Algazarra leva moradores da Nova Matão a pedir ajuda
Autoridades do município receberão reclamação formalizada por ofício
Do acervo · publicada originalmente em 15 de junho de 2021
Fonte: Rogério Bordignon
· Leitura de 6 min
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2021Problemas antigos voltam a incomodar – bastante – considerável parcela de moradores do bairro Nova Matão, sobretudo residentes ao entorno e imediações da Praça da Abolição. Por ali, voltaram à baila os recorrentes desrespeito e algazarra promovidos por pessoas de variadas idades – sobretudo jovens e até menores de idade – que não se importam com os moradores e o sagrado direito ao descanso.
Os depoimentos de residentes quanto ao desrespeito praticado variam dos mais leves – porém, perceptíveis – até cenas absurdas para um local público que deveria receber famílias inteiras, em paz e ordem. Segundo relatos feitos por moradores, a Praça da Abolição continua sendo esconderijo e local de consumo de drogas, seja durante o dia ou à noite.
Desde o último dia 1º de junho, o ‘Toque de Recolher’ determinado pelo Plano São Paulo vai das 22 às 5 horas em todos os municípios paulistas. “Mesmo assim, há aglomeração de pessoas que não usam máscaras. Isso pode ser constatado ao serem observadas as imagens de câmeras que foram compradas e instaladas por iniciativa de pessoas do bairro”, diz uma moradora.
“Um grupo de residentes da Nova Matão integra ao contexto do Programa ‘Vizinhança Solidária’, da Polícia Militar (PM). Comentamos sobre problemas que enfrentamos no grupo de WhatsApp inerente a este programa, mas a PM alega compromissos criminais prioritários e não nos atende quanto à balbúrdia em nosso bairro – sobretudo os arredores da praça – nas noites e madrugadas de sexta-feira, sábado, domingo, vésperas de feriados e feriados”, cita um morador.
“Já a Guarda Civil Municipal (GCM) responde sempre que não tem contingente e viaturas disponíveis. Talvez o comando da GCM precisaria inverter os turnos de trabalho nos finais de semana, pois o ponto crítico está no período noturno e não no diurno, que tem mais vigilantes disponíveis. Igualmente, o Setor Municipal de Trânsito é totalmente ausente no período noturno, a não ser quando integra ao comboio da Ação Conjunta. Precisariam inverter o horário de atuação”, sugere o morador.
“Pagamos rigorosamente impostos municipais, estaduais, federais e há multas e outros problemas se não pagarmos até a data definida. E lembremos: uma das maiores cargas tributárias do planeta. É nosso direito e obrigação do município, do Estado e da Federação, que encerre estas situações que nos deixam desprotegidos, inseguros, aflitos e expostos. Existem pessoas que acordam bem cedo para trabalhar – às 5 horas, às 6 horas – e que não conseguem dormir para descansar e retomar suas rotinas. É um absurdo pagarmos tantos impostos e não termos sequer o direito ao descanso”, argumenta outro morador.
“Não queremos empurrar o problema para outros bairros. Estes jovens, estas pessoas são bem-vindas na Praça da Abolição, mas são bem-vindas se nos tratarem com respeito, bem como a quaisquer outras que usem a praça ou estejam circulando pelas imediações. Venham, usufruam da praça, mas, por favor; compreendam que precisamos descansar e que a Praça da Abolição precisa ser mantida limpa. Mesmo quem mora há uns 50, 100 metros da praça, não suporta o som alto dos veículos”, relata a moradora.
“E pode fechar vidro, janela, veneziana... não adianta!”, completa outro morador. “Há leis municipais, estaduais e federais contra o som excessivo, mas não há a prática da fiscalização para o emprego destas leis”, continua. “Há estouros de escapamentos de motocicletas; veículos em alta velocidade; manobras e direção perigosas; danças; gritarias, trajes vulgares; moças fazendo coisas que talvez não fizessem diante dos seus pais ou responsáveis...”, reporta outra moradora.
“Trazem crianças que ficam correndo pela praça enquanto quem as trouxe promove esbórnia; há consumo de drogas e de bebidas alcoólicas; muitos já chegam em altos graus etílicos vindos de outros lugares. Por que não fazer uma blitz com uso do bafômetro? Pai, mãe, filhos, seriam muito bem-vindos – assim como todos – se não fizessem o que fazem”, considera um outro morador. “O chão da praça e entornos, na manhã seguinte, resumem um bom tanto do que ocorreu na noite anterior”, continua.
“Além do sistema de monitoramento por câmeras implantado, há cuidados destinados à Praça da Abolição. Foram instalados comedouros para que pássaros se alimentem; aplicado inseticida para se combater cupins; há cuidados com árvores, que não são maiores porque há duas torneiras na praça toda, entre outros zelos. Outras iniciativas podem surgir, se nos unirmos mais”, perspectiva um morador.
Outro morador frisa que “aqueles que causam desordem na praça se expõem enormemente à contaminação pela pandemia; além de contaminar, podem ser agentes condutores para outras pessoas, podendo ocupar um leito no hospital, daqueles que se resguardaram nos seus lares e que, porventura, sejam contaminados em uma real necessidade de ir ao supermercado, farmácia etc. Esperamos que as autoridades constituídas – que sabem que estão nestas posições para atender a população – superem dificuldades e façam somente prevalecer a legislação”.
Temendo represálias, os moradores se organizarão para oficializar em breve, via documento, a Polícia Militar; a Promotoria Pública; os setores municipais da Guarda Civil, Vigilância Sanitária, Fiscalização, Trânsito; Câmara Municipal; Conselho Tutelar; e outras autoridades. “Faremos isso o mais breve possível”, informa a moradora.
POLÍCIA MILITAR
Segundo o capitão PM Rodrigo Adriano Lopes, a Polícia Militar está à disposição da população. “O local citado pelas reclamações é uma tradicional praça pública do município, que recebe frequentadores diuturnamente, cuja competência de atuação é da Guarda Civil Municipal, uma vez que se trata de uma área pública municipal, de acordo com o Parágrafo 8º do Artigo 144 da Constituição Federal de 1988”, comenta Lopes.
“A Polícia Militar realiza diariamente operações policiais para combater o crime e coibir as infrações administrativas. Desde o início da pandemia de covid-19, realizamos operações conjuntas com os órgãos municipais da Fiscalização, Vigilância Sanitária, Agentes de Trânsito e Guarda Civil Municipal para coibir as aglomerações e atender as denúncias. Somente no mês de maio foram atendidos 2.509 telefonemas através do 190, que resultaram em 734 ocorrências atendidas, 209 boletins de ocorrências lavrados, 518 veículos de quatro rodas e 249 motocicletas fiscalizados”, descreve o capitão.
“As ocorrências policiais devem ser registradas através do atendimento 190, de emergência, para direcionamento das equipes policiais e registro do Boletim de Ocorrência de Perturbação do Sossego e, diante das informações, serão direcionadas as operações policiais ao local para coibir eventuais abusos”, informa Lopes.
Prefeitura poderá tomar novas medidas
Trabalho conjunto com Polícia Militar deverá ser intensificado
Desde o início do ano, a Prefeitura reúne guardas municipais, agentes de trânsito, da Vigilância Sanitária e do Setor de Fiscalização – contando com a Polícia Militar – para a realização de abordagens em endereços apontados, a fim de se evitar aglomerações. “Atualmente, o serviço de fiscalização é intensificado dia e noite pelas equipes. Para reforçar ainda mais as ações, está em andamento a campanha ‘AglomeraNão’, com objetivo de conscientizar e sensibilizar a população sobre a gravidade da aglomeração que, entre suas consequências, gera riscos de contaminação, falta de leitos hospitalares e medicamentos para todos”, afirma o secretário de Obras, Desenvolvimento Urbano, Trânsito, Defesa Civil e Habitação, Júlio Alberto Rodrigues Marques.
O secretário de Administração, Fazenda e Controle Interno, William Di Gaetano Bassi, explica que a Prefeitura tem mapeado locais onde ocorrem aglomerações e atua para coibir e dispersar estas pessoas. “A Praça da Abolição é um deles, onde as equipes atuam constantemente, visando garantir a segurança destas pessoas e dos moradores da região, mas infelizmente alguns insistem em desrespeitar as regras existentes para sua própria proteção. As ações da Prefeitura são intensificadas para melhorar a metodologia deste trabalho, inclusive, estudos estão em andamento e novas medidas serão tomadas em Matão”, alerta.
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