Pular para o conteúdo
Matão-SP · quarta-feira, 7 de outubro de 202624°Sol19° / 29°Tempo agora em Matão: 24 graus, Sol. Ver a previsão da semana.Ano 102Fundado em 1925Edição 5.361
A Comarca
Edição 5.3612 de outubroLer
Últimas
Uniara tem inscrições abertas para processo seletivo
Publicidade
Publicidade
Cultura e Variedades

Adauto deixa saudade

Com carisma e realizações, ele se tornou um dos maiores líderes da história política de Matão e foi o prefeito que por mais tempo governou a cidade

Do acervo · publicada originalmente em 17 de junho de 2021

Fonte: Sergio Gabriel

· Leitura de 5 min

Foto: Acervo A Comarca

Adauto deixa saudadeAcervo · 2021
Adauto deixa saudade

Era precisamente o dia 5 de outubro de 1996 quando estive com Adauto Scardoelli pela primeira vez. Era uma tarde festiva de sábado em sua residência, no Jardim Vivelândia, onde o entrevistei para a Edição Extra de A Comarca que circulou no dia 8 de outubro (uma terça-feira) com a manchete ‘E deu Adauto!’, registrando a dramática vitória – por apenas 123 votos de diferença sobre os obtidos por Rui Pinotti – na eleição que definiu o prefeito de Matão para o mandato 1997-2000. Na eufórica ocasião daquela entrevista, Adauto comemorava a façanha política que havia conquistado por meio do PT ao quebrar uma hegemonia de 28 anos do PMDB à frente da Prefeitura de Matão. E ainda fazia questão de ressaltar o que a história o havia reservado: ser o prefeito no Centenário do município (1998) e o governar no ano 2000. Porém, aos 43 anos, não fazia ideia de que a história haveria de reservar algo ainda maior para ele: governar por três mandatos completos, sendo o prefeito que por mais tempo norteou os rumos de Matão.

Após um longo período sob a linha peemedebista de governo, a Prefeitura de Matão logo passou pelas mudanças administrativas propostas por Adauto em seu plano de governo – com destaque para a implantação do Orçamento Participativo. Dentre outras medidas de gestão e obras realizadas, o primeiro mandato também foi marcado pela construção do Túnel da Liberdade (ligando os jardins Alvorada, Primavera, São José e Brasil) e pela criação do Instituto Matonense Municipal de Ensino Superior (Immes), autarquia que posteriormente foi transferida para a iniciativa privada e até hoje mantém ótimo nível de ensino nos cursos de Direito e Administração.

Porém, a administração municipal também teve seus percalços com a implementação do Instituto de Previdência de Matão (Iprema), que originou ações judiciais enfrentadas por Adauto até as vésperas da eleição municipal de 2020, quando foi expedida a sentença de absolvição. E a natural imaturidade política de uma primeira experiência à frente do Executivo municipal fez também com que houvesse um maior enfrentamento com o bloco oposicionista que ganhava corpo no Legislativo. Estas condições somadas a outros fatores políticos levaram ao insucesso da candidatura de Adauto à reeleição na disputa polarizada contra Jayme Gimenez, que detinha grande prestígio político – impulsionado por seus dois mandatos como deputado estadual.

Depois da experiência de se candidatar a deputado estadual em 2002, Adauto voltou a triunfar nas eleições municipais de 2004. Com o desgaste do governo de Jayme e a divisão de seu eleitorado com a candidatura do jovem Neto Mascellani, o voto fiel da militância petista fez a diferença e reconduziu Adauto ao comando da Prefeitura para o mandato 2005-2008, quando protagonizou uma brilhante gestão. Com muita habilidade política, projetos arrojados e interlocução direta com deputados estaduais e federais, além de secretários e ministros que compunham o governo Lula, Adauto conseguiu desenvolver diversos programas sociais e viabilizar uma série de obras fundamentais para alavancar o desenvolvimento da cidade, como o Complexo Viário 15 de Novembro, o Centro de Atendimento à Juventude (Caju), a interligação do anel viário, dentre outras (veja na página 5).

O resultado expressivo das urnas na eleição municipal de 2008, quando Adauto obteve 65% dos votos válidos na disputa polarizada contra Neto Mascellani, comprovou a ampla aprovação da população a sua administração e ainda lhe conferiu uma conquista inédita: pela primeira vez na história do município, um prefeito conseguia a reeleição e governaria Matão pelo terceiro mandato (não consecutivo). E após mais uma boa gestão, marcada também por grandes projetos habitacionais, Adauto abraçou a missão de eleger seu sucessor, o antigo companheiro de partido Chico Dumont. “Tenho dito aos companheiros que vou trabalhar mais para nosso próximo candidato do que trabalhei para mim. Porque tenho a obrigação de ir de casa em casa para falar de alguém que deposito toda a confiança para continuar o meu trabalho”, afirmou em entrevista para a Revista A Comarca – Matão 113 Anos (2011). E quando terminou a apuração dos votos na eleição municipal de 2012, com a apertada vitória de Chico Dumont sobre Edinardo Esquetini, Adauto vibrou e comemorou como nunca.

POLÍTICO NA ESSÊNCIA

Adauto sempre dizia que gostava do debate franco, aberto, de forma republicana (como se referia), e sabia quando as críticas eram construtivas. Por isso, seu relacionamento com A Comarca sempre foi de extremo respeito e consideração. Adauto tinha a exata consciência da importância documental deste jornal e sempre valorizou a sua vocação de registrar a história. Era um democrata no puro sentido do termo, sempre tratando a todos com humildade, educação e respeito, indistintamente. Era um político na essência! Carismático, inteligente, de sorriso fácil, memória privilegiada e convívio extremamente agradável, suas entrevistas eram invariavelmente pontuadas por observações bem-humoradas, seguidas pela contagiante gargalhada.

Desta forma, cativando a todos com seu carisma e liderança natural, Adauto se tornou imbatível nas urnas em Matão; o que foi novamente comprovado no pleito eleitoral de 2020, quando obteve 44% dos votos válidos e venceu com larga vantagem sobre os seis demais candidatos a prefeito. Em sua última entrevista para A Comarca, no dia 29 de dezembro de 2020, ocasião em que recordamos aquela primeira entrevista de 24 anos atrás, Adauto fez uma analogia para explicar a sensação de retornar à Prefeitura para iniciar seu quarto mandato: “É como se construíssemos uma casa ao longo da vida e, agora, parece que estou voltando para dar o acabamento; então não posso fazer feio, tenho que caprichar”. Com muita tristeza, acompanhamos a enfermidade que o abateu e o levou antes da hora.

Fará muita falta.

Publicidade
Publicidade

Comentários

Ninguém comentou ainda. O primeiro comentário pode ser o seu.

Leia também

Publicidade