Ana Mondini: Meu perfil não muda!
Primeira presidente da Câmara Municipal reafirma seu compromisso com a população
Do acervo · publicada originalmente em 20 de janeiro de 2021
Fonte: Rogério Bordignon
· Leitura de 8 min
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2021Quando vereadora no mandato 2017-2020 da 17ª Legislatura da Câmara Municipal de Matão, Ana Maria Freire da Silva Mondini realizou um trabalho reconhecido com sua reeleição para o quadriênio 2021-2024, obtendo a maior votação entre todos os candidatos proporcionais: 1.385 votos. Mais do que isso, os vereadores a escolheram como presidente da Casa de Leis para o biênio 2021-2022 da 18ª Legislatura. Sobre sua excelente votação e o fato de ser a primeira mulher presidente da história do Legislativo local, A Comarca entrevistou Ana Mondini.
Conte sobre suas origens até chegar a Matão.
Nasci no dia 7 de junho de 1970, em Pérola (PR), sendo a segunda filha do saudoso Clemente Ferreira da Silva e de Maria do Carmo Freire da Silva. Meus irmãos são Nanci Aparecida Justiniano, José Antônio, Rosimeire Ferreira da Silva Abreu e Igo Luiz, todos vivos. Cheguei a Matão em 1985 e me casei no dia 1º de outubro de 1988 com Sebastião de Jesus Mondini, com quem tenho os filhos William e Maria Eduarda.
Com que idade começou a trabalhar?
Aos 7 anos já dividia o lápis do então Ensino Primário com a enxada na lida da roça, já que era preciso ajudar meus pais. Éramos muito pobres, vivíamos no interior do Paraná, em Pérola. Aos 12 anos, uma tia me levou embora de casa para ser babá de um de seus filhos e aos 15 anos, vim para Matão. Até 1988, trabalhei no Supermercado Zarbin, Del Grande & Cia, do qual uma das sócias era a saudosa professora Leyle Gorgatti Zarbin. Tive o privilégio de conviver com ela. Em 1990, trabalhei como representante comercial na Lucronil Representações, empresa de Araras (SP), que vendia derivados de leite em Matão. Em 1993, fui trabalhar para um concorrente, do qual não me lembro o nome. O estímulo era ganhar NCz$ 5,00 (Cruzados Novos) a mais no salário e alguns centavos de comissão. Eu amava vender iogurtes pelas ruas de Matão e tinha clientes fiéis. De 1995 a 1998 fui trabalhar de empregada doméstica e fazia faxinas aos finais de semana. Trabalhei na casa de Neide Dornelas (telefonista da Prefeitura), na casa da Família Gandini e também na casa de Sophia Franceschini, mãe de Angela Franceschini Lutz, proprietária da Farmácia Magistral. A vida era muito difícil! Recém casada e mãe, tinha que trabalhar para ajudar no sustento de casa. De 1999 a 2000, trabalhei na Santa Casa de Misericórdia de Nossa Senhora de Fátima e na Beneficência Portuguesa, ambas em Araraquara. De 2000 a 2001 fui contratada pela Apae-Matão para trabalhar na Área Azul e por fim, em 2001, fui aprovada no concurso público da Prefeitura de Matão, ingressando como auxiliar de Enfermagem, função que desempenho por praticamente 20 anos até hoje.
Onde você cursou Enfermagem?
Fiz o curso de Enfermagem na Etec ‘Sylvio de Mattos Carvalho’, onde conheci minha grande professora e saudosa amiga Tânia Mara Mancini Bambozzi. Ela foi a grande responsável por me estimular a seguir carreira na área da saúde. Foi quando voltei a estudar e consegui me formar no curso de Ensino Superior de Enfermagem pela Uniara.
Há um grande reconhecimento por sua atuação como vereadora, fato que a levou a ter a maior quantidade de votos na última eleição proporcional.
Fui eleita em 2016 na Coligação Proporcional PSDB-PP com 711 votos, sendo a ‘lanterninha’ – a última colocada. No Pleito Eleitoral de 2020, fui reeleita pelo MDB com 1.385 votos, sendo a primeira colocada. Ser vereador acarreta uma grande responsabilidade. Somos a linha de frente com a população e temos que traduzir o anseio do povo ao Executivo, o que não é uma tarefa fácil. Temos que fiscalizar sistematicamente os gastos municipais como determina a Constituição Federal. Acredito ter cumprido e atendido as expectativas da população no mandato 2017-2020. Agora, nesse novo mandato, fui escolhida entre os meus pares para ser a presidente da Câmara Municipal e isso é uma grande honra, ainda mais sendo a primeira mulher a ocupar esse cargo na história do município. Estou feliz e com a certeza de que será um mandato muito mais próximo da população. Teremos grandes novidades.
Você foi uma vereadora bastante combativa no seu primeiro mandato. Por quê?
Porque trago do berço, pelo exemplo de luta dos meus pais, essa vontade, essa garra e determinação para enfrentar a vida. Acredito que cumprimos nossa missão, o nosso dever. Então, a presidência foi consequência do trabalho bem feito. O povo soube reconhecer nossa atuação e a votação que obtive pavimentou minha chegada ao posto máximo do Poder Legislativo em nosso município.
Quais os números dos teus trabalhos legislativos no seu primeiro mandato?
Foram 469 Requerimentos de Informações ao Executivo, 515 Indicações, 45 Projetos de Lei, dez Projetos de Resolução, três Propostas de Emenda à Lei Orgânica, um Projeto Substitutivo, 13 Emendas a Projetos do Executivo, dez Projetos de Decreto Legislativo, um Projeto de Lei Complementar, uma Subemenda a Projeto de Executivo. Porém, não acredito que o trabalho legislativo deva ser medido por números; muito mais importante é a postura e o posicionamento perante os grandes assuntos públicos. Nesse particular, acredito que me comportei bem e, ao lado de alguns companheiros, combati o bom combate; fiscalizando, conseguimos impedir que muitas bobagens fossem concretizadas. Na outra ponta, aprovamos leis importantes para Matão, dentre as quais destaco: a Lei nº 5.193, de 21 de agosto de 2018, sobre a obrigatoriedade de instalação de sistema de segurança e monitoramento por câmeras de vídeo nas áreas externas das instituições financeiras bancárias, casas lotéricas, terminais de caixas eletrônicos, agências dos Correios e correspondentes bancários; a Lei nº 5.294, de 10 de junho de 2019, quanto ao sistema de transmissão on-line e gravação das Sessões de Licitações; a Lei nº 5.295, da mesma data, que institui a Semana Municipal de Orientação e Cuidados com a Depressão e Prevenção do Suicídio; a Lei nº 5.250, de 5 de fevereiro de 2019, referente a isenção do pagamento no estacionamento rotativo ‘Área Azul’ aos idosos e pessoas com deficiência; a Lei nº 5.312, de 3 de setembro de 2019, sobre o ensino de música nas escolas da rede pública municipal; a Lei nº 5.311, de 3 de setembro de 2019, instituindo o Programa Vizinhança Solidária como Política Pública; e a Lei nº 5.350, de 8 de janeiro de 2020, quanto a restruturação, instituição do Plano de Carreira e instituição de Regime Disciplinar da Guarda Civil Municipal.
A jornada no Setor Municipal da Saúde te favoreceu a conquistar tantos votos?
Sempre fui de dormir tarde e acordar cedo. Venho da roça! A boa quantidade de votos foi consequência de minha presença ativa na vida da comunidade. E também ao espírito público e à vontade de servir ao próximo, dentro dos preceitos da religião que prático. Empatia também é fundamental, pois me comove profundamente o sofrimento alheio.
Ser a primeira mulher presidente da Câmara, nos 122 anos de Matão, te surpreende?
Não, pois acreditava que isso poderia acontecer a qualquer momento. Não posso negar que estou orgulhosa. Por outro lado, me sinto muito triste por não ter atuando comigo, batalhando comigo no Legislativo, um maior número de mulheres. Acredito que somos importantes para a comunidade, contudo, a inércia da sociedade é preocupante e assusta. Não deveria ser assim, pois temos um eleitorado majoritariamente feminino em Matão. Estamos subrepresentadas, portanto. Seria boa a presença de outras mulheres, pois a cidade foi uma das pioneiras em transformar corrupção como forma de governo, onde muita gente que se elegeu prometendo cuidar de pessoas, cuidou mais do próprio bolso.
Se você pudesse, hoje, te encontrar ainda menina, o que diria a você mesma?
Eu pensaria: tudo valeu a pena. Porém, muito mais importante do que chegar ao topo é permanecer nele. Dia desses, estávamos na sede da Fiesp-Ciesp, na Avenida Paulista, centro econômico e financeiro do país e imaginava: puxa vida, consegui evoluir! Ao mesmo tempo, isso aumenta minha responsabilidade, pois não pretendo parar por aqui e buscarei isso com meu lema, que é ‘ação, lealdade e fraternidade, trabalhando dentro de rigorosos princípios éticos’.
Há o que se acertar na estrutura administrativa da Câmara?
Não há muito o que se acertar na estrutura administrativa, somente algumas mudanças pontuais para adequá-la aos métodos de gestão que pretendemos aplicar. Podem esperar, portanto, inovações neste quesito.
Qual será o teu perfil de atuação no quadriênio 2021-2024?
Meu perfil não muda! Será o mesmo que me trouxe até aqui. Assumi com o povo o primeiro compromisso de uma prestação de serviços ininterruptos e trabalho. Tenho a certeza de que a população verá isso acontecer. Saliento que o segundo compromisso – tão importante quanto o primeiro – será com a instituição Câmara em si. Chegando à presidência, me compete honrá-la, tornando-a mais nobre, valorizando a memória daqueles que a trouxeram até os dias de hoje.
Você acredita que esta formação da Câmara e o atual Executivo Municipal terão a unicidade que o município precisa?
Acredito na seriedade de propósitos de todos, até prova em contrário. Não iremos, de maneira nenhuma, colocar empecilhos ao trabalho do Executivo, desde que as coisas sejam feitas às claras como devem ser. O povão está cansado de ser iludido, de ser enganado. Espero que isso nunca mais aconteça.
O que ensejar para a população de Matão, sobretudo à mulher matonense?
Me doeu muito – ainda dói – a não eleição de mais mulheres. No rol anunciado dos novos secretários municipais, para minha tristeza, não há nenhuma mulher. Por isso pretendo lutar com muita disposição para servir de estímulo a elas. Tenho a certeza de que minha postura definirá o destino de muitas no futuro e ressalto: ser mulher é um ato político de extrema coragem. Todo meu carinho e acolhimento a elas e a mensagem de que todas que tiverem pretensões políticas encontrarão em mim o maior estímulo. Matão precisa disso!
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