Sincomércio pede atuação efetiva contra aglomerações
Entidade enviou ofícios para cinco órgãos públicos, no último dia 26
Do acervo · publicada originalmente em 2 de abril de 2021
Fonte: Rogério Bordignon
· Leitura de 6 min
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2021No último dia 26, o Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio-Matão) encaminhou os Ofícios números 10, 11, 12, 13 e 14 respectivamente para o capitão Rodrigo Adriano Lopes (comandante da 4ª Companhia da Polícia Militar de Matão), para a Guarda Civil Municipal (GCM, por meio do secretário municipal de Obras, Desenvolvimento Urbano, Trânsito, Segurança Pública e Defesa Civil, Júlio Alberto Rodrigues Marques), para os delegados Alfredo Gagliano Júnior e Marlos Marcuzzo, para a promotora Fernanda Hamada Segatto e para a Vigilância Sanitária Municipal.
“É do conhecimento de todos que o Governo do Estado coloca uma série de restrições de circulação de pessoas, com a finalidade de combater a expansão do contágio pelo coronavírus. Neste sentido, o comércio é a parte mais sacrificada, devido às sucessivas obrigações de interrupção do seu funcionamento. É desnecessário salientar o reflexo que isso está causando na situação financeira das empresas”, cita Antonio Geraldo Giannini (Toninho), presidente do Sincomércio-Matão.
Os ofícios destacam que o Plano São Paulo (PSP) também coloca uma série de restrições à circulação desnecessária de pessoas, incumbindo órgãos públicos como Polícias Militar e Civil, GCM, Vigilância Sanitária e até mesmo o Ministério Público como agentes fiscalizadores e repressores dos abusos eventualmente cometidos. “O que muito revolta os comerciantes é a grande circulação de pessoas – sobretudo jovens – em vias, praças e outros locais públicos para fazerem numerosas concentrações, com uso farto de bebidas, sem o uso de máscaras, sem que sofram fiscalização enérgica por parte dos órgãos públicos”, comenta Toninho.
Consta no texto dos ofícios que os comerciantes se julgam tolhidos de seu direito de trabalhar como se a atividade deles fosse uma fonte de circulação do vírus, enquanto muitas pessoas em nada colaboram e ainda assim não sofrem a mesma fiscalização imposta aos estabelecimentos comerciais. “Diante disso, o Sincomércio-Matão é fortemente pressionado por comerciantes para que se tome uma solução em que todos tenham o mesmo tratamento”, coloca o presidente.
“Teme-se até uma rebelião contra as ordens impostas pelo PSP, com o comércio voltando a abrir. Encarecidamente, solicitamos aos referidos órgãos, às partes pertinentes a cada um, para que haja repressão aos infratores, executando um plano aos finais de semana para colocar um ponto final nestas transgressões, pois o resultado é a grande perda que o comércio sofre”, frisa.
“Sabemos das dificuldades enfrentadas pelas Polícias Militar e Civil, sobretudo quanto ao baixo efetivo humano, a falta de equipamentos e recursos para as operações, salários muito defasados etc. A culpa não é da PM ou dos outros órgãos. Sabemos que o que impede o comerciante de trabalhar é o PSP elaborado pelo Governo Estadual, que não abre diálogo com os comerciantes e dita as regras”, considera.
“Quantas festas particulares são realizadas? Quantas aglomerações espalhadas por tantos lugares são responsáveis pela disseminação da covid-19? Não é o comércio o responsável por tantas pessoas nos hospitais, nas UTIs, por tantos corpos nos cemitérios! Por que restringir ao comércio e não combater o que realmente causa tantas perdas? Contamos com o efetivo apoio dos referidos setores para que tenhamos uma diminuição significativa da contaminação pelo coronavírus”, reivindica o presidente.
“Além do apelo às autoridades, o Sincomércio-Matão solicita para considerável parcela da população matonense que se conscientize e que cada um faça a sua parte. Não é hora de festa, não é hora de confraternização em família. Vamos ter empatia uns com os outros e juntos vamos vencer esse vírus. Fiquem em casa e se precisarem sair, usem máscaras e álcool 70%”, encerra Toninho.
APOIO
“Estamos passando por um momento único em nossas vidas, por mudanças de comportamentos e atitudes. Sabemos que o vírus se espalha mais rápido e fácil em ambientes com número elevado de pessoas e também pelo não uso de máscara. A Associação Comercial e Empresarial (ACE-Matão) apoia o Sincomércio-Matão e reitera o pedido às autoridades para que deem continuidade no trabalho preventivo contra as aglomerações em nosso município”, resume Jovani Pureza, presidente da ACE-Matão.
Comerciantes estão revoltados
Os depoimentos de Tânia Geraldo e Simone Costa traduzem o triste momento
“É entristecedor viver este momento gerado pela pandemia de covid-19. Chega a revoltar passar pelas avenidas Padre Nelson Romão, Baldan, perto de praças e ver pessoas próximas umas das outras, em grupos, ingerindo bebidas alcoólicas, sem usar máscaras. Também sabemos que se juntam no Distrito Industrial ‘Raphael Gimenez’, no bairro de Silvânia.
Do que adianta nós, comerciantes, tomarmos todas as precauções quanto às normas de vigilância sanitária, respeitarmos as restrições impostas unilateralmente pelo Governo do Estado, tentarmos ao máximo cuidar de nós, dos nossos familiares, dos nossos colaboradores e dos seus familiares? Do que adianta tantos esforços financeiros para honrar nossos credores e tentar manter nossos colaboradores empregados?
Chegamos a um ponto extremamente lamentável: o de não saber como será a nossa situação neste mês de abril que começa. Sequer conseguimos pensar no que podemos fazer para conseguir recursos financeiros para o próximo mês. É injusto sofrermos constantes fiscalizações e não podermos trabalhar como antes. Precisamos das portas abertas, do contato com nossos clientes, que seja mínimo, com toda a precaução.
A fiscalização dos órgãos públicos deveria atuar de maneira muito mais intensa e constante, impedindo as aglomerações em locais públicos. Há também as festas particulares, encontros de amigos e de familiares onde também ocorre a disseminação do vírus de forma mais intensa. Afinal, se o comércio fosse o principal propagador do coronavírus, já teríamos uma situação bem menos traumática”.
Tânia Aparecida Geraldo - sócia-proprietária da Tazu Calçados e Jô-Pé Calçados
“Já atuei como enfermeira e sei o que vivem os profissionais da saúde dentro de um hospital. Não enfrentei pandemia como enfermeira, mas tenho ampla noção do momento que estas pessoas passam. Por mais que peçam, por mais que imagens mostrem sofrimentos, enfermarias e UTIs lotadas, mortes, milhares e milhares de pessoas não respeitam as outras.
Está comprovado que o comércio não é o vilão destas altas quantidades de internações hospitalares e mortes. Se o comércio fosse o culpado, aprovaríamos as medidas de restrições impostas, mas não é. Os maiores responsáveis são estas pessoas que levam seus coolers cheios de bebidas para ruas, avenidas e outros locais. Os culpados são – principalmente – os jovens que sequer usam máscaras ou outros itens preventivos.
São eles que levam o coronavírus para seus pais, tios, avós, para os locais onde trabalham. Não somos nós, os comerciantes, responsáveis por esta situação traumática que está chegando a um ponto extremamente delicado, pois não temos mais de onde tirar recursos para honrar compromissos com aluguéis, contas e outras despesas.
Quando o comércio podia abrir suas portas e receber as pessoas em um balcão nas portas dos estabelecimentos, o movimento já era baixo. Depois da vigência das atuais restrições, tudo piorou. Eu, por exemplo, tenho que vender abaixo dos preços que comprei as mercadorias para tentar manter as portas abertas.
Nós precisamos trabalhar, receber nossos clientes com todas as precauções obrigatórias. Não podemos sequer abrir nossas portas para mostrar um produto, pois o fiscal está ali, pronto para multar. Estes fiscais estão no lugar errado! Deveriam multar os responsáveis por manter os altos índices de internações e mortes por covid. Deveriam acabar com as aglomerações, festas e encontros, os maiores responsáveis por este momento de sofrimento”.
Simone Costa - proprietária da Simone Modas
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