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Negócios

Geadas causam graves perdas na agricultura

Além da queda na produtividade, alguns produtores sofrem maior prejuízo com a morte das plantas

Do acervo · publicada originalmente em 30 de julho de 2021

Fonte: Rogério Bordignon

· Leitura de 4 min

Foto: Na Fazenda Macaúbas, a perda na produção da cana-de-açúcar deve ficar em torno de 30%

Geadas causam graves perdas na agriculturaAcervo · 2021
Geadas causam graves perdas na agricultura

Em vários municípios das regiões Sul e Sudeste, as geadas causaram graves perdas nas mais diferentes lavouras: cana-de-açúcar, café, laranja, hortaliças, vegetais, frutas, entre outras. O prejuízo sofrido por produtores locais não foi diferente. Para exemplificar uma das situações, A Comarca entrevistou Luciano Henrique Garbin Minatel, diretor agrícola da empresa Vimusa Agropecuária, sócio proprietário da Fazenda Macaúbas, localizada próxima ao distrito de Botelho, município de Santa Adélia (SP).

Quais produtos agrícolas vocês mais cultivam?

Nossa principal atividade agrícola, cultivada na área da Fazenda Macaúbas, é a cana-de-açúcar. Nas reformas dos canaviais, durante o verão, cultivamos soja.

Quando o clima provocou as maiores perdas?

Nossa região de atuação vem sofrendo desde abril do ano passado com a falta de chuvas regulares, que são de extrema importância para as plantações. No ano passado, as chuvas no período das águas, marcada pelo verão, demoraram para regularizar, começando a cair de verdade a partir da segunda quinzena de novembro, melhorando somente em dezembro. Contudo, as chuvas foram escassas em janeiro de 2021, perdendo somente para janeiro de 1992 – a contar desde 1976. Sofremos muitas perdas, com redução de mais de 30% na produção da soja. Nas plantações de cana-de-açúcar, sofremos com o baixo regime das chuvas desde 2020 e as perdas se intensificaram com as geadas ocorridas neste mês de julho, interrompendo o ciclo da cana desse ano com a morte da gema apical, que seca os colmos da cana, levando à redução gradativa de peso e produtividade. Estimamos que as perdas na cultura da cana também serão maiores que 30%, também comparando com anos anteriores. O ápice das perdas se dá com as geadas, considerando também que no momento em que o Sol foi aparecendo ocorreu o congelamento dos tecidos vegetais, fator que provoca a morte das plantas ou de suas folhas, ramos, frutos, caule.

O que fazer para amenizar as perdas?

A agropecuária brasileira – em geral e na sua maioria – é uma indústria a céu aberto, absorvendo de forma positiva ou negativa as interferências do clima. Prospera com a boa luminosidade, o calor e as chuvas regulares, mas também padece com a escassez destes fatores – principalmente das chuvas, que são de extrema importâncias para a bom desenvolvimento das culturas agrícolas. Para tentar amenizar o efeito das geadas é possível fazer uso da irrigação por aspersão, mas com essa rigorosa escassez de chuvas, intensificando a seca, somada as quedas bruscas da temperatura, esta prática não tem ajudado e, em alguns casos, tem piorado a situação. Em nosso caso, não temos essa estrutura e, na cultura da cana, o sistema de irrigação não tem se mostrado viável. Então, ficamos à mercê das interferências do clima. Os produtores, em sua maioria, procuram a boa condução das plantações, utilizando boas práticas de manejo – incluindo a conservação do solo – e a proteção ambiental, mantendo a vegetação nativa das nascentes e mananciais. Em tese é conduzir o agronegócio com sustentabilidade.

Quais as perdas de outros proprietários rurais em Matão?

As perdas de produtividade, provocando baixas na produção das plantações, por si só já resultam em altos prejuízos no agronegócio, mas o pior cenário – e alguns produtores estão sofrendo – decorre da morte das plantas por conta do congelamento provocado pelas geadas.

A temperatura despencou

A chuva que caiu na quarta-feira (28) precedeu a terceira onda de frio que Matão enfrenta em 2021. Na quinta-feira (29), às 7 horas, a maioria dos termômetros da cidade marcou 4 graus, mas nas áreas de baixadas, as temperaturas foram menores. A previsão é de queda nos registros da quinta para sexta-feira (30), começando a elevar-se a partir desta sexta para sábado.

As baixas temperaturas decorrem do fenômeno climático ‘La Niña’, que produz o resfriamento em grande escala das águas da superfície oceânica nas partes central e oriental do Pacífico Equatorial, além de mudanças nos ventos, na pressão e nas chuvas, o que permite o ingresso de mais massas de ar frio de origem polar no Brasil e outros países sulamericanos.

A atual massa de ar frio chegou ao país na quarta-feira (28), provocando queda acentuada de temperatura no Centro-Sul do Brasil e diminuindo os registros em estados das outras regiões brasileiras. Na Região Sul houve neve nas áreas mais altas das serras gaúcha e catarinense e no planalto de Santa Catarina. Geadas também ocorreram em municípios dos três estados do Sul, de São Paulo e do Mato Grosso do Sul.

Até o último dia 28, a menor temperatura registrada no Brasil em 2021 foi de -8,2°C, no dia 20, em Urupema, cidade localizada na parte mais elevada da serra de Santa Catarina, conforme medição do Epagri-Ciram – informação que consta no site Climatempo. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a menor temperatura já registrada no Brasil foi de -11,6°C, em Xanxerê, no oeste de Santa Catarina, em 1945.

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