Justiça suspende liminar que proibia retorno às aulas no estado
Sindicado dos professores informou que vai recorrer da decisão e sinaliza greve
Do acervo · publicada originalmente em 29 de janeiro de 2021
Fonte: uol
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2021O presidente do TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo), desembargador Geraldo Francisco Pinheiro Franco, suspendeu a liminar que proibia a volta às aulas nas escolas públicas (estaduais e municipais) e particulares, em cidades que estiverem nas fases vermelha e laranja do Plano SP de retomada econômica durante a pandemia do novo coronavírus. A decisão foi tomada hoje, após o Governo do Estado de São Paulo entrar com uma liminar pedindo a volta das aulas presenciais.
A decisão do presidente do TJSP é uma tutela antecipada e o mérito ainda será julgado por um órgão colegiado do TJSP.
O retorno das aulas nas escolas públicas havia sido determinado pela gestão de João Doria (PSDB) inicialmente para o dia 1º de fevereiro. Porém, em 22 de janeiro, esse prazo foi alterado para 8 de fevereiro, para que os professores tivessem mais tempo de preparação em meio ao aumento de casos da covid-19 no estado. Já nas escolas particulares, a volta continua autorizada para a próxima segunda-feira (1º).
A Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), informou, logo após a decisão da Justiça, que irá recorrer e sinalizou que convocará uma greve a partir do primeiro dia de volta às aulas nas escolas públicas, em 8 de fevereiro.
De acordo com o sindicato, a decisão do TJSP "não atacou pontos importantes levantados pela entidade, notadamente a precariedade da infraestrutura das escolas públicas estaduais e o risco de contágio de profissionais da Educação e estudantes, ambos amparados por dados técnicos, produzidos pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e por autoridade médica renomada, que não foram questionados pelo Governo do Estado"
Na argumentação, o presidente do TJSP ratifica que o Decreto Estadual nº 65.384, de 17 de dezembro de 2020, "permitiu a retomada gradual das aulas presenciais e em harmonia com o Plano São Paulo". Por determinação do governo estadual, nas fases vermelha e laranja as salas de aula devem ter 35% da capacidade; na amarela 75% e na verde 100%.
"Cumpre frisar que a solução encontrada pelo Poder Executivo está cercada de todas as cautelas necessárias para a proteção contra o contágio pela Covid-19, com destaque ao artigo 6º do Decreto nº 65.384/2020, a determinar a adoção dos protocolos sanitários específicos aprovados pela Secretaria da Saúde", explica a decisão assinada pelo desembargador Franco.
Ainda justifica que existe uma preocupação do Estado no retorno da educação, porém, "cabe às famílias, especificamente ao detentor do poder familiar, delimitado nos artigos 1.630 a 1.638 do Código Civil, ou ainda ao responsável legal. O Estado tem papel importante na atual quadra, e nem poderia ser diferente. Entrementes, o Estado não substitui a família".
Retorno das aulas
Em um primeiro momento, o regresso era obrigatório para todos que não estivessem no grupo de risco da doença. Porém, posteriormente, o governo voltou atrás e afirmou que a volta seria facultativa durante as fases de maior restrição.
O governador João Doria (PSDB) compartilhou a notícia em suas redes sociais de que teve conhecimento medida judicial e informou que "as escolas estaduais seguirão o cronograma e as aulas serão retomadas no dia 08/02, seguindo todos os protocolos de saúde para alunos e professores."
Escolas com casos de covid podem ser fechadas, diz secretário
O secretário estadual da Educação, Rossieli Soares, declarou, em entrevista à CNN Brasil, logo após a decisão da Justiça, que as escolas devem seguir os protocolos sanitários. Aquelas em que forem registrados casos de covid-19 podem ser fechadas.
"Vamos monitorar sintomas, quem teve contato com quem, inclusive para informar os familiares. Se uma escola não estiver seguindo os protocolos e tiver algum descuido, com casos dentro da escola, pode, sim, ser fechada. Nós conseguimos abrir as escolas com toda a experiência adquirida inclusive no mundo, mas obviamente a Saúde vai estar sempre nos liderando neste processo. A gente vai estar sempre fazendo essa avaliação."
Rossieli Soares, secretário estadual de Educação, em entrevista à CNN Brasil.
"Estamos muito felizes [com a liberação], mas extremamente alertas e observando os próximos passos para que a gente possa ter a volta às aulas e que essa volta seja realmente segura. A coisa mais importante desse processo de volta é o monitoramento. A gente desenvolveu um sistema de monitoramento da educação no combate à covid-19", acrescentou.
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