Pular para o conteúdo
Matão-SP · quinta-feira, 8 de outubro de 202621°Sol20° / 31°Tempo agora em Matão: 21 graus, Sol. Ver a previsão da semana.Ano 102Fundado em 1925Edição 5.361
A Comarca
Edição 5.3612 de outubroLer
Últimas
Uniara tem inscrições abertas para processo seletivo
Publicidade
Publicidade
Cidade

ARTIGO - Cidadania é vacina no trânsito

POR NETO MASCELLANI

Do acervo · publicada originalmente em 28 de setembro de 2021

Fonte: NETO MASCELLANI

Foto: Acervo A Comarca

ARTIGO - Cidadania é vacina no trânsitoAcervo · 2021
ARTIGO - Cidadania é vacina no trânsito

Felizmente, a pandemia está perdendo fôlego, mas ainda assim o país amarga milhares de casos de contaminação e centenas de óbitos decorrentes da covid-19. Em dias como segundas-feiras, quando todas as perdas não são contabilizadas no fim de semana, o consórcio de veículos da imprensa costuma divulgar em torno de 250 vítimas das variantes do coronavírus.

Acredite se quiser, mas este número macabro chega a ser inferior ao que o Infosiga (sistema de dados gerenciado pelo programa Respeito à Vida) registrou de mortos no trânsito em noites de sábado e domingo no período de janeiro de 2019 a julho de 2021. São 378 óbitos de condutores que perderam a vida com suspeita de embriaguez, de um total de 892 mortes, ou seja, 42% das ocorrências. Dessas vítimas, 18% são motoristas de 18 a 24 anos. Não tem como se acostumar com essa tragédia urbana.

Para se ter uma ideia desta chaga social, o valor gasto com internações relacionadas a acidentes de trânsito bate em torno de R$ 320 milhões por ano no Brasil e atinge um montante de R$ 70 milhões somente no Estado de São Paulo. Uma aberração! A única vacina que efetivamente salva vidas – tema desta Semana Nacional de Trânsito – chama-se cidadania. O remédio milagroso não depende de Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) de laboratório de multinacional para imunizar a população. É o antídoto para dar um basta nesta assustadora escalada de óbitos.

Embora a educação para o trânsito não seja uma atribuição exclusiva dos Detrans, conforme dispõem os artigos 74 e seguintes do CTB, enquanto presidente do Detran e da Associação Nacional dos Detrans (AND), tenho acompanhado o empenho dos meus pares em investir pesado em campanhas para formar o cidadão. É um trabalho hercúleo, desde a infância, que visa habilitar condutores com o mínimo grau de cidadania no trânsito. O que se busca é uma formação mínima que comece nos bancos de sala de aula e transmita para as crianças a importância do respeito às leis.

Em São Paulo, o Detran-SP renovou convênios com Prefeituras em duas frentes: uma, em parceria com a Fundação Mapfre, com ações educativas para reduzir os índices de sinistros de trânsito; e outra com a Fundação Volkswagen, cujo objetivo é contribuir para solucionar desafios reais da mobilidade urbana. Não se avança no trânsito seguro com um programa apenas e com ações isoladas, sem sinergia. É em regime de parceria, como fazemos com a Polícia Militar há 30 anos com o premiado Clube do Bem-te-vi, que começa a formar condutores responsáveis a partir do Ensino Fundamental.

São Paulo só registrou uma queda de 32% nos óbitos em sinistros de trânsito na Década de Ação para Segurança no Trânsito 2010-2020 graças às ações do Respeito à Vida, que tem merecido toda a atenção do governador João Doria e do vice Rodrigo Garcia. Os convênios com 304 municípios geraram mais de 10 mil projetos para melhorias viárias, além de iniciativas de educação e fiscalização, sendo 5 mil concluídas. Foram investidos mais de R$ 114 milhões. A meta em 2022 é repassar mais R$ 500 milhões.

O tratamento para um trânsito ainda doente passa por educação e investimento, mas também por capacitação, sinalização e cidadania, acima de tudo. Temos avançado, mas ainda há um longo e sinuoso caminho a percorrer até a cura.

Neto Mascellani é diretor-presidente do Detran-SP e da Associação Nacional dos Detrans

Publicidade
Publicidade

Comentários

Ninguém comentou ainda. O primeiro comentário pode ser o seu.

Leia também

Publicidade