A(s) história(s) de Adauto nas páginas de A Comarca
Ele foi a pessoa mais entrevistada pela revista comemorativa ao aniversário de Matão
Do acervo · publicada originalmente em 14 de junho de 2021
Fonte: Sérgio Gabriel
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2021Por ter se candidatado cinco vezes a prefeito de Matão, e até quando pleiteou a cadeira de deputado estadual em 2002, Adauto Scardoelli foi a personalidade mais presente nas entrevistas publicadas pelas revistas de A Comarca comemorativas ao aniversário de Matão, desde seu lançamento em 1973. Foram seis participações, justificadas também pela condição de prefeito em três mandatos completos, além das diversas entrevistas publicadas pelo Jornal A Comarca.
Na Revista A Comarca – Matão 99 Anos (1997), logo no primeiro ano do primeiro mandato de Adauto, escrevi na introdução que ‘sua conduta política extremamente carismática e populista, possui alguma semelhança com a do ex-prefeito Laert Tarallo Mendes, que iniciou a dinastia peemedebista em 1968, é irmão do (então) vice-prefeito Laércio Tarallo Mendes e pai de Zé Gordo, que foi adversário de Adauto’. Com a habilidade de sempre, ele declarou na ocasião: “Gostaria de render minhas homenagens ao ‘Laertão’. Não tive a honra de conhecê-lo, mas tive o prazer de conhecer a sua história. Assim como eu, que nasci em Taquaritinga, o Laert foi um ‘forasteiro’ que chegou a Matão e conseguiu se eleger prefeito, pois ele era natural de Itápolis”.
Os dois prefeitos voltaram a ser relacionados 14 anos depois, na revista comemorativa ao aniversário de 113 anos de Matão (2011), quando A Comarca destacou a importância do planejamento urbano para o desenvolvimento do município e para a qualidade de vida da população. Na seção ‘Ao Leitor’, escrevi que “esse foi um dos principais legados que o saudoso ex-prefeito Laert Tarallo Mendes deixou para Matão: uma cidade com largas avenidas, malha viária interligada e urbanisticamente projetada para as futuras gerações. Décadas depois, a malha viária urbana voltou a ser a tônica da administração municipal, com as gestões do prefeito Adauto Scardoelli apresentando obras relevantes como o Complexo Viário 15 de Novembro, o Túnel da Liberdade, pontes, rotatórias, prolongamentos e interligações de vias públicas”.
Carismáticos, inteligentes e realizadores, Laert e Adauto estão seguramente entre os maiores líderes políticos da história de Matão. Mas, infelizmente, as coincidências não pararam por aí. Assim como Laert, que faleceu em pleno exercício do cargo de prefeito no dia 2 de maio de 1981 (vítima de um infarto), Adauto partiu 40 anos depois, após concluir os quatro primeiros meses de seu quarto mandato. E assim como Laert, que tinha o ex-operário João Féchio como vice-prefeito, Adauto é substituído no cargo pelo ex-metalúrgico Aparecido Ferrari.
A seguir, destacamos algumas frases que Adauto disse em cada uma de suas entrevistas para as revistas de A Comarca.
“Estando na esquerda, num país como o nosso, o militante se encontra sempre numa luta. Ganhar ou perder é uma decorrência, o estar na luta que é o importante. Logo, eu entrei nas eleições para participar”.
Revista ‘A Comarca – Matão 99 Anos’ (1997)
“O anel viário que estamos ligando proporcionará uma economia fantástica à população. Hoje, Matão é uma cidade moderna, aberta, com liberdade para as pessoas irem e virem, uma cidade que caminha no rumo do desenvolvimento. E o sistema viário é um elemento fundamental”.
Revista ‘A Comarca – Matão 102 Anos’ (2000)
“Meu otimismo não é com a eleição. É com o Brasil, é com um ideal. Desde que entrei na militância política, com 14 anos, a única eleição que ganhei foi para prefeito de Matão, em 1996. Disputei uma série de eleições que não ganhei, e nunca perdi o otimismo. Porque minha vida política não é eleitoreira, é uma vida política de transformação. Essa luta é permanente. Se Deus quiser, vou morrer assim”.
Revista ‘A Comarca – Matão 104 Anos’ (2002)
“Quero implantar novamente o Orçamento Participativo. Ir até o povo, ouvir o povo. Fazer aquilo que o povo pede. Quando o povo participa, todos ganham”.
Revista ‘A Comarca – Matão 106 Anos’ (2004)
“O povo sabe distinguir a verdade da futrica. Há muito tempo acabou o voto de cabresto e o coronelismo. Nosso país não admite mais políticos nem propostas com o falso verniz da novidade. O povo sabe que o exercício do poder tem limites”.
Revista ‘A Comarca – Matão 110 Anos’ (2008)
“Quero que meu sucessor esteja tão bem no governo como eu estive em 2008, e que ele seja reeleito. Aí depois, meu filho, já estarei com praticamente 70 anos. Se Deus estiver me deixado aqui na terra, vou ficar curtindo a vida, cuidando dos netos, passando a experiência para os mais jovens; esse é o grande legado que deixamos de nossa vida”.
Revista ‘A Comarca – Matão 113 Anos (2011)
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