Supermercados lideraram vendas do varejo em 2020
Auxílio emergencial contribui, pois o setor previa queda de 3% se não houvesse esse apoio
Do acervo · publicada originalmente em 7 de janeiro de 2021
Fonte: Mariluci Schiavetto / com informações da Apas e da Fecomercio-SP
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2021Após alguns meses de oscilação nos preços de produtos da cesta básica, principalmente naqueles impactados pela alta exportação da soja e do milho, os supermercados esperam registrar um aumento de 8% nas vendas em dezembro. De acordo com pesquisa mensal sobre o faturamento real dos supermercados no estado de São Paulo, divulgada pela Associação Paulista de Supermercados (Apas), no acumulado de outubro foi registrado um crescimento de 4%. Em 2019, o acumulado para o mesmo período foi de 0,6%. Assim, a expectativa é de que as vendas de fim de ano de 2020 superem em 2% as registradas em 2019.
Setores como de supermercados e lojas de materiais para construção foram decisivos para manter o crescimento do varejo paulista. Dados da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV) e da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) revelam que esse crescimento representa um aumento de R$ 12 bilhões no orçamento deste final de ano. Ou seja, foi um resultado surpreendente em meio à crise causada pela pandemia de covid-19, graças também ao auxílio emergencial concedido pelo governo federal. Pelos cálculos da entidade, o setor previa uma queda de 3% se não houvesse esse apoio concedido a partir de abril.
As estatísticas também foram marcadas por desempenhos assimétricos, jamais vistos na história do comércio de São Paulo. Na comparação entre o melhor resultado do ano (as lojas de materiais de construção tiveram alta de 15%) e o pior desempenho (as lojas de vestuário, tecidos e calçados registraram queda de 25%) há uma diferença de 40 pontos porcentuais. Para se ter uma ideia, essa diferença foi de apenas 8 pontos porcentuais em 2019.
Para o empresário Felipe Buttignon, da Rede Palomax de Supermercados, as vendas de 2020 surpreenderam com aumento significativo no faturamento. “O auxílio emergencial contribuiu muito para isso, juntamente com as mudanças no perfil de consumo que vieram como consequência da pandemia da covid-19. Em casa, as pessoas passaram a consumir mais”, revela. Segundo Felipe, as promoções de itens típicos da época também ajudam a aquecer as vendas. “Estamos com promoções nos produtos sazonais desde a véspera do Natal; essas promoções vão prosseguir até acabarem os estoques”, informa.
PROJEÇÕES PARA 2021
É possível notar a disparidade dos desempenhos por meio do montante arrecadado entre os segmentos considerados essenciais – como o de supermercados –, que vão terminar o ano com R$ 39 bilhões a mais em suas receitas do que em 2019, enquanto as atividades mais impactadas pelas restrições de circulação – como lojas de roupas e concessionárias de veículos – acabarão 2020 com R$ 27,4 bilhões a menos. Considerando as incertezas do cenário econômico para 2021, a Fecomercio-SP estima que o comércio paulista termine o ano com crescimento de 1%, desde que o governo federal se comprometa com a agenda fiscal, avance nas reformas e apresente um projeto crível de privatizações.
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