da Federação Aquática Paulista (FAP), no Centro de Excelência do Complexo do Ibiraquera. Também em 2015, integrantes de sua equipe conquistaram dez medalhas no Mundial Paralímpico (em Glasgow, Escócia), sendo que o time brasileiro obteve outras medalhas a mais. Em 2016 foram sete medalhas nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro.

Foi contratado pelo Pinheiros como biomecânico da Natação em 2017, mesmo ano em que foi convocado pela primeira vez para a Seleção Brasileira, integrando a equipe que conquistou cinco medalhas no Mundial de Piscina Longa (Budapeste, Hungria), sendo três por atletas sob seu auxílio diário. Em 2018 houve participação e conquista de três medalhas no Campeonato PanPacífico de Natação (Tóquio, Japão) e o recorde mundial de Nicholas Santos (38 anos) nos 50 Metros Borboleta, na Copa do Mundo de Natação (Budapeste).

Também em 2018, no Campeonato Mundial de Piscina Curta (Hangzhou, China), teve a conquista de dez medalhas e recorde mundial no revezamento 4 x 200 Metros Livre (Leonardo Santos, Breno Correia, Luis Altamir e Fernando Scheffer, sendo que este último não era da equipe treinada por Samie). Em 2019, no Campeonato Mundial de Piscina Longa (Gwangju, Coréia do Sul), três medalhas de atletas treinados por ele; e nos Jogos Panamericanos (Lima, Peru), mais 15 medalhas.

Em 2021, Samie esteve com a Seleção Brasileira nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Nesta entrevista para A Comarca, ele informa quais foram os principais resultados de seus trabalhos como biomecânico de natação e por qual motivo foi atuar em Portugal, onde está desde o dia 17 de agosto.

Quais os nadadores de destaque nacional que você ajudou a treinar?

André Brasil (2011 a 2018), Carols Farrenberg (2011 a 2016) e Talisson Glock (2014 a 2016), os três medalhistas paralímpicos; Nicholas Santos (2016 a 2021), recordista mundial e medalhista mundial; Leonardo de Deus (2017 a 2021), Pedro Spajari (2017 a 2021), Guilherme Guido (2017 a 2021), Manuella Lyrio (2017 a 2021) e Giovanna Diamante (2017 a 2021), todos medalhistas pan-americanos; Gabriel Santos (2017 a 2021) e João Gomes Júnior (2017 a 2021), medalhistas mundiais; Marcelo Chierighini (2017 a 2021), medalhista mundial e pan-americano; Breno Correia (2017 a 2021), recordista mundial e medalhista panamericano; Cesar Cielo (2017 a 2021) e Felipe Lima (2018 a 2021), medalhistas mundiais; Leonardo Santos (2017 a 2021), recordista mundial e medalhista mundial e pan-americano; Luis Altamir (2017 a 2019), medalhista mundial e recordista mundial; Camile Rodrigues (2014 a 2016), medalhista parapanamericano; e Larissa Oliveira (2017 a 2021).

Quais as principais conquistas que você ajudou a serem obtidas?

Sete medalhas nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro de 2016 (André Brasil, Carlos e Talisson); recorde mundial e campeão mundial com Nicholas Santos, nos 50 Metros Borboleta em Piscina Curta (2018, Budapest); recorde mundial e campeão mundial nos 4 x 200 Metros Livre em Piscina Curta (2018, Hangzhou) com Leonardo Santos, Breno Correia, Luis Altamir e Fernando Scheffer, sendo que este último não era da minha equipe; medalha de prata nos 4 x 100 Metros Livre masculino com Cesar Cielo, Gabriel Santos, Marcelo Chierighini e Bruno Fratus, que não fazia parte da minha equipe. E, pela primeira vez, dois atletas brasileiros subiram ao pódio no Campeonato Mundial de Piscina Longa (Gwangju, 2019), nos 50 Metros Peito, com Felipe Lima (prata) e João Gomes Júnior (bronze).

Quem te convidou a ir para Portugal?

O presidente da Federação Portuguesa de Natação (FPN), António José Silva. Eu e meus companheiros de trabalho – o renomado Alberto Silva (Albertinho), ex-treinador de Gustavo Borges, Cesar Cielo e Thiago Pereira, para citar somente os medalhistas olímpicos, e o preparador físico Igor Silveira fizemos uma apresentação em fevereiro de 2020, como uma tentativa de conseguir permissão para utilizar as instalações da Federação Portuguesa com o intuito de treinar uma equipe internacional. Naquele encontro, o presidente nos convidou para sermos a equipe técnica de Portugal por pelo menos um ciclo olímpico. Desde então, negociamos detalhes e o adiamento dos Jogos de Tóquio atrasou nossos planos de conseguir finalizar o trabalho iniciado no Brasil.

Em qual cidade você está e quando chegou?

Desde o dia 17 de agosto, estou morando no Concelho de Oeiras, Distrito de Lisboa, que fica a poucos minutos do Centro de Treinamento de Alto Rendimento do Jamor e da sede da FPN. Me mudei com minha esposa Ana Paula Santos Loures Elias e nossos dois cachorros: Zeca e Rebeka. Estamos amando nosso apartamento, muito próximo ao mar. Nossas condições como cidadãos progridem devagar por causa da pandemia e devido ao fato de sermos imigrantes. Por conta da data dos Jogos Olímpicos, tivemos que assinar o contrato muito tarde, o que impossibilitou o adiantamento do processo antes de chegarmos. Mas em breve estaremos com nossas permissões de residência permanente.

Qual o trabalho que você desenvolve? Quais as expectativas?

As expectativas são grandes, pois há uma geração de jovens nadadores quebrando diversos recordes nacionais e alcançando resultados inéditos. A FPN se esforça e dá todo o suporte para estes novos atletas alcançarem o último degrau que ainda não atingiram: chegar a uma final olímpica e em campeonatos mundiais. Nossas ambições são ainda maiores, mas é um passo de cada vez. Para estes objetivos foram selecionados e convidados, para integrar nossa equipe, atletas com até 23 anos – com uma exceção – e com progressão de performances acima do normal para o país. Hoje, 13 atletas atenderam a esse convite e integram esse time, que não pode ser confundido com a Seleção Portuguesa, pois esta só é selecionada para competições internacionais. Desenvolvo as habilidades técnicas dos atletas utilizando diversas ferramentas e conhecimentos da biomecânica esportiva. Além deste trabalho de análise, controlo e faço a projeção de performance, atuando como treinador adjunto da equipe.

A estrutura de trabalho é boa? Os nadadores têm condições de obter conquistas?

Nova e completa, a estrutura tem excelente qualidade e facilidade de uso. Temos todas as ferramentas necessárias para desenvolver um programa de sucesso internacional. Os nadadores têm muito potencial. Neste tempo em que estamos trabalhando com eles foi possível detectar que estão competindo abaixo de seu verdadeiro potencial. Acredito que os bons resultados virão.

Até quando vai o contrato? Você tem intenção de renovar?

O contrato vai até 2024 e nosso time tem bastante interesse em renovar até 2028, como a FPN já se pronunciou com intuito de extensão. Contudo, o esporte depende de resultados. Aguardemos os resultados nas Olimpíadas de Paris, em 2024.

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