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Cidade

Cidade sente a perda de Tânia Bambozzi

Enfermeira faleceu aos 56 anos, na noite do domingo (8)

Do acervo · publicada originalmente em 13 de novembro de 2020

Fonte: Rogério Bordignon

· Leitura de 4 min

Foto: Acervo A Comarca

Cidade sente a perda de Tânia BambozziAcervo · 2020
Cidade sente a perda de Tânia Bambozzi

Por volta das 20 horas do domingo (8), Tânia Mara Mancini Bambozzi faleceu na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital ‘Carlos Fernando Malzoni’, aos 56 anos. Internada no último dia 31, Tânia sofreu uma parada cardiorrespiratória perto das 16 horas, sendo levada para a UTI. Desde março, ela lutava contra um tumor nos pulmões. Após realizar as sessões de quimioterapia, a duas sessões do término da radioterapia, ocorreu metástase para o cérebro.

O corpo de Tânia foi velado por três horas na Igreja Divino Espírito Santo (Vila Jandira), de onde foi levado para o Crematório Bom Jesus, em Américo Brasiliense. A Missa de Sétimo Dia será realizada neste sábado (14), às 19 horas, pelo padre Samir Silva, na mesma Igreja Divino Espírito Santo (próxima ao Supermercado Simoni, no Jardim São José).

Tânia nasceu em Matão, no dia 20 de janeiro de 1964. Filha primogênita do saudoso Laerte Mancini e de Maria Assumpta Manzi Mancini, ela deixa também um irmão, Adauto Luiz. Formada enfermeira pela Universidade de São Paulo (USP - Ribeirão Preto), ingressou como funcionária da Prefeitura de Matão no dia 13 de janeiro de 1988, pouco antes de completar 24 anos.

O passar do tempo, sua dedicação, atenção, respeito, competência, carinho e amor indistintos para todas as pessoas tornaram Tânia responsável técnica pela Unidade Básica de Saúde (UBS) ‘Salvador Toledo Galrão’ (Posto do Centro), por onde trabalhou e conviveu com profissionais da saúde e a população por 32 anos. Seu maior convívio profissional foi com Ana Bopp, numa parceria de 31 anos.

Na Etec ‘Sylvio de Mattos Carvalho’, Tânia foi admitida no dia 15 de março de 1999. Lá, ela lecionou componentes curriculares do curso de Técnico em Enfermagem, especialmente nas disciplinas de Saúde Coletiva I e II; Vigilância em Saúde e Enfermagem em Oncologia. Muito ativa e participante na escola, Tânia integrou por anos o Conselho de Escola e também a Associação de Pais e Mestres (APM).

Tânia foi unanimidade. Destas raríssimas pessoas em que se percebe no seu velório – no âmago – a falta que faz a tantas outras. São raras as pessoas que fazem uma legião de outras chorarem de modo sentido. Sua entrega, devoção e paixão profissional cuidaram de incontáveis pessoas. Ela conviveu num ambiente extremamente nevrálgico, quantas vezes acompanhando a linha tênue que separa vida e morte.

Quantas mães chorando e pais desesperados a Tânia recebeu? De quantos recém-nascidos, crianças, adultos, idosos, ela cuidou? Tudo o que esteve ao seu alcance, Tânia fez; certamente até mais. Seu jeito, seu acolhimento, sua preocupação – indistintos a todos – a tornaram um ser especial. Sua voz peculiar e sua presença serão difíceis de não serem percebidas e lembradas por onde passou.

30 ANOS DE CASAMENTO

Após oito anos de namoro, Tânia casou-se com José Fernando Bambozzi no dia 16 de março de 1990; portanto, eles completaram 30 anos de casados. “Agradeço, em nome da família, a todas as pessoas que oraram e elevaram seus melhores pensamentos a Deus. Obrigado a todas as pessoas que cuidaram da Tânia nestes dias. Nossa gratidão também aos padres Samir e Emílio e a cada um dos que sentem a falta dela”, disse José Fernando. Sobre Tânia, ele deu o seguinte depoimento para A Comarca:

“Tânia é o amor da minha vida. Amor - amor de verdade - não é flor. Amor é planta! Quem ama de verdade, ao fio de tantos anos, prefere o cuidado diário da planta à beleza efêmera da flor. Para a mãe, ela foi filha querida, na acepção maior da palavra. Não ouso comparar minha dor à dor de ‘Dona’ Assumpta.

Deus - Ele, o Mestre -, em seus desígnios, colocou-a em posição que pudesse ajudar a muitos. E assim Tânia fez. Por isso, ela deixa uma obra de vida. Quando chamados ao fim de nossa caminhada, o Pai nos perguntará: qual foi a obra da tua vida? Pessoas do quilate dela terão o que dizer a Ele.

Quem é essa mulher que todos os dias programa o despertador para as 4h50 da madrugada?

Quando desço para a cozinha, ela está fazendo o lanche para o ‘Seo’ José, porque o ‘Seo’ José tem que tomar durante seis meses um remédio para tuberculose no Posto. E o ‘Seo’ José não falta por causa do lanche.

Quem é essa mulher que me pede pela madrugada ajuda para encher, com gelo e vacina antirrábica, 50 e poucas caixas térmicas?

Quem é essa mulher que os pais vêm buscar no meio da noite para ir lá fazer ordenha nas mães?

Quem é essa mulher a quem todos pedem por médicos, por consultas, nos corredores dos supermercados, nos postos de combustíveis?

Quem é você a quem tantos e tantos acenavam e você retribuía - sabendo que por eles fez algo, como ajudar a salvar a vida deles - e em seguida me perguntava: quem é esta pessoa?

Onde está essa mulher agora?

Te procuro em vão pela nossa casa.

Esqueço que você não é só minha".

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