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Negócios

Matão e região têm razões para comemorar o 'Dia da Indústria'

Artigo - Rafael Cervone

Do acervo · publicada originalmente em 25 de maio de 2021

Fonte: Rafael Cervone - vice-presidente da Fiesp/Ciesp

Foto: Acervo A Comarca

Matão e região têm razões para comemorar o 'Dia da Indústria'Acervo · 2021
Matão e região têm razões para comemorar o 'Dia da Indústria'

Neste ‘Dia da Indústria’, 25 de maio, cabe destacar a importância da atividade na área de representação da Diretoria Regional do Ciesp de Matão, que inclui Dobrada, Motuca e Santa Ernestina. Nas quatro cidades vivem cerca de 100 mil habitantes e estão instaladas mais de 200 empresas dos setores de suco de laranja, alimentícias, metalmecânico e material elétrico. O Polo Aeronáutico de Gavião Peixoto, município limítrofe, ampliou o potencial de negócios, com a presença da Embraer e fornecedores de equipamentos.

Em Matão, o setor é responsável por 32,99% dos empregos formais, paga salário médio de R$ 4.292,22 - o maior dentre todas as atividades - e contribui com 43,21% do Valor Adicionado, segundo informações da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). As estatísticas demonstram o quanto é importante trabalhar para o fomento da indústria.

A agenda de fortalecimento e resgate de sua competitividade é muito relevante para o país, pois as nações que conseguiram dobrar sua renda média num período de somente 15 anos, foram aquelas que elevaram a participação do setor a um patamar acima de 20% do PIB. Por isso, precisamos vencer as barreiras que continuam dificultando seu avanço, como o atraso do marco legal, insegurança jurídica, burocracia, impostos exagerados, baixa disponibilidade de crédito e todos os fatores referentes ao chamado ‘Custo Brasil’.

Não podemos mais perder tempo. Na década recém-terminada, de 2011 a 2020, o mundo cresceu 30% e o Brasil, apenas 3%. Por isso, teremos de realizar em plena crise da Covid-19 o que negligenciamos há muitos anos, a começar pelas reformas estruturais - principalmente a tributária e administrativa - e adoção de uma eficaz política industrial, para que o setor tracione o desenvolvimento nacional.

Os números são incontestáveis quanto ao significado da indústria: embora represente 11% do PIB, responde por mais da metade das exportações de bens, 69,2% do investimento empresarial em P&D, 33% da arrecadação de tributos federais, 25% do total nacional de impostos e 31,2% da arrecadação previdenciária patronal; emprega 20,4% dos trabalhadores brasileiros; e é a atividade que mais promove a difusão de tecnologia e produtividade, segundo dados do IBGE.

Porém, o setor enfrenta grave perda de competitividade. Estudo do Movimento Brasil Competitivo (MBC) revelou que produzir no Brasil custa anualmente R$ 1,5 trilhão a mais, cerca de 22% de nosso PIB, do que na média dos países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Precisamos reagir de imediato, inclusive mobilizando as empresas, por meio de nossas entidades de classe no Estado de São Paulo - o Ciesp e a Fiesp -, para influenciar a modernização das leis que regem a economia e a adoção de uma política industrial eficaz e duradoura. Isso é decisivo para o Brasil crescer de modo sustentável, promover aumento e melhor distribuição da renda e alcançar um patamar mais elevado de desenvolvimento.

Também é fundamental capacitar os recursos humanos atuais e as futuras gerações para as mudanças em curso e o advento da inteligência artificial, internet das coisas, robotização, machine learning e digitalização da economia, cujo advento foi acelerado pela pandemia.

Nesse aspecto, a educação - ainda precária no Brasil - tem missão relevante, fator que demonstra o significado do Sesi-SP e do Senai-SP, vinculados à Fiesp, exemplos de excelência no ensino, que prestam serviços inestimáveis aos industriários, suas famílias e a toda a sociedade.

Os desafios são muitos. Porém, trabalhando com união e sinergia em torno de nossas entidades de classe - como se observa no âmbito da Diretoria Regional do Ciesp de Matão -, teremos melhores condições de construir um ambiente de negócios mais favorável. Os industriais são resilientes, capazes de superar adversidades e têm demonstrado muita competência para manter suas empresas vivas e gerar empregos em cenários desfavoráveis.

Por isso, apesar das dificuldades atuais e da grave crise relativa à pandemia, celebramos este ‘Dia da Indústria’ com esperança e a certeza de que o setor será protagonista de um novo e próspero Brasil.

*Rafael Cervone é vice-presidente da Fiesp/Ciesp (Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo).

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