Debates sobre Porto Seco voltam a ter repercussão
Grupo de investidores estaria interessado na implantação, afirma o vereador Robinho Ramos
Do acervo · publicada originalmente em 13 de agosto de 2021
Fonte: Rogério Bordignon
· Leitura de 8 min
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2021No último dia 4, o site Fala Matão publicou entrevista com a presidente da Câmara Municipal, Ana Maria Freire da Silva Mondini, que abordou o tema Porto Seco Trimodal com Estação Aduaneira junto o apresentador Alex Gazoni, ocasião na qual Ana lamentou que a Prefeitura de Matão não estaria se empenhando quanto à possibilidade de implantação de um Porto Seco na cidade.
Por duas vezes, a presidente afirmou que um mesmo grupo de investidores de Santa Catarina estava propenso a investir num Porto Seco em Taquaritinga, ao invés de fazer isso em Matão. Na segunda vez que afirmou isso, Ana citou que a informação sobre a propensão do investimento do grupo no município vizinho era proveniente do vereador Paulo Robson Ramos (Robinho).
Ana mencionou que reuniões com os investidores aconteceram na Câmara de Matão, inclusive uma delas com a presença do secretário municipal de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Saneamento e também de Desenvolvimento Econômico, Luiz Gonzaga Bussola. Por algumas vezes, ela lamentou a falta de empenho de Bussola e do prefeito Cido Ferrari, citando que Cido também já esteve reunido com Robinho.
Esta publicação do site foi veiculada em mídias sociais e gerou discussões sobre o tema, bem como comentários salientes a perda de outros investimentos e serviços por parte de Matão ao longo dos anos, além da demora do início de atividades do Poupatempo na cidade. Dias antes, já circulava por mídias sociais um vídeo providenciado pela Prefeitura de Taquaritinga, ilustrando como seria este Porto Seco no município vizinho.
NÃO SÃO OS MESMOS
No entanto, na manhã da quarta-feira (11), em entrevista a Beto Garcia no Jornal da Saudades FM, o prefeito de Taquaritinga, Vanderlei José Mársico, afirmou que o projeto do Porto Seco no município vizinho não tem vínculo algum com investidores de Santa Catarina. Vanderlei disse que o projeto é de sua iniciativa própria, que começou a ter destaque quando foi candidato e venceu sua primeira eleição para prefeito de Taquaritinga em 2016.
Reeleito em 2020, Vanderlei afirmou que o trabalho para se conquistar o Porto Seco para Taquaritinga é contínuo junto à iniciativa privada e aos governos estadual e federal. Recentemente foi providenciado um vídeo focando os pontos positivos do município vizinho, possível localização e imagens que mostram atividades de um Porto Seco, bem como outros aspectos inerentes.
Contudo, Vanderlei garantiu que não há tratativas com grupo de investidores de Santa Catarina e lamentou o fato de que celeumas políticas desnecessárias surgiram nos últimos dias, criando um clima de disputa que não deveria existir entre Matão e Taquaritinga. “Fizemos nosso projeto e buscamos o Porto Seco, trilhando o nosso caminho”, afirma.
“Que Matão faça o mesmo e que os dois municípios – ou outros mais – conquistem seus Portos Secos”, comentou Vanderlei, na Saudades FM. É importante frisar que, até o momento, Matão não perdeu a chance de ter um Porto Seco e que Taquaritinga não tirou a oportunidade de Matão – e nem nosso município impede que os vizinhos obtenham tal conquista.
VERSÃO DO SECRETÁRIO
Bussola cita que, há uns 90 dias, o convidaram a participar de uma conversa na Sala de Reuniões da Câmara de Matão. “Apresentaram um projeto e afirmaram que buscavam uma área, informando que seriam necessários 200 alqueires. No entanto, não disseram onde seria essa área, nem qual o proprietário, para que não houvesse interferência que pudesse prejudicar as negociações e a consolidação da área”, conta.
O secretário relata que conseguiu falar por telefone com Flávio Luiz Furtado (assessor de Governança do município de Itajaí, Santa Catarina), após algumas tentativas. “Ele me disse que quando estivesse em nossa região, marcaria uma reunião com o prefeito Cido Ferrari, mas não me pediu qualquer atuação, seja quanto a área, seja quanto a marcar uma reunião com o prefeito”, conta.
“Aliás, comentei sobre a possibilidade com Cido e coloquei a ele que Matão correria atrás desse projeto – sonho de longo tempo do saudoso ex-prefeito Adauto Scardoelli – e que deveríamos fazer de tudo para não perder essa oportunidade. Inclusive, já me reuni com alguns empresários de Matão em nome da Secretaria de Desenvolvimento, a qual também represento”, afirma Bussola.
“Telefonei ao Flávio novamente e ele me disse que tinha dificuldade na negociação de uma área pertencente a particular. Informei que estávamos à disposição para uma nova reunião, desta vez junto com o prefeito. Na semana passada, ele me disse por telefone que viria para conversar com o Cido. Na segunda-feira (9), reafirmei nossa disposição e, na sequência, marcamos uma reunião para em breve. Flávio, inclusive, disse desconhecer o projeto de outras cidades”, relata Bussola.
ROBINHO RAMOS
Na Sessão Ordinária realizada pela Câmara na segunda-feira (9), o vereador Robinho Ramos trouxe à tona o assunto ‘Porto Seco’. O legislador frisa que cinco reuniões sobre o assunto ocorreram, sendo a primeira em janeiro. “Eu e o Flávio tivemos mais duas reuniões até o primeiro encontro com Ana Mondini, Bussola e mais três representantes na Câmara. Depois houve mais uma conversa”, garante. Robinho destaca que a possibilidade do investimento para a construção de um Porto Seco em Matão surgiu devido a um diálogo entre ele e Ronei Mione.
“Comecei a ter contato com Ronei quando ele veio a Matão para serviços de terraplenagem. Foi ele quem me citou pela primeira vez sobre essa possibilidade, em janeiro. No entanto, eu já trabalhava neste projeto desde 2013, justamente por ser produtor rural e ter dificuldade no escoamento da produção agrícola”, resume o vereador.
Robinho considera que, em sua vontade, seria um projeto simples de armazém, acessado por ramal ligado à malha ferroviária principal que vai até o Porto de Santos. “No entanto, em seguidas conversas com outras pessoas como o consultor e projetista João Batista da Silva – responsável pela elaboração do projeto deste Porto Seco –, constatei que a dimensão era incomparável com aquela que imaginei”, reporta.
De acordo com Robinho, o Porto Seco contemplaria um Centro Logístico Industrial e Aduaneiro (Clia), Centro Integrado de Agrobusiness (CIA), Centro de Escalonamento Tecnológico (CET) e Complexo Industrial Logístico (CIL). “Sabemos do potencial logístico de Matão e do que o nosso município oferece para atrair um investimento deste e de outros portes”, sintetiza.
“Podemos considerar que se trata em perspectiva do surgimento de uma Aerotrópolis, ou seja, uma área logística que tem em suas proximidades ramais ferroviários, rodovias, aeroportos, crescendo ao seu entorno novos conceitos de moradia, lazer, saúde, educação, produção, comércio e tecnologia, que são capazes de estimular muito as economias locais, atraindo uma grande gama de negócios relacionados com diversos segmentos”, resenha Robinho.
Entre outros itens, neste Porto Seco estariam escritório administrativo, galpões, silos, tanques de combustíveis, transportadora, pátio para containers, câmaras frias, posto de combustíveis, atendimento hospitalar, hotel, restaurante, agência bancária, locais para armazenamento de produtos, estufagem e desova de containers, escritório da Receita Federal, segmento de pesquisa e tecnologia, usina de etanol proveniente de milho... “Já são 20 os potenciais clientes, de acordo com o projeto”, assegura o vereador.
“É necessário que a Prefeitura de Matão e outros setores se mobilizem o quanto antes, pois não podemos perder tal investimento, cujo aporte inicial seria de R$ 1,2 bilhão, podendo chegar ao total de R$ 2,5 bilhões. O funcionamento estaria previsto para no máximo dois anos e meio após o início das obras, sendo possível que a capacidade de operação completa esteja disponível em um ano e meio”, perspectiva Robinho, que na manhã da terça-feira (10) teve reunião com o prefeito Cido Ferrari.
Um antigo desejo
Assunto remonta ao final da década de 1990
Em 1999, Márcio José Camargo Ziglio, José Luiz Monnazzi e Antonio Augusto Coelho (o saudoso Português) revelaram, em entrevista para A Comarca, a intenção de formar um grupo voluntário de pessoas que traçassem e pusessem em prática um Projeto de Desenvolvimento Econômico e Social para Matão, tendo as diretrizes desta intenção formalizadas em março de 2000.
A partir daquele momento, o assunto Porto Seco foi ventilado pela imprensa matonense como um dos tópicos desta pauta de intenções desenvolvimentistas, propulsionada pela voluntariedade isenta de posição político-partidária. Sabe-se que, até hoje, o Porto Seco e outras perspectivas não se concretizaram. Por óbvio, antes destes pronunciamentos, outras vontades relacionadas ao provimento de um Porto Seco surgiram em Matão devido ao histórico exportador de empresas da cidade, mas não foram comentadas em veículos de comunicação locais como passaram a ser após o anúncio da perspectiva do mencionado projeto.
No entanto, um passo basilar foi dado com a revisão do Plano Diretor de Matão (PDM), que começou em junho de 2015, teve suas dez reuniões participativas concluídas em abril de 2016, entrega do Anteprojeto ao ex-prefeito Chico Dumont no dia 25 de julho de 2016, três Audiências Públicas (AP) na Câmara, reprovação pelo Legislativo no dia 28 de dezembro de 2016, quarta e quinta Audiências Públicas na Associação Comercial e Empresarial (ACE-Matão) e na Câmara, e aprovação pelo Legislativo no dia 28 de maio de 2018, sendo que leis complementares e emendas foram aprovadas após, ainda em 2018.
Esta revisão do PDM define uma área – em preempção – à leste da Rodovia ‘Brigadeiro Faria Lima’, ao nordeste de trecho da ferrovia, contemplando também trecho da Via ‘Carlos Fernando Malzoni’ até o altiplano na direção a Motuca, chegando às proximidades da Praça de Pedágio localizada perto do trevo de acesso a Dobrada. Esta área é destinada a um Polo Aeronáutico, podendo sediar um Porto Seco. A Comarca continuará acompanhando o assunto.
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