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Cultura e Variedades

Eduardo Waack publica o seu 10º livro

'O Rei e Eu' busca apresentar, de forma clara e acessível, a literatura e os grandes escritores universais

Do acervo · publicada originalmente em 26 de maio de 2021

Fonte: Eliana Saraiva

· Leitura de 5 min

Foto: Acervo A Comarca

Eduardo Waack publica o seu 10º livroAcervo · 2021
Eduardo Waack publica o seu 10º livro

Graduado pela “Universidade da Existência”, como ele próprio se descreve, Eduardo Antônio Waack de Almeida (Pato Branco, como é carinhosamente conhecido) pautou sua vida na literatura. Aos 57 anos, ele lança mais um livro com sua assinatura – ‘O Rei e Eu’. A mais recente publicação busca apresentar, de forma clara e acessível, a literatura e os grandes escritores universais. É destinada a todos os públicos, mas é especialmente indicada aos jovens e àqueles que não possuem o hábito da leitura, inclusive adultos.

De acordo com Waack, o livro traz um designer didático, dividido em capítulos curtos e atraentes. “O livro cria imagens com movimento, peso, textura, cor, odor e sabor, em todas as dimensões conhecidas: largura, altura, profundidade e tempo. Monteiro Lobato imaginou o livro comestível, em que o leitor degustaria as páginas após a sua leitura. Partindo dessa premissa, objetivo incentivar as pessoas a ler e a estudar, formando novos leitores, lembrando que o fantástico e a realidade tangível podem se encontrar. As coisas boas da vida nem sempre custam caro, e a imaginação é uma grande aliada da mente evolutiva”, pondera.

Eduardo relata que a motivação para esta publicação foi um ato de retribuição pelo que a literatura lhe proporcionou. “Em minha trajetória de vida, a literatura me trouxe alegrias, emoções, descobertas e aprendizados. Vivemos num tempo em que homens como Rui Barbosa, Machado de Assis, Pablo Neruda, Augusto dos Anjos e outros mestres são ilustres desconhecidos. Vejo as pessoas de meu tempo perdidas em labirintos tecnológicos, buscando o efêmero, envoltas por ilusões consumistas e inúteis, soterradas por toneladas de quinquilharias. É nosso dever indicar o caminho aos que vêm depois de nós. Mostrar o belo, a solidariedade, a força dos ideais e o amor comunitário. Quando alguém me diz que não gosta de ler, ou não tem o costume de ler, eu respondo dizendo que é porque talvez não tenha chegado às suas mãos o livro certo. Um livro honesto, simples, atraente. Um companheiro de viagens – uma viagem no tempo e no espaço, que se inicia dentro de nós e se exponde para o Cosmos infinito. Este é o propósito de ‘O Rei e Eu’: ser um companheiro de viagens, um confidente”.

O escritor informa que foram impressos inicialmente 500 exemplares de ‘O Rei e Eu’, com valor de venda a R$ 15,00 para Matão e R$ 25,00 para outras localidades. O livro pode ser adquirido diretamente com o autor, por intermédio do WhatsApp 99636-3417. “Registro meus agradecimentos aos apoiadores desta ação: Claudio Pecorari, Cristiano Rossi, Enéas Athanázio, Fernando Rossi, Flávio Aloisio Moraes, Jarbas Tortorello (saudoso), Luiz Pelanca, Luiz Roberto Baggio, Nelson Francischini Júnior, Sergio Janczeski e Simone Detoni, e a todos os demais que acreditaram neste projeto. Se a aceitação do público for boa, cogito imprimir novos exemplares”, menciona.

“UM SONHADOR INVETERADO”

Por meio de seus pais, grandes incentivadores desde pequenino, Eduardo logo tomou gosto pela leitura. “Aos nove anos já fazia minhas primeiras poesias. Em minha casa havia uma biblioteca muito grande, com livros os mais diversos, desde os escolares de meus pais até coleções, enciclopédias, dicionários. Eu passava boa parte de meus dias mergulhado naquele mundo com cheiro de naftalina e celulose. Quando mudamos para Pato Branco (PR), em 1972, minha família alugou um apartamento no primeiro andar de um edifício no centro da cidade. O apartamento ao lado era a sede de uma distribuidora de livros, que os vendedores ofereciam de casa em casa, de porta em porta, por toda a região. Eu vivia ali abrindo os pacotes; logo os proprietários me ‘adotaram’, e de tanto que eu bagunçava e procurava, ganhei deles as edições completas dos contos de Grimm, em dois volumes. Papai quase me fez devolver os volumes, pensando que eu havia surrupiado os livros, e foi conversar na distribuidora. Minha mente abraçava cada personagem, recriava cada história, misturando fantasia, realidade, suspense e o inusitado. Eu vivia o ‘absurdo normal’”, relata o escritor.

Sobre sua paixão pela literatura, Waack arrisca: “Talvez porque sou um sonhador inveterado. Procuro fazer as coisas ‘na medida do impossível’. Uma pessoa que vê a beleza e utilidade das coisas, e sobretudo das pessoas, de forma mais simples. Não sou aquele que se conforma com as regras e padrões estabelecidos pelo sistema; sou aquele que busca ir mais além. Certa vez, li pichado num muro: ‘pintar não é um dom, pintar é muito bom’. Pois eu transporto essa frase para a literatura: escrever não é um dom, escrever é muito bom. A gramática é nossa ferramenta desde que aprendemos as primeiras palavras. Através dela podemos nos desenvolver e expandir, conquistar o mundo, e também a nós mesmos. As palavras estão ao nosso alcance, possuem significado, e são gratuitas”.

AS LETRAS E MATÃO

Na visão de Eduardo Waack, a literatura matonense é como a literatura brasileira. “É como as artes em geral. Certa ocasião, Theodoro Marischen me disse que ‘O Boêmio’ ensinou o matonense a ler e a gostar de poesia. Pode ser verdade. O certo é que vivemos numa era de muita desinformação, ou de pouca informação relevante. Todos sabem um pouco de quase tudo e, ao mesmo tempo, não sabem para onde vão. Somos manipulados a todo instante. Vejo bons valores surgindo em Matão, jovens idealistas e consistentes. Fico feliz ao constatar que a literatura vem rompendo seu casulo, saindo dos diários ao encontro do leitor, e deixando as gavetas escuras para ganhar o mundo; abandonando os modismos, as panelinhas e caindo na boca do povo de modo literal”, afirma.

PERFIL

Casado com Valeria Chiozzini, pai de Dora Idioma, Luan José e Daniel Amós, avô de Gabriel, Samuel, Alice Marina e Gael, Eduardo Waack é o criador e editor do Jornal ‘O Boêmio’, fundado em junho de 1991. Nele circulam textos da literatura brasileira contemporânea, com ênfase para a ecologia, a fraternidade, o humanismo e a poesia. “É um jornal voltado para as artes em geral, que já passou por altos e baixos, mas segue firme cumprindo seu papel de levar a cultura aos mais distantes rincões de nosso país”, define. Nessa trajetória, Waack possui uma dezena de livros autorais publicados. São eles: ‘Canções do Front’ (1986), ‘Poesias Mesmo’ I e II, ‘João de Deus’ (cordéis, 1987), ‘Água’ (cordel, 1988), ‘A gota de orvalho suspensa na flor reflete o universo’ (2013), ‘Os guerreiros medievais têm medo de automóvel e liquidificador’ (2014), ‘Pessoas & Lugares’ (2015), ‘Daquilo que se pode dizer’ (2017), ‘Caderno de Viagem’ (2020) e ‘O Rei e Eu’ (2021).

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