Aruá completa 25 anos no setor de pós-colheita e tratamento de frutas
Empresa matonense se tornou especialista nestes segmentos
Do acervo · publicada originalmente em 10 de novembro de 2020
Fonte: Rogério Bordignon
· Leitura de 5 min
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2020Fundada em abril de 1991, desde setembro de 1995 a Aruá atua no setor de pós-colheita e tratamento de frutas. São 25 anos como especialista neste segmento. As frutas tratadas com produtos Aruá estão em todos os Estados do Brasil onde há fruticultura de mesa. Em sua maioria permanecem em solo nacional para consumo dos brasileiros e outra fatia é exportada pelos clientes da empresa para Europa, Ásia e Oriente Médio.
As ceras usadas para conservar e embelezar as frutas foram as responsáveis por projetar a empresa no setor de pós-colheita. Fabricadas pela Aruá, seguem padrão internacional de qualidade e se destacam no mercado por seu alto brilho e resistência. A Aruá também atua no setor de máquinas destinadas ao beneficiamento de frutas.
São basicamente lavadoras, mesas de seleção, aplicadores de cera e túneis para secagem. Sua alta capacidade produtiva (para até 25 toneladas/hora) e a qualidade do processo, por não danificar as frutas durante o beneficiamento, também fazem da Aruá uma referência neste tipo de maquinário. Outro segmento de atuação muito importante é o de embalagens com malhas tubulares, popularmente conhecidas como ‘redinhas’.
Nesta etapa é onde se possibilita agregar valor ao produto final. Um bom produto, que recebeu um tratamento de qualidade, merece uma embalagem bonita para valorizá-lo; além de promover mais segurança alimentar através de informações agregadas aos pacotes, que permitem a rastreabilidade daquele produto.
Sobre os 25 anos da Aruá, comemorados no último mês de setembro, A Comarca entrevistou Helio Chimenti Júnior e sua filha Andrea Chimenti, diretores da Aruá, empresa que conta em sua equipe com 40 colaboradores diretos. Ambos são engenheiros agrônomos formados pela Escola Superior de Agricultura ‘Luiz de Queiroz’ (Esalq-USP), em Piracicaba. Segue a entrevista.
Atuar na pós-colheita foi uma vontade que surgiu no momento em que a Aruá somente exportava frutas?
Helio – As atividades de pós-colheita da Aruá foram iniciadas em meados de 1994, quando a empresa exportava frutas e elas não chegavam em boas condições aos clientes europeus. Em visita a Europa, me apresentaram frutas oriundas da Espanha, com qualidade excepcional. Busquei saber qual era o tratamento usado. Então, entrei em contato com uma empresa espanhola que apresentou toda a linha de produtos e procedimentos fornecidos aos produtores de frutas, principalmente de citros. Naquela época, não havia esse conhecimento técnico no Brasil. Somados o ‘atraso tecnológico’ e a necessidade de melhorar o aspecto e a qualidade das frutas exportadas, a Aruá vislumbrou possibilidade de ajudar esse mercado para ampliar a comercialização e oferecer frutas superiores. O mesmo ocorreu no mercado interno de frutas in natura, onde não havia a cultura de se realizar tratamentos no pós-colheita das frutas.
Houve a necessidade de se mudar mentalidades?
Helio - Sim, foi difícil implantar nova mentalidade referente ao tratamento pós-colheita. A Aruá desenvolveu seminários em parceria com centros de pesquisa brasileiros e viagens para a Espanha com produtores de citros que já comercializavam frutas. Dentre eles, alguns exportavam, mas a maioria vendia no mercado interno. Nesse momento, a cera importada pela Aruá deixou as frutas mais bonitas, aumentando o período de conservação delas. A utilização da cera e os cuidados pós-colheita permitiram a comercialização com centros geograficamente mais distantes, por períodos mais longos. Consequentemente, as frutas conquistaram mais espaço nas mesas dos consumidores em todo território nacional.
A cera utilizada no recobrimento das frutas é natural?
Andrea – É natural. A cera é produzida a base de Carnaúba (espécie de Palmeira) e permite que as frutas tenham menor desidratação, mantendo suas boas características por mais tempo, além do brilho que chama a atenção das pessoas. A cera não oferece risco algum à saúde e basta uma simples lavagem manual para retirá-la da fruta. Mesmo não sendo comum o consumo da casca, recomenda-se a lavagem, principalmente por conta da sujeira acumulada em todo o processo até a chegada na mesa do consumidor. A aplicação da cera não gera nenhuma transformação na fruta; não existe mágica. A fruta deve ter boa qualidade desde o campo, ter sido bem colhida, para que o tratamento pós-colheita atinja os resultados esperados.
Quais os outros produtos, além da cera, para tratamento pós-colheita?
Andrea – A Aruá também comercializa outros produtos que completam o tratamento pós-colheita, como detergentes neutros especiais para frutas e fungicidas específicos. Podemos afirmar que nosso portifólio atende as exigências internacionais de segurança e qualidade.
O foco é a fruta de mesa?
Andrea – A Aruá foca 100% dos seus produtos no tratamento pós-colheita de frutas de mesa, aquelas que compramos nos supermercados e varejões. Cerca de 70% das frutas tratadas com produtos Aruá são cítricas: laranjas, limões e tangerinas. Nossos produtos também estão em variedades de bananas, mangas, mamões e melões.
Geograficamente, onde estão presentes os produtos Aruá?
Andrea – Em todos os Estados brasileiros, cada um com sua variedade de frutas e necessidades específicas de tratamentos. Nossa equipe comercial/técnica percorre todo o Brasil para prestar assistência e participar do negócio dos nossos clientes.
A Aruá desenvolve outras atividades?
Andrea – Sim. Atuamos no segmento de embalagens de malhas para frutas (redinhas), permitindo um marketing direto com o consumidor final. Este segmento evolui bastante, devido à facilidade de o consumidor adquirir um produto embalado de boa qualidade. Também fabricamos equipamentos para o beneficiamento de frutas: lavadoras, aplicadores de detergentes e ceras e túnel de secagem. Essas máquinas são fabricadas em Matão desde o final de 2009. Neste ano de 2020, lançamos uma pesadora automática para enchimento de sacos de 20 quilos. Esse tipo de embalagem é muito comum na comercialização de citros, batatas, cebolas etc.
Onde fica a sede da Aruá?
Andrea – A inauguração da fábrica em Matão aconteceu em novembro de 2018. Fica na Via Augusto Bambozzi. Na área se encontram as fábricas dos produtos químicos e também a de máquinas. Dentro de dois anos pretendemos transferir o escritório, hoje no centro da cidade, para o mesmo local.
O que vem por aí? As perspectivas são boas?
Helio – Os consumidores estão se tornando cada vez mais exigentes e também buscam por praticidade e qualidade de vida. Com isso, os fornecedores de frutas precisam, cada dia mais, buscar por opções criativas que atendam às expectativas do cliente final. Portanto, temos muito trabalho e grandes desafios pela frente.
Quais os contatos da Aruá?
Andrea – Contatos podem ser feitos pelo telefone 3383-1090 e site www.arua.com.br.
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