Fernandinho, de Matão, encerra a carreira no Tottori
Jogador encerrou a carreira no Japão no dia 20 de dezembro
Do acervo · publicada originalmente em 8 de janeiro de 2021
Fonte: Rogério Bordignon
· Leitura de 5 min
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2021Eldis Fernando Damasio, o Fernandinho, encerrou sua carreira no último dia 20 de dezembro, no time japonês Gainare Tottori. Nascido em Matão no dia 13 de janeiro de 1981, ele mora com a família em Araraquara. Seus pais continuam morando em Matão. Campeão da Primeira Divisão do Futebol Japonês em 2005 pelo Gamba Osaka, ele comenta para A Comarca sobre sua trajetória desde o início até o Gainare, clube pelo qual atuou mais tempo como profissional, por seis temporadas. Segue entrevista com Fernandinho, que completará 40 anos.
Quais são os teus familiares mais próximos?
Sou filho ‘do meio’ de João Carlos Damasio e Evanilde Helena Morato Damasio. Meus irmãos são Adriano Márcio e Mateus Henrique. Nasci em Matão no dia 13 de janeiro de 1981, portanto, completarei 40 anos. Eu e minha esposa Ana Lúcia Fonseca Santos Damasio tivemos um filho, Samuel.
Quando e por quem você começou a ter contato com a bola de futebol?
Aos sete anos de idade comecei a ter contato com o futebol através do meu pai João. Acredito que jogar futebol foi um dom que Deus me deu.
Quem foi o seu primeiro incentivador? Por quê?
Foi meu pai. Me incentivei vendo ele jogar e assistindo a outros jogarem, já que meu pai sempre me levava para assistir a jogos.
Por qual time você começou a jogar? Qual a sua trajetória?
Dos sete anos aos 12 anos de idade, joguei em Matão na Escolinha Municipal treinada por Elídio de Araújo. Dos 13 aos 19 anos, atuei na Ferroviária. Em 1999 me profissionalizei como jogador de futebol. Atuei de 2000 a 2001 no Guaratinguetá; de 2002 a 2003 pelo Figueirense, onde pelo Campeonato Brasileiro da Série A fiz um gol muito importante contra o São Paulo, que mudou minha história no futebol. Em 2004 fui para o Gamba Osaka, onde fiquei até 2006, sendo campeão japonês da Primeira Divisão em 2005, ficando entre os 11 melhores jogadores da temporada. De 2007 até junho de 2008, no Shimizu S-Pulse. Em julho de 2008 até final do ano, me transferi para Kyoto Sanga.
Quando você voltou para o Brasil?
Voltei para o Brasil em 2009, jogando no Vasco da Gama, onde fiquei por somente seis meses. Devido a lesões, voltei para o Japão no meio do ano. Em julho de 2009, estava no Oita Trinita (Primeira Divisão), onde permaneci até o final do ano. Em 2010 fui para o Vegalta Sendai e joguei por uma temporada, onde recebi proposta para renovar contrato por mais um ano.
Renovou?
Por uma direção de Deus e decisão minha e de minha esposa, optei por voltar no Brasil. Foi a melhor decisão, pois em março de 2011 um terremoto seguido de tsunami, atingiram também a cidade onde estávamos. Em novembro de 2011 assinei contrato com o Mogi Mirim para jogar a Série A-1 do Campeonato Paulista de 2012, onde fui campeão paulista do interior.
Voltou para o Japão?
Em junho de 2012 voltamos para o Japão. Joguei e fui campeão da Segunda Divisão pelo Ventforet Kofu. Em 2013 estava de volta ao Brasil para jogar novamente a Série A-1 do Paulista, desta vez pela Linense. Em agosto do mesmo ano me transferi para o Guarani para jogar a Série C do Campeonato Brasileiro. Em 2014, joguei novamente o Paulista pela Linense e em junho me transferi para o Gainare Tottori, no Japão, onde atuei por três temporadas até 2016. Em 2017 regressei ao Brasil para jogar na Ferroviária, ficando até julho. Em agosto de 2017 já estava no Japão, no mesmo Gainare Tottori, onde joguei mais três temporadas e terminei minha carreira no último dia 20 de dezembro.
Como se encontra o futebol japonês?
Muito competitivo e extremamente disciplinado. Deve-se respeitar muita a cultura devido o país prezar pela educação e o respeito. O futebol japonês me fez uma pessoa melhor com todos os ensinamentos disciplinares, já que o Japão tem cultura diferenciada, onde aprendi em todos os aspectos.
A quem você agradece?
A Jesus Cristo e a Deus, por terem me dado o dom e a saúde para jogar futebol desde meus sete anos de idade, sendo 21 anos como profissional, sem ter nenhuma contusão grave. Aos meus pais, irmãos, avós, tios e familiares, que mesmo em muitas dificuldades e sem muito dinheiro me deram apoio e amor acima de tudo. Realizei o meu maior desejo, que era o de dar uma casa para meus pais através do futebol. Obrigado a todos os amigos que me ajudaram, de Matão a Tottori. Não cito nomes para não esquecer de alguém, pois seria injusto. Obrigado ao meu empresário Edson Khodor e a Dorival Júnior, duas pessoas que acreditaram em mim quando ninguém acreditava no começo da minha carreira, num momento em que eu já estava perdendo a esperança de realizar meus sonhos. Eles me deram uma nova oportunidade de mostrar onde eu poderia chegar. Obrigado aos integrantes das comissões técnicas por onde passei, especialmente ao saudoso Tota, que me treinou na Ferroviária. Destaco a minha esposa Ana Lúcia, que desde 2003 quando nos conhecemos, passou a ser minha força nos momentos mais difíceis da minha vida. Suas palavras amorosas e as vezes duras, me ajudaram a me tornar um homem de verdade. Obrigado ao nosso filho Samuel, que nos últimos anos da minha carreira foi quem me fez ter inspiração para jogar, quando eu pensava que não dava mais, olhava para ele e isso me motivava. Desde a Escolinha em Matão e por todos os clubes que passei, todos estão na minha memória e coração. Isso incluindo todos os patrocinadores, pois sem eles os clubes não teriam dinheiro para se manter e os jogadores não teriam salário. Por fim, obrigado a todos os torcedores, o grande motivo do futebol. Muito obrigado a todos!
Quais as suas vontades e perspectivas?
Tenho planos. Porém, nada está decidido ainda. Pretendo estudar para me tornar treinador de futebol, estudar para tirar as licenças e me preparar para o futuro.
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