Tapy, a tapioqueira com o selo 'aprovada pela mãe'
Conheça a história de um produto criado por um matonense e que já é sucesso pelo Brasil
Do acervo · publicada originalmente em 30 de abril de 2021
Fonte: Rogério Bordignon
· Leitura de 6 min
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2021Em Fortaleza (Ceará), Hilson Okada conheceu Luana Joyce Cavalcante Almeida. Todos os dias, Luana preparava suas tapiocas, mas como é alérgica a produtos de limpeza, a tarefa de limpar peneira, colher e fogão sobrava para Hilson. “Sinceramente, adorava as tapiocas, mas detestava limpar toda aquela bagunça”, diz ele.
Após procurar sem sucesso por produtos que o auxiliassem, Hilson criou um utensílio que substituísse de uma única vez o pote, a colher e a peneira, sendo adequado a armazenar a goma na geladeira e peneirá-la diretamente sobre a frigideira. “Então, comecei a pesquisar muito sobre patentes, processos fabris, desenvolvimento de produtos e biografias de empreendedores que já haviam lançado produtos no mercado”, relata Hilson, entrevistado por A Comarca.
Como surgiu a decisão de empreender em seu projeto?
A decisão de empreender surgiu antes mesmo do projeto. O falecimento do meu pai, Hiloshi, no final de 2015, me pegou de surpresa. Eu estava vindo de Fortaleza a Matão para visitá-lo, mas até então ele estava somente com uma simples intoxicação alimentar. Na conexão do voo em Brasília (DF), liguei o celular e vi a notícia de seu falecimento. Fiquei perdido. Pedi para enviarem um carro ao aeroporto de Cumbica (Guarulhos) para dar tempo de eu ir ao funeral. Após o enterro, fiquei em Matão para cuidar de questões familiares, inventários etc. E foi neste período que a vontade de empreender começou a despertar, pois meu pai sempre me incentivou a ter um negócio próprio. Voltei para Fortaleza e fiz cursos no Sebrae, pois estava disposto a investir o dinheiro do apartamento em uma franquia. Eu sempre tive muitas ideias para produtos, mas, até então, nenhuma tinha realmente mexido comigo. Todas eram devidamente anotadas e só. Até que num belo dia, a ideia da Tapy surgiu. Ela ainda não tinha forma definida, nem mesmo o nome, mas eu sabia que estava diante de uma grande ideia.
Como surgiu o nome?
Eu criei o nome a partir da palavra ‘tapioca’. Ele tinha que ser curto, fácil de lembrar e passar uma certa ‘meiguice’, pois o meu público principal seria composto por donas de casa. Depois de criar dezenas de opções, resolvi batizá-la de Tapy.
Como começou o projeto da Tapy?
Os primeiros protótipos eram jarras com peneiras coladas e um misturador, mas o importante é que funcionava! Tudo era feito na garagem de um amigo. Estudei patentes, desenvolvimento de produtos, mercado de utilidades domésticas, licenciamento etc. Até que resolvi arriscar tudo. Larguei a profissão e investi tudo o que tinha... e também o que não tinha.
Quem você procurou para desenvolver o produto?
Passei a procurar pessoas, empresas e instituições que me propiciaram mais conhecimentos. Contudo, foi Wilson Roberto dos Santos (Bulba), de São Paulo, quem realmente me mostrou o caminho das pedras para desenvolver o produto e o ferramental necessário para produzi-lo. Grandes amigos daqui de Matão que me ajudaram muito são Jorge Innocêncio da Costa, João Luís Guilherme Benassi, Roberto Luiz Cadioli, Edson Fazani, Gustavo José Lopes, Silvia Garcia, João Paulo Bottura, Douglas Maccagnan, entre outros tantos amigos que sempre apoiaram o projeto, testaram protótipos em suas casas e deram sugestões de melhorias, sendo minha mãe, Hitomi, a pessoa que mais deu dicas para a conclusão do projeto.
Qual a colaboração de sua mãe?
Eu passava dias em São Paulo e em São José do Rio Preto desenvolvendo protótipos que já me pareciam ser o produto final. No entanto, trazia o utensílio para minha mãe usar e ela me apontava melhorias que facilitavam o manuseio e a limpeza. Ela fez dezenas de testes até que finalmente a Tapy recebeu o selo ‘Aprovado pela Mãe’.
O que a confiança deste ‘selo’ lhe trouxe?
Me trouxe a certeza de que a Tapy seria um utensílio que realmente traria praticidade para o dia a dia das pessoas, diferentemente de outros produtos como, por exemplo, alguns multiprocessadores de alimentos criados somente por engenheiros sem levar em conta a opinião do usuário final. Produtos que acabam dando tanto trabalho para montar, limpar e armazenar, que terminam encostados em algum canto.
Quem recebeu a primeira unidade?
Minha mãe ganhou a primeira Tapy de presente e a usa todas as manhãs, até hoje. Tentei presentear meus amigos, mas eles fizeram questão de comprar. A Tapy foi lançada no dia 27 de maio de 2019 e o primeiro comprador foi um amigo de Fortaleza que viu o anúncio em redes sociais e me perguntou se era o produto que eu estava desenvolvendo. Confirmei que sim ao Gerardo Gadelha, que efetuou a compra.
Como acontece a comercialização?
A Tapy é vendida principalmente pela Internet através do site (www.tapy.com.br) e também por meio de Marketplaces, lojas físicas e grandes redes como, por exemplo, a Multicoisas. No entanto, o que mais me traz alegria é saber que centenas de pessoas como donas de casa, estudantes e também revendedores de outros produtos – como perfumes, recipientes plásticos e outros itens – viram na Tapy uma oportunidade para ampliar suas rendas, o que se intensificou com a pandemia quando muitas pessoas perderam seus empregos.
Cite um exemplo de pessoa que foi beneficiada por vender o produto.
Temos incontáveis testemunhos em nossas redes sociais. Mas um exemplo que me vem à mente é o do dono de um quiosque de venda de tapioca em um shopping center. Ele começou a utilizar a Tapy em seu estabelecimento e seus clientes se interessaram em adquirir o produto. Porém, veio a pandemia e ele teve que suspender as atividades naquele local. A alternativa encontrada foi focar na venda da Tapy, o que acabou resultando numa grande reviravolta em sua vida, pois o faturamento se multiplicou.
Em quais estados ela está no cotidiano das pessoas? Já houve exportação?
Vendemos a Tapy em todos os estados brasileiros e também atendemos a pedidos de Portugal, Canadá, Estados Unidos, Venezuela, Peru, Bolívia, Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai, África do Sul, Inglaterra, Espanha, Austrália, Nova Zelândia, entre outros países. Por não conter glúten, ser prática e saudável, a tapioca está se popularizando no mundo inteiro.
Você pretende fabricar a Tapy em Matão?
Desde o início, esta foi a minha vontade, tanto que os moldes para fabricação foram desenvolvidos aqui perto, em Rio Preto. Cheguei a visitar galpões para alugar em Matão e verificar condições de logística para operação. Porém, me deparei com dificuldades em encontrar mão de obra qualificada para operar injetoras de plástico, o que me obrigou a montar a fábrica em São Paulo, na Vila Marieta. No entanto, pretendo trazer toda a operação para Matão num futuro próximo.
Em quantas cores a Tapy está disponível?
São oito cores: vermelha, preta, branca, pink, roxa, laranja, turquesa e verde. Mas vem novidade por aí! Não posso revelar ainda, mas antecipo que será mais uma opção bem ‘estilosa’ para o nosso produto.
Hilson Okada é filho primogênito do saudoso Hiloshi Okada e de Hitomi Yokoyama Okada. Nasceu em Matão, no dia 28 de novembro de 1974. Aluno da EE ‘José Inocêncio da Costa’, EM ‘Adelino Bordignon’ e Anglo, se formou na Faculdade de Direito de Franca em 2000. Trabalhou como vendedor de veículos na então Fiat União (atual Fiat Confialle) de 2000 a 2002. Morou e trabalhou em Sidney (Austrália) por dois anos, do final de 2002 ao final de 2004. Em São Paulo, de 2005 a 2011, atuou como redator publicitário em quatro agências. Em 2011 mudou-se para Fortaleza, continuando a redação publicitária em outras três agências até o final de 2015. A partir desse período, a Tapy começou a ser criada e desenvolvida.
Comentários
Ninguém comentou ainda. O primeiro comentário pode ser o seu.









