Como diferenciar as doenças de inverno da covid-19?
Segundo especialista, não há como distinguir clinicamente os sintomas
Do acervo · publicada originalmente em 24 de agosto de 2021
Fonte: Mariluci Schiavetto
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2021Durante a pandemia de covid-19, uma das questões que mais preocupam é como diferenciar as doenças de inverno – como gripe, resfriado ou rinite – da covid-19. De acordo com o médico otorrinolaringologista Walmir Eduardo Paixão D’Antonio, a resposta é, na verdade, tão simples como imprecisa: “É impossível diferenciar apenas com o quadro clínico, especialmente nos casos iniciais”, diz.
O médico explica que a ‘gripe sazonal’ (causada pelo vírus Influenzae) causa obstrução nasal, secreção nasal (desde clara e líquida até mais espessa e levemente amarelada), mal-estar geral, febre, irritação ou dores de garganta, dores de cabeça e tosse seca ou com eventual expectoração clara, podendo afetar o olfato e o paladar. “A intensidade desses sintomas varia muito de pessoa para pessoa e explica o que todos já sabemos desde sempre: pode-se ter uma ‘gripe fraquinha’ ou uma ‘gripona daquelas’”.
O ‘resfriado comum’ (causado por outros vírus como adenovívus, rinovírus, etc) causa basicamente os mesmos sintomas, mas com menor duração e intensidade. Normalmente são casos mais leves e incomodam menos. “Mas lembrem-se de que também há casos de gripes leves e todas essas infecções são, no início, caracterizadas por sintomas leves e que vão piorando ou não no decorrer dos dias”, informa o médico. A ‘crise de rinite’ – que não é uma infecção, mas uma reação inflamatória do trato respiratório a alguma substância que provoque alergia ou irritação – causa a mesma obstrução nasal, escorrimento nasal e irritação na garganta. Pode acompanhar tosse, dores de cabeça, sensação de ‘pressão no rosto’ e comprometer o olfato e o paladar.
Segundo Walmir, não há como diferenciar clinicamente – sobretudo nos primeiros momentos – tais sintomas daquelas queixas clássicas da covid-19, especialmente por uma parcela significativa de pacientes com covid-19 apresentar um quadro leve, apenas com queixas nasais, olfativas, tosse e irritação na garganta. “Mesmo a febre é ausente em vários pacientes com covid-19. Desse modo, a diferenciação é feita com o teste diagnóstico para pesquisa de covid-19 (PCR e/ou sorologias), que deve ser realizado em todos os pacientes com quadro respiratório agudo. Mesmo quando negativo, e em se havendo uma possibilidade diagnóstica consistente para covid-19, há que se lembrar dos ‘falsos negativos’, ou seja, pode ser necessário repetir o teste para confirmar se é, de fato, negativo”, adverte.
O médico ainda alerta que muitos pacientes procuram atendimento no quarto ou quinto dia de queixas, referindo estar com quadro de (suposta) gripe ou crise de rinite que não melhora. “Rotineiramente solicitamos o teste diagnóstico para covid-19 e, em alguns destes pacientes, confirma-se a infecção pelo coronavírus. Portanto, nestes pacientes, não se tratava de gripe ou rinite, mas sim de covid-19. O paciente já esteve em contato com diversas outras pessoas, foi trabalhar, fazer compras ou encontrar familiares, tendo sido, nesses dias, um potencial disseminador do vírus”.
Com a variante Delta do coronavírus surgindo no país, o afrouxamento das medidas sanitárias e a visível e progressiva redução de adesão da população aos já amplamente divulgados meios de prevenção, o especialista alerta: “Qualquer gripe, resfriado ou crise alérgica mais intensa devem ser considerados como covid-19 até que se prove o contrário. Nestes casos, mantenha-se em isolamento domiciliar, saindo apenas para buscar atendimento médico no Posto de Saúde ou Pronto Atendimento próximo da sua casa. E vá de máscara, cobrindo adequadamente a boca e o nariz”.
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