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Doria anuncia abertura de mais 338 leitos para Covid até final de março

Serão 167 leitos de UTI e 171 de enfermaria em hospitais estaduais, municipais e filantrópicos do estado. Até esta terça (9), ao menos 30 pessoas com coronavírus morreram na fila à espera de vaga em UTI.

Do acervo · publicada originalmente em 10 de março de 2021

Fonte: G1 SP — São Paulo

Foto: Acervo A Comarca

Doria anuncia abertura de mais 338 leitos para Covid até final de marçoAcervo · 2021
Doria anuncia abertura de mais 338 leitos para Covid até final de março

O governo de São Paulo anunciou nesta quarta-feira (10) a abertura de mais 338 leitos para pacientes de Covid-19 até o final de março. O número, entretanto, representa um valor abaixo do que o sistema de saúde, nas redes públicas e privadas, recebeu de novas demandas nos últimos dias. Segundo o secretário estadual da Saúde, apenas a criação de novos leitos não é suficiente para conter o avanço da pandemia no estado.

Desde 27 de fevereiro o total de pacientes internados bateu recordes todos os dias e, nesta terça (9), chegou a 20,3 mil pessoas, entre pacientes internados em enfermaria e em UTIs. Em 27 de fevereiro, eram 15.517 pacientes nesta situação em São Paulo.

Este aumento significa que, em 11 dias, foram 4.797 leitos ocupados a mais, o que corresponde a uma demanda de 436 leitos extras por dia em todo o estado, considerando hospitais públicos e privados, neste período.

Durante a coletiva, o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, afirmou que a criação de leitos exige uma complexa estrutura hospitalar e admitiu que o estado não tem condições de suprir a atual demanda, principalmente para casos mais graves.

"Estamos aumentando da forma que conseguimos. Quando eu falo aumentar número de leitos não é simplesmente um colchão, uma cama e um respirador. É além disso: a equipe que vai dar assistência a esse paciente. Estamos internando 130 pessoas a mais por dia nas UTIs. Nós não temos fôlego para abrir na mesma velocidade o número de leitos."

A necessidade de liberação de leitos, principalmente de UTI, passou a ser imediata, uma vez que diversas cidades já registram colapso no sistema de saúde.

Um levantamento feito pelo G1 nesta terça mostrou que ao menos 30 pacientes com Covid-19 morreram na fila de espera por leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no estado de São Paulo nestes primeiros nove dias de março.

As mortes de pacientes que aguardavam liberação de leitos intensivos ocorreram em cidades localizadas na Grande São Paulo e no interior do estado.

Restrições mais rígidas

Desde o último sábado (6), todo o estado está na fase vermelha, a mais restritiva pelo Plano SP. A previsão era de que fossem anunciadas medidas restritivas mais rígidas nesta quarta.

Entretanto, a gestão de João Doria disse que ainda estuda mudanças e avalia tanto a decisão da Justiça de proibir a convocação de professores para trabalhar presencialmente quanto a recomendação para fechar escolas e templos religiosos.

"A questão dos cultos religiosos, ela é complexa e nós estamos aqui discutindo. Se for necessário [determinar] novas medidas, eventualmente uma delas está relacionada aos cultos religiosos", disse o coordenador do Centro de Contingência da Covid-19, Paulo Menezes.

Pela regra, a fase vermelha autoriza apenas o funcionamento de setores da saúde, transporte, imprensa, estabelecimentos como padarias, mercados, farmácias e postos de combustíveis, além de escolas e atividades religiosas, que foram incluídas na lista de serviços essenciais por meio de decretos estaduais.

Em entrevista à GloboNews nesta quarta (10), o procurador-geral de Justiça, Mario Luiz Sarrubbo, defendeu o fechamento de todos os setores, inclusive escolas.

Nesta terça, ele já tinha recomendado ao governador João Doria (PSDB) que suspenda a realização de cultos, missas e outras atividades religiosas coletivas, além de todos os eventos esportivos, como jogos de futebol.

Colapso

Nesta terça-feira (9) a média diária de mortes por Covid-19 no estado foi de 298 óbitos, recorde pelo segundo dia seguido. A taxa de ocupação de UTIs, com 82%, também foi a maior de toda a pandemia, bem como o total de pacientes internados em leitos intensivos e de enfermaria, que chegou a 20,3 mil pessoas.

Além disso, 13 cidades da Grande São Paulo já têm 100% dos leitos de UTI ocupados com pacientes que estão com coronavírus.

A situação mais grave é a de Taboão da Serra, onde 11 pessoas morreram desde sexta-feira (5) à espera de vagas.

A lotação também abala a rede particular da capital paulista. Na terça, o hospital Sírio-Libanês divulgou medidas para ampliar a acomodação de pacientes com Covid-19, dada a elevada taxa de ocupação de leitos.

Foram suspensas cirurgias eletivas estéticas e funcionais e de intervenção guiada por imagem, além de exames também eletivos de colonoscopia, endoscopia, broncoscopia e exames ambulatoriais de polissonografia.

Na rede pública da capital, a prefeitura quer transferir pacientes sem Covid da rede municipal para hospitais particulares e liberar leitos para a doença no SUS.

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