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Saúde

Hospital Carlos Fernando Malzoni pede socorro

Com o avanço da pandemia, a falta de leitos ameaça vidas com o colapso no sistema hospitalar

Do acervo · publicada originalmente em 12 de março de 2021

Fonte: Assessoria de Comunicação HCFM

· Leitura de 6 min

Foto: Acervo A Comarca

Hospital Carlos Fernando Malzoni pede socorroAcervo · 2021
Hospital Carlos Fernando Malzoni pede socorro

O mundo chega à marca de 118 milhões de contaminados e 2,7 milhões de mortos pela Covid-19. A pandemia do novo coronavírus alcançou as mais longínquas localidades do globo, sem escolher raça, religião ou condição social. A Covid-19 surpreendeu países considerados desenvolvidos, revelando a fragilidade de seus sistemas de saúde. Na nossa Matão não foi diferente. Há exatamente um ano, no dia 12 de março de 2020, o Hospital Carlos Fernando Malzoni, referência em atendimento médico de alta complexidade no Estado de São Paulo, reunia a imprensa para anunciar o primeiro caso suspeito de Covid-19 no município.

Passado o primeiro ano de pandemia, Matão chora a perda de pessoas próximas, amigos, familiares, colegas de trabalho. Essa tragédia acontece e, ironicamente muito próximo de nós, sentimos no ar o cheiro de churrasco e o som de baladas em alto volume, daqueles que preferem fazer de conta que esse problema de ordem mundial não existe. Quem ainda enxuga as lágrimas porque perdeu a mãe, um irmão ou um filho sabe que o problema é sério. A doença é implacável e, quando assume a forma grave, pode deixar sequelas e ainda levar o paciente à morte.

A vacina já existe, mas ninguém arrisca uma data para que todos os brasileiros estejam imunizados contra a Covid-19. Governo e Prefeitura decretaram medidas temporárias para contenção da pandemia, determinando regras de distanciamento social, visando manter a segurança e preservar as atividades essenciais que não puderam ser suspensas. As mortes se sucedem, os comércios fecham e cada um tenta sobreviver como pode.

Colapso previsto

Com o aumento do número de casos e uma variante de vírus mais agressiva, que também atinge os jovens, os hospitais passaram a sofrer com a falta de espaço, de médicos e profissionais de enfermagem. O Governo de São Paulo previu o colapso no sistema hospitalar para a segunda quinzena de março. Esse colapso, porém, veio antes. O Hospital Carlos Fernando Malzoni informou que a partir do dia 8 de março já não havia mais leitos de Unidade de Terapia Intensiva - UTI para atender a todos os pacientes. O Hospital tem apenas oito leitos de UTI habilitados pelo SUS sendo financiados e aguarda há vários meses o credenciamento de outros cinco leitos que foram ofertados. Mesmo assim, arcando com todas as despesas pela falta de credenciamento, o Hospital tem mantido uma média acima de 15 pessoas internadas na UTI, pelo SUS. Só esse fato causa um enorme déficit mensal para a entidade.

Plano de Contingência

Desde o início da pandemia, o Hospital Carlos Fernando Malzoni se organizou buscando alternativas para suportar determinadas demandas de atendimento: criou mais leitos de UTI e de enfermaria específicos para a Covid, organizou o fluxo de atendimentos no pronto socorro, assim como elaborou protocolos de atendimentos baseados em recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS), Ministério da Saúde e Anvisa. Além disso, treinou todas as equipes da linha de frente, sabendo do risco eminente de colapso no sistema de saúde que já estava se desenhando no mundo todo e aqui não seria diferente.

A superintendente e administradora do Hospital, Denise Minelli, informa que “usou parte do Plano de Contingência devido ao colapso ocorrido nas UTIs da região e de todo o estado de São Paulo. Não tínhamos mais onde colocar os pacientes graves”. Havia pacientes instalados nas enfermarias que necessitavam de UTI e, por isso, o Plano de Contingência foi executado. Por medida de segurança, foram canceladas todas as cirurgias e procedimentos eletivos, com o objetivo de - além de diminuir contaminação e risco de contágio - desocupar espaço físico, equipamentos, disponibilizar médicos e enfermagem para atendimento. Uma parte do Centro Cirúrgico, onde fica a sala de recuperação, foi isolada e transformada numa UTI suplementar. Outra parte se manteve ativa para cirurgias de urgência e emergência, não comprometendo em nada o serviço.

Esse Plano de Contingência tem como foco o cidadão matonense. Por isso foram criados outros leitos tipo UTI, pois a necessidade é muito grande. Por isso, o Hospital vai ter muito mais despesas, mas com o objetivo único de salvar vidas. Esse cancelamento de cirurgias e implantação do Plano de Contingência acarretarão uma perda considerável de receitas e um aumento brutal das despesas, fatos que culminam com o déficit mensal que o Hospital tem suportado. Segundo a superintendente do Hospital, “fizemos uma UTI nesse local, otimizamos recursos porque o setor já é equipado, tem médicos anestesistas, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, recebemos suporte de médicos da UTI, fisioterapeutas e estamos fazendo um esforço sobre-humano para salvar vidas” relata Denise Minelli.

Falta de recursos

Como os leitos suplementares não são habilitados pelo SUS, o Hospital não será reembolsado por esses leitos. A administração do Hospital esclarece que “estamos abrindo esses leitos pensando exclusivamente nas vidas que poderão ser salvas. Não iremos receber nada por esses leitos, teremos que arcar com esses custos”. A estimativa mensal de custos desses novos leitos ultrapassa R$ 800 mil mensais, e todo esse dinheiro precisa ser levantado com a população, com o Poder Público e com empresários, pois o Hospital não tem recursos e nem fonte de onde tirar toda essa importância. Mas todo o esforço da entidade visa salvar vidas e fazer o possível para atender cidadãos matonenses, evitando transferência para outras entidades hospitalares, principalmente porque neste momento não existem vagas disponíveis em nenhuma UTI das cidades da região.

A situação se torna dramática quando se percebe que os esforços do Hospital parecem não ser suficientes para absorver a demanda de novos casos de Covid. Algumas empresas conscientes das dificuldades do Hospital resolveram ajudar. Duas grandes empresas apoiaram a construção de mais cinco leitos de UTI que estão em fase de conclusão, mas os recursos doados foram insuficientes. Com o aumento dos custos de construção por conta da pandemia e a necessidade de equipar os novos leitos, o Hospital terá que investir cerca de R$ 1 milhão para concluir a obra.

Ainda faltam equipamentos, e o Hospital tem organizado campanhas para que a UTI esteja pronta – e completa – o quanto antes. As dificuldades da pandemia esbarram em outros fatores: o custo de alguns medicamentos aumentou em até 3.000%, mantendo uma média de 300%. A Diretoria do Hospital afirma: “Não temos condições de absorver todos esses custos. Por isso precisamos contar com a ajuda dos empresários e da população neste momento difícil que estamos enfrentando. Estamos nos esforçando ao máximo para salvar vidas, para não deixar ninguém sem assistência, sem ventilação mecânica, sem oxigênio, sem medicamentos para que a gente possa vencer essa pandemia de Covid-19”.

O apelo é feito em nome do Hospital Carlos Fernando Malzoni, havendo a esperança de que ele possa alcançar e sensibilizar a população matonense e da região, que reconhece o quanto essa instituição é digna e precisa receber a sua ajuda. Vidas poderão ser salvas se as pessoas ajudarem o Hospital. E nunca é demais recordar: nenhuma medida será eficaz se não nos conscientizarmos da necessidade de manter o distanciamento social, usar máscara, álcool gel e tomar todas as cautelas recomendadas pelas autoridades sanitárias.

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