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Cidade

Hospital de Matão pede socorro!

Instituição e população podem vivenciar calamidade por esgotamento de fármacos

Do acervo · publicada originalmente em 22 de maio de 2021

Fonte: Rogério Bordignon

Foto: Acervo A Comarca

Hospital de Matão pede socorro!Acervo · 2021
Hospital de Matão pede socorro!

Há aproximadamente dois meses, o Hospital ‘Carlos Fernando Malzoni’ reforçou suas solicitações de cooperação junto às autoridades matonenses quanto a necessidade do distanciamento social e da prática de outras medidas restritivas por parte da população, visando coibir o aumento dos casos de contaminação pelo coronavírus – que causa a covid-19.

Em entrevista a Silvano Marques (Rádio Cidade) nesta semana, o diretor técnico do Hospital de Matão, César Minelli, afirmou que o lockdown funcionou em municípios como Araraquara, São José do Rio Preto e outros, citando que Batatais recentemente adotou a mesma medida de restrição. “Precisamos bloquear a circulação de moradores de Matão em nosso município, bem como tomar a mesma atitude com relação a pessoas de outros municípios que queiram entrar em Matão”, disse Minelli.

“O hospital não para de receber pessoas. O Pronto Socorro está lotado, a enfermagem está esgotada e muitas profissionais deste segmento pediram demissão por não aguentarem mais atuar. Não há médicos suficientes; nossos funcionários estão sobrecarregados. E agora vivemos a iminência de uma calamidade, com a falta de remédios”, alerta o médico.

Minelli salientou que este é o momento de união para atitudes práticas. “Até agora, solicitamos, mas não houve resposta efetiva, não houve ação mais apropriada. Então, o momento é este: precisamos traçar juntos uma prática de atuação. Temos que unir Executivo, Legislativo, Ministério Público, empresários, para dialogarmos e definir medidas práticas”, salienta Minelli.

Paulo Bernardi pede apoio a vereadores

Manifesto do médico Flávio Borsetti foi lido na Sessão Ordinária da segunda-feira (17)

Na Sessão Ordinária realizada pela Câmara Municipal na segunda-feira (17), o vereador Paulo Augusto Bernardi – também assessor jurídico do Hospital ‘Carlos Fernando Malzoni’ – relatou a possibilidade de a instituição viver uma calamidade devido ao esgotamento de fármacos utilizados na sedação e bloqueio neuromuscular de pacientes críticos.

“Sou assessor jurídico há 22 anos e procuro ser o interlocutor entre o Hospital e a Câmara. Então, a pedido do médico Flávio Borsetti, anunciei aos vereadores que uma catástrofe poderá acontecer. Não sou ‘ave de mau agouro’, tampouco ‘profeta apocalíptico’. Não invento, nem aumento nada; somente peço o apoio dos vereadores para ajudar a Matão e região”, resume Bernardi.

“Quem quiser, pode ir comigo lá no hospital para conversar com a Denise (Paolinetti da Camara Minelli, superintendente), com o doutor Flávio (Borsetti, médico coordenador da UTI Adulto) ou com outras pessoas que – como eles – sabem qual é a tenebrosa expectativa em relação a extrema dificuldade em se realizar cirurgias e atender enfermos, sobretudo relacionados à covid-19”, cita Bernardi, solicitando empenho dos seus pares quanto a conscientização da população e para auxiliarem o Hospital a buscar alternativas para se evitar o esgotamento dos fármacos.

O Hospital de Matão ajuizou Ação contra a União, tentando obrigar o Governo Federal a fornecer os medicamentos. “E a falta de medicamentos não tem relação com os preços abusivos, mas sim com a falta deles no mercado e a iniciativa do Governo Federal em exigir que as empresas vendam somente para ele”, comenta o vereador. “Por favor, colaborem como for possível, em qualquer esfera de atuação”, solicita Bernardi que, em sua manifestação na Câmara, leu um depoimento do médico Flávio Borsetti, transcrito a seguir:

“Vivemos uma iminência de catástrofe sem precedentes! Estamos à beira do esgotamento de fármacos utilizados na sedação e bloqueio neuromuscular de pacientes críticos, situação que nos impede de atuar, que nos impede de salvar vidas, que nos deixará de mãos atadas frente a pacientes agônicos.

Precisamos de ajuda do Município, do Estado e da União! Estamos literalmente pedindo socorro. Não queremos e não podemos assistir mortes sem assistência adequada, pois isso nos matará também! Emocionalmente, estaremos mortos.

Por favor, nos ajudem! Reúnam forças, apelem às instâncias superiores, mas não deixem isso acontecer. Estamos preparados para lidar com perdas... faz parte, ainda mais diante de uma doença mortal. Mas não estamos preparados para lidar com a indignidade na assistência. Isso não! Nunca! Por favor, nos ajudem!”.

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