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Negócios

Artigo: Reindustrialização em um cenário de incertezas

POR JOÃO CARLOS MARCHESAN

Do acervo · publicada originalmente em 25 de outubro de 2021

Fonte: João Carlos Marchesan é administrador de empresas, empresário e presidente do Conselho de Administração da Abimaq

Foto: Acervo A Comarca

João Carlos Marchesan  - presidente do Conselho de Administração da AbimaqAcervo · 2021
João Carlos Marchesan - presidente do Conselho de Administração da Abimaq

‘A riqueza de uma Nação se mede pela riqueza do povo e não pela riqueza dos príncipes’.

Esta frase atribuída ao filósofo escocês Adam Smith, retrata bem a necessidade do Brasil de hoje.

Precisamos de empregos de qualidade, erradicar a pobreza de grande parte da população, distribuir melhor a renda e promover o crescimento.

Nesse sentido - e especialmente no contexto atual - a indústria deve ter um papel muito relevante para o desenvolvimento do Brasil. Incentivar a indústria significa incentivar a criação de emprego, melhores salários, crescimento econômico, melhor distribuição de renda, especialmente pela correlação com demais macro-setores, como o agropecuário, o extrativo-mineral e o de serviços. Investir na indústria significa investir nas cadeias produtivas e gerar crescimento como um todo. Historicamente, todos os países que lograram êxito no desenvolvimento tiveram a indústria como um fator chave.

Só quem tem conhecimento do que significa a indústria para o desenvolvimento de um país pode ter a noção precisa de qual prejuízo, sob todos os pontos de vista, que a desindustrialização pode causar. Sabemos que o Brasil vem desde meados da década de 1980 em processo continuo de deterioração da sua estrutura produtiva. A atual participação da indústria manufatureira no PIB é de apenas 11% enquanto países no mesmo estágio de desenvolvimento em torno de 25%.

O baixo nível de diversidade e sofisticação da atividade produtiva inviabiliza o desenvolvimento de serviços empresariais e consequentemente a ampliação da renda per capita nacional. O país vem registrando nas últimas décadas, baixo crescimento econômico e taxa de investimento aquém da necessidade de um país em desenvolvimento.

Para crescer a taxas acima de 3,5% ao ano sustentadamente, é imperativo investimentos da ordem de 25% do PIB ao ano. É preciso um modelo de desenvolvimento que leve em conta o potencial de se construir um novo projeto de Nação e, diante disso, ressaltar o papel da indústria.

Mundialmente, o Brasil é um dos poucos países que tem todas as condições para esse projeto, porque é um país que tem forte demanda reprimida na área de infraestrutura, o que pode ser uma grande oportunidade para o crescimento. Apesar da desindustrialização, ainda é o maior pátio produtivo da América Latina e também possui mercado e economia em escala suficiente para reverter a desindustrialização.

Nós entendemos que os eixos da reindustrialização passam por investimento forte. Estamos hoje abaixo de 15% da formação bruta de capital fixo sobre o PIB e deveríamos estar a pelo menos 25%. Isso nos faz entender que não temos um bom ambiente de negócios, temos insegurança jurídica alta e as reformas estruturais ainda não aconteceram. Reduzir o Custo Brasil é um ponto importante e fundamental para colocarmos a indústria no seu devido lugar, gerando crescimento e desenvolvimento para o País.

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