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Negócios

Falta de matéria-prima afeta diferentes setores

Ausência de insumos e alta do dólar têm elevado os custos de produção

Do acervo · publicada originalmente em 2 de dezembro de 2020

Fonte: Mariluci Schiavetto / com informações da Folha de S.Paulo

Foto: Acervo A Comarca

Falta de matéria-prima afeta diferentes setoresAcervo · 2020
Falta de matéria-prima afeta diferentes setores

Em processo de retomada das atividades após o auge da crise econômica provocada pela pandemia do coronavírus, o setor industrial enfrenta agora a falta de matéria-prima e o aumento de preço dos produtos necessários para a produção. De acordo com dados da CNI (Confederação Nacional da Indústria), 68% das empresas estão com dificuldade para comprar matérias-primas no mercado nacional. Dentre as empresas que utilizam insumos importados regularmente, 56% relataram dificuldade.

Além disso, 82% perceberam alta nos preços, sendo que 31% falam em alta acentuada. A pesquisa teve a participação de 1.855 empresas, entre os dias 1º e 14 de outubro, em 27 setores das indústrias de transformação e extrativa. A pesquisa aponta que 44% das empresas estão com problemas para atender seus clientes. Os motivos indicados foram: falta de estoque (47%), procura maior do que a capacidade de produção (41%), incapacidade de aumentar a produção (38%), problemas de logística (13%) e inadimplência dos clientes (4%).

IMPACTO NOS CUSTOS

A alta do dólar e a escassez de matéria-prima nesse período de retomada da economia têm levado a indústria a enfrentar aumentos em seus custos de produção. Em alguns casos, a alta chega a mais de 60%. Produtos como cimento, ferro, plástico e borracha estão entre os que mais impactam o setor. A quarentena fez com que, de uma hora para outra, muitas indústrias paralisassem suas atividades ou passassem a produzir menos, seguindo as medidas restritivas. Para o empresário Marcelo Balarini, que atua na indústria de fabricação de estruturas metálicas, com a retomada, há dificuldade de se encontrar insumos. “O desabastecimento está em toda a indústria; faltam papelão, embalagens, pisos e o aço utilizado na fabricação das estruturas metálicas. Segundo as próprias siderúrgicas, o problema está na alta do dólar e na insuficiência de matéria-prima para a produção – faltam sucata e minério de ferro”, pontua.

A indústria de confecções também sofre com a falta de matéria-prima. Jean Marcondes Moraes, proprietário da Oficina da Moda, que trabalha com vendas no atacado e no varejo, diz que faltam tecidos e aviamentos como elástico e botões. “A procura por matéria-prima aumentou e estamos comprando de fornecedores diferentes dos que estávamos acostumados. A fabricação de fios para a produção de tecidos está bem menor, o que faz com que aumente a procura, diminua a variedade e eleve o valor. Atualmente, o tecido está 30% mais caro; os preços aumentaram da indústria ao produto final. A situação não está fácil, mas já caminha para um cenário um pouco mais ameno”, explica Jean.

NORMALIZAÇÃO

Do total de empresas que não conseguem aumentar a produção, 76% alegaram que o motivo é a falta de matéria-prima. E o problema deve durar por pelo menos mais três meses. Em 10 dos 27 setores considerados, ao menos metade das empresas está com dificuldade para atender os pedidos, sendo que o percentual é maior nos setores de móveis (70%), têxteis (65%) e produtos de material plástico (62%).

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