Área de soja plantada no município aumentou
Crescimento nos últimos dez anos foi de aproximadamente dez vezes
Do acervo · publicada originalmente em 17 de março de 2021
Fonte: Rogério Bordignon
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2021A área de soja plantada em Matão aumentou praticamente dez vezes nos últimos dez anos, saltando de 500 a 600 hectares em 2011 para aproximados 5 mil hectares neste começo de 2021. Sobre o assunto, A Comarca entrevistou Francisco Ricardo de Toledo (Chicão), diretor executivo da Agrofito.
Quando começou a interação de Matão com a soja?
Em julho de 2011, o professor da Universidade Federal da Fronteira Sul (Santa Catarina), Claiton Mário da Silva, teve um artigo divulgado na 26ª edição do Simpósio Nacional de História. Intitulado ‘Ciência e Nação: Nelson Rockfeller, o Ibec Research Institute (IRI) e os caminhos da ocupação do Cerrado (1946-1980)’, o artigo mostra a importância dos experimentos e práticas desenvolvidas pelo Ibec-IRI em municípios de São Paulo, Minas Gerais e Goiás, bem como no Distrito Federal. Tais trabalhos envolveram técnicas de conservação e utilização do solo para o plantio e cultivo de commodities, principalmente café, milho, algodão e soja. No Estado de São Paulo destaca-se o trabalho do Ibec-IRI em Santa Rita do Passa Quatro, São José do Rio Pardo e Matão. Então, desde meados do Século 20, Matão já tem sua conexão com a agricultura brasileira, principalmente a desenvolvida e praticada no bioma Cerrado.
Qual é a estimativa de colheita para a safra brasileira de soja 2020-2021?
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou novo recorde brasileiro na safra de soja: 133,8 milhões de toneladas. Até meados do próximo mês de maio, saberemos se o recorde nacional foi batido ou não – que, segundo a própria Conab, foi de 124 milhões de toneladas na safra 2019-2020.
O crescimento da soja também acontece no Estado de São Paulo?
Sim. Em terras paulistas, em 2010, tínhamos 486 mil hectares de soja. Hoje, são 1,1 milhão de hectares, saindo de uma produção de 1,3 milhão de toneladas em 2010 para 3,7 milhões em 2020. Portanto, a produção paulista de soja quase triplicou em dez anos.
Embora crescentes, os números da soja paulista ainda estão bem abaixo dos estados brasileiros que mais produzem.
Estão. O maior produtor nacional é o Mato Grosso, com 33,4 milhões de toneladas, seguido pelo Paraná (19,7 milhões) e Rio Grande do Sul (18,6 milhões). Estes números referem-se à safra 2019-2020, lembrando que a safra atual está acabando.
Onde se planta soja no Estado de São Paulo?
Do total de 1,1 milhão de hectares destinados à cultura da soja em terras paulistas, cerca de 50% está em áreas de rotações de culturas com a cana-de-açúcar, sendo que a cana é cultivada nas regiões Centro, Norte e Nordeste de São Paulo.
E em Matão? Qual a situação da soja?
Em Matão, há dez anos, estimo que tínhamos de 500 a 600 hectares de soja; na safra 2020-2021, houve um salto para mais ou menos 5 mil hectares. Saliento que houve uma expansão dos estimados 3,5 mil hectares de soja da safra 2019-2020 para 5 mil na safra 2020-2021. Um dos motivos para este crescimento foi o aumento do custo de produção da cana-de-açúcar, que reduziu o lucro esperado pelos produtores; eles aproveitaram o cultivo da soja em rotação com o da cana para restabelecer um resultado positivo. O preço da soja também estimulou esse crescimento. Quase toda a soja colhida em Matão é vendida para a Cargill, Bunge e Cutrale.
Qual o preço da soja?
O preço da saca de soja se tornou muito convidativo, pois aumentou de uns R$ 50,00 em 2011 para R$ 169,31 na quinta-feira (11). Dois fatores elevaram estes preços: a alta do preço do Dólar e o próprio preço da soja em Dólar, pois o bushel foi de US$ 9,50 na safra 2018-2019 para US$ 14,60 na semana passada. Este aumento é devido a demanda mundial, sobretudo porque a China entrou comprando mais no mercado.
Os números mostram que os produtores de soja obtêm bons lucros.
Essa safra, para aqueles produtores que não comercializaram sua soja com antecedência, pode galgar excelente resultado financeiro. Porém, não é bem essa a realidade da maioria dos produtores, pois os contratos de venda foram fixados em meados de 2020, quando a saca tinha um valor entre R$ 80,00 e R$ 90,00. Estimo que ao menos 50% da produção está nessa condição, sendo que hoje a saca vale quase R$ 170,00. Além disso, os insumos usados para o plantio e tratos culturais têm preços dolarizados, o que faz o produtor pagar mais para cultivar a soja devido à escalada do Dólar.
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