Hospital se engaja no 'Setembro Verde'
A conscientização para doação de órgãos é o tema da campanha
Do acervo · publicada originalmente em 27 de setembro de 2021
Fonte: assessoria de comunicação do hospital
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2021Como em todos os anos, o Hospital ‘Carlos Fernando Malzoni’ abraça a causa do ‘Setembro Verde’. A data de 27 de setembro foi instituída como o Dia Nacional de Doação de Órgãos, visando conscientizar a sociedade sobre a importância do ato e, ao mesmo tempo, fazer com que as pessoas conversem com seus familiares e amigos sobre o assunto. Baseado nesta data foi criado o ‘Setembro Verde’, para que o tema possa ser tratado de forma mais ampla – e não somente no dia 27.
O assunto é polêmico, pois existe um alto índice de recusa familiar. Um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) identificou três motivos principais para essa alta taxa de recusa, que não ocorre só no Brasil: incompreensão da morte encefálica, falta de preparo da equipe para fazer a comunicação sobre a morte e questões de ordem religiosa.
De acordo com a médica Liliana Ujikawa, neurologista do Hospital e engajada nessa causa, “40% dos familiares consultados negam a permissão para doação de órgãos, sendo que uma pessoa pode ajudar a salvar até sete outras pessoas. É um momento muito doloroso, por isso, muitas famílias têm dificuldade de tomar uma decisão dessas. Por isso é recomendável que as famílias conversem a respeito. Se a pessoa tem o desejo de doar os seus órgãos, deve conversar com a sua família para facilitar essa decisão”, explica Liliana.
O Brasil é o primeiro país do mundo em número de transplantes de órgãos feitos pelo sistema público de saúde. São 45 mil pessoas esperando por um transplante, procedimento cirúrgico que consiste na reposição de um órgão (coração, pulmão, rim, pâncreas, fígado) ou tecido (medula óssea, ossos, córneas) de uma pessoa doente (receptor) por outro órgão ou tecido normal de um doador vivo ou morto.
A pessoa maior de idade, e capaz juridicamente, pode doar órgãos a seus familiares. No caso de doador vivo não aparentado é exigida autorização judicial prévia. O médico deverá avaliar a história clínica da pessoa e as doenças prévias. A compatibilidade sanguínea é primordial em todos os casos. Há também testes especiais para selecionar o doador que apresenta maior chance de sucesso.
Os potenciais doadores não vivos são os pacientes assistidos em UTI com quadro de morte encefálica, ou seja, a morte das células do Sistema Nervoso Central, que determina a interrupção da irrigação sanguínea ao cérebro, incompatível com a vida, irreversível e definitiva.
A importância de falar com a família
José Luiz Paganini teve a oportunidade de doar um rim para a própria mãe. Mesmo sendo 100% compatível, por uma série de razões, não conseguiu ser doador. Pela falta de rim, sua mãe faleceu aguardando um doador. Isso marcou a vida de José Luiz, que, com o passar do tempo, também acabou sofrendo problemas renais crônicos, precisando utilizar o serviço de hemodiálise do Hospital de Matão e passando a necessitar da doação de um rim. Independentemente da necessidade de receber, José Luiz reuniu as três filhas – Natália, Naisa e Nádia – e expressou a vontade de ser doador de órgãos.
Até que essa oportunidade apareceu. José sofreu um AVC hemorrágico em plena hemodiálise, entrando em morte cerebral. Cientes do desejo do pai, as irmãs não tiveram dúvidas em realizar o desejo paterno. Essa decisão resultou na doação do fígado e das córneas de José. Natália Nascimento Paganini, filha mais velha, afirma que “a decisão não é fácil, mas foi a vontade do meu pai, expressada em vida. Por isso, os órgãos foram doados e nós nos sentimos em paz”.
Hoje, Natália e as irmãs incentivam a conversa em família. “É um assunto chato, mas um dia, diante dessa situação, a gente sabe que a decisão do nosso ente querido será concretizada”, reitera Natália. A médica Liliana Ujikawa deixa um recado importante: “Quando pensamos sobre atos heroicos, geralmente nos lembramos de atos que necessitam de habilidades especiais ou que demandam grande esforço. Mas nos esquecemos que existem muitos atos heroicos que são simples. Às vezes, uma conversa pode ajudar a salvar muitas pessoas”.
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