João Carlos Marchesan - O que esperar de 2021?
JOÃO CARLOS MARCHESAN
Do acervo · publicada originalmente em 29 de dezembro de 2020
Fonte: JOÃO CARLOS MARCHESAN
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2020Em 2021, precisamos ter a clara noção de que o aumento da desigualdade social e da violência, gerado pela pandemia, a polarização da sociedade, o alto desemprego e o crescente desalento de nossa juventude não podem ser enfrentados sem a retomada do crescimento sustentado, essencial inclusive para o equilíbrio das contas públicas. Felizmente, de acordo com os números do nosso setor, chegamos ao final de 2020 com expectativas bastante otimistas, uma vez que, no último mês de outubro, o resultado da pesquisa dos indicadores conjunturais da indústria de máquinas e equipamentos novamente registrou alta importante na receita líquida mensal.
A receita líquida do setor somou R$ 14,6 bilhões, o que registra um crescimento de 16% em relação ao mesmo mês do ano passado. Podemos considerar que esta foi a alta mais significativa em 2020. Com o quarto avanço consecutivo da receita, o setor passou a acumular resultado positivo na somatória do ano. Entre janeiro e outubro, a receita líquida avançou 0,7%. Este quadro estável do faturamento de máquinas conta com o bom desempenho do mercado interno e da queda menos acentuada das exportações. Em outubro, a receita doméstica cresceu 16,9% na comparação com o mesmo mês de 2019. Na somatória entre janeiro e outubro, as vendas internas avançaram 5,1%.
Podemos então deixar aqui nesse final de ano uma expectativa positiva em relação ao ano que virá. Se contarmos ainda que o Governo Federal tome medidas urgentes no sentido de se organizar de forma a permitir o crescimento sustentado da economia, de modo que a reversão da desindustrialização garanta emprego e renda para o cidadão, teremos um 2021 promissor. Para isso são necessárias ações que garantam a isonomia competitiva do setor produtivo, proporcionando ampliação de sua participação no mercado doméstico e internacional.
Para tanto, em 2021 devemos continuar articulando com o Governo Federal e lutando pela criação de uma política industrial condizente com a indústria brasileira de bens de capital mecânico – o setor responsável pela difusão tecnológica em toda a cadeia produtiva e que tem papel preponderante no aumento da produtividade nos setores agrícolas, de serviço e industrial. Continuaremos insistindo nas Reformas Tributária, Administrativa e Política; especialmente a Tributária, já que precisamos com urgência de uma reforma que garanta simplificação, justiça e a transparência desejada por todos os contribuintes.
Os benefícios desta ação são muitos, mas destacamos a expressiva melhora do ambiente de negócios do país em razão da redução dos custos relacionados à administração dos tributos e dos litígios, o aumento da segurança jurídica, a ampliação da taxa de investimento por conta da redução do custo que ocorrerá nas máquinas e equipamentos ao eliminar a cumulatividade do sistema e garantir o crédito imediato. São todos fatores que permitirão aumento da produtividade, ganho de competitividade da produção nacional, expansão dos investimentos, redução do índice de desemprego e o aumento da renda do país.
Somos um setor expressivo dentro do contexto político e econômico do país. Nossos produtos estão presentes em praticamente todos os setores da economia e, portanto, têm um efeito multiplicador muito importante para o Brasil. Apesar de todos os percalços, a Abimaq não parou em 2020; esteve presente e atuante em todas as frentes possíveis. E não vamos parar no próximo ano.
Que venha 2021!
João Carlos Marchesan é empresário e presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq)
Comentários
Ninguém comentou ainda. O primeiro comentário pode ser o seu.








