Associação dos Aposentados: reflexão sobre o Dia do Idoso
Data nacional é celebrada em todo dia 1º de outubro
Do acervo · publicada originalmente em 2 de outubro de 2020
Fonte: Rogério Bordignon
· Leitura de 7 min
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2020O Dia Nacional do Idoso é comemorado no Brasil no dia 1º de outubro. Até 2006, esta data era celebrada em 27 de setembro; porém, em razão da criação do Estatuto do Idoso em 1º de outubro, o Dia do Idoso foi transferido para esta data, de acordo com a Lei nº 11.433 de 28 de dezembro de 2006.
Sobre a importância desta data, A Comarca entrevistou o presidente em exercício da Associação dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de Matão e Região (AAPMR), Aparecido do Carmo de Souza (Cidinho), que no último dia 25 foi empossado diretor para Assuntos Jurídicos da Federação das Associações e Departamentos de Aposentados, Pensionistas e Idosos (Fapesp).
O que a AAPMR fez e fará para comemorar o ‘Dia do Idoso’?
Em anos anteriores, fizemos encontros pela manhã e proporcionamos reflexões de temas relacionados ao interesse da classe, sempre começando com um café da manhã. Porém, dessa vez não faremos em função da pandemia e dos cuidados recomendados. Assim, estaremos limitados ao diálogo pelos meios de comunicação locais, oportunidade que a imprensa sempre proporciona para garantir a transmissão de informações atualizadas aos nossos associados e a todos de modo geral.
Quantos associados têm a entidade atualmente?
Ultrapassamos os 6 mil associados. No último dia 30 tínhamos 6.094 associados regularmente ativos na entidade, sendo que 4.105 destes autorizaram o pagamento de suas mensalidades com desconto em folha através do convênio que temos com o INSS. São 1.990 aposentados, pensionistas, benificiários da Lei Orgânica da Assistência Social (Loas) e também contribuintes que não recebem nenhum provento do INSS ou da Loas, mas se associaram e pagam as suas contribuições na sede da entidade.
Deste total, quantos têm mais de 65 anos?
Temos 3.855 acima de 65 anos. Destes, entre 80 e 90 anos são 908; de 90 a 100 anos, 186; e acima de 100 anos são cinco associadas. Sim, todas as cinco, mulheres.
Além de comemorar é preciso conscientizar este contingente de idosos que compõe o quadro associativo da AAPRM. O que é realizado ao longo do ano para isso?
É imprescindível a nossa entidade colaborar para essa conscientização. Nessa seara, na medida do possível, informamos nossos associados dos acontecimentos que envolvem a classe. Assim, além dos encontros que anualmente a entidade sempre promoveu – atualmente sem possibilidades, em função da pandemia –, nos servimos dos meios de comunicação, de boletins informativos, correspondências e intensificamos nossa participação pelas redes sociais. Nosso corpo diretivo e conselheiros têm a consciência de que é preciso defender os direitos e avançar nas conquistas para garantir e proteger a vida dos aposentados, pensionistas e idosos, cuja quantidade se torna mais numerosa. Somos conscientes de que os desafios não são pequenos e que é preciso pensar e construir permanentemente o futuro com mais dignidade.
Há de fato o que celebrar no ‘Dia do Idoso’?
Sim! Se há razões para entristecer em função das condições sociais que a maioria dos idosos é submetida em nosso país, sobretudo nesse tempo de infecção por covid-19, quando a maioria dos óbitos ocorre mais entre as pessoas idosas e, dentre elas, as mais pobres, apesar de tudo isso há o que celebrar, comemorando as conquistas advindas da conscientização e das sequentes ações que resultaram em importantes benefícios, como a valorização do Salário Mínimo. Lembramos que mais de 70% dos aposentados e pensionistas no Brasil recebem um Salário Mínimo, assim como beneficiários da assistência regulada pela Loas. Há avanços e conquistas nos transportes gratuitos, turismo, Farmácia Popular (medicação gratuita), quanto à prioridade nos serviços públicos de modo geral. Na saúde, por exemplo, destaca-se a existência do Sistema Único de Saúde (SUS) para todos os brasileiros; contudo, quem mais precisa do SUS são os idosos e os mais pobres. Celebramos as conquistas, mas temos consciência de que precisamos de muito mais avanços que somente virão com consciência, união e muita luta. Ao verificarmos nossa realidade local, sem dúvida, temos o que comemorar. O trabalho de nossa organização é bastante perceptível e notório em Matão e Região. Somos uma entidade que tem se tornado referência regional, somada a outras entidades locais que também realizam importantes ações em favor de seus associados. Comemoramos agradecendo a confiança dos associados, bem como de todos os nossos parceiros profissionais: médicos, fisioterapeutas, advogados, dentistas, laboratórios, farmácias, o comércio de modo geral e a imprensa. No Estado de São Paulo e no Brasil, entre as centenas de associações filiadas à Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap), somos proporcionalmente em número de associados a maior do Brasil. Dentre outras razões para comemorar também temos o fato de conseguirmos, em 21 anos de existência, o ‘patrimônio associativo’ de mais de 6 mil contribuintes e o ‘patrimônio material’ das instalações da nova sede e o terreno de aproximados 1.000 m², próximo à Avenida Padre Nelson Romão, na altura da Vila Santa Cruz.
Quais as principais reivindicações das pessoas com mais de 65 anos?
Lutamos contra todos os ataques que queiram dificultar ainda mais a vida dos idosos. É próprio da natureza humana que, ao envelhecer, os cuidados com a saúde aumentem. Então é preciso defender o SUS e garantir que ele seja cada vez mais eficiente; para isso é preciso que os governos não abandonem a saúde pública, que não pode ser mercadoria para negócios. Cuidar da saúde é cuidar das pessoas. Qual é a finalidade maior do administrador público, se não for a defesa da vida? Muitos dos que tanto criticaram política de gênero endossam a mercantilização da saúde pública e isso é um contrassenso imperdoável. Os idosos precisam de autoestima, de lazer, precisam se sentir incluídos, precisam de dignidade e para isso é preciso estar atento. Que os governos tenham sempre – e cada vez mais – o compromisso de proporcionar políticas públicas a cuidar dessa demanda. O idoso precisa de uma renda mínima capaz de suprir suas necessidades para viver com dignidade. É inaceitável regredir, como insinuaram economistas do Governo Federal recentemente, comentando sobre congelar as aposentarias. Infelizmente, a Reforma da Previdência, em vigor desde novembro de 2019, fará mais pobres os idosos. Pensar no futuro significa priorizar os idosos.
No entanto percebe-se, a cada dia, idosos bem ativos, num padrão muito diferente ao observado até o início da década de 1990. Como contemplar este ‘novo idoso’?
Dentro das constantes descobertas da ciência e da tecnologia, a vida se estende e com mais vigor. Porém, infelizmente, esta longevidade sadia não é uma realidade alcançada por todos os brasileiros. Observamos o quanto a Reforma da Previdência foi cruel com milhões de idosos ‘mais jovens’ que não absorvem os resultados proporcionados pelos avanços tecnológicos, tratando majoritariamente os desiguais de modo igualitário. No outro extremo, claro, sobraram os privilegiados. Precisamos de governos que não contabilizem o idoso como despesa, e sim como ser humano que muito fez pelo país. Claro que para mantê-los ativos – independentemente de suas idades – é preciso adequação nos meios de produção. Distribuir possibilidades aos ativos é condensar jornadas de trabalho à realidade, de modo a proporcionar a inclusão de jovens e não permitir a ociosidade de idosos capazes. O Poder Público, a família e a sociedade de modo geral têm que entender e conceber que as pessoas idosas devem ter prioridade, pois a sociedade será cada vez mais idosa.
O senhor tornou-se diretor da Fapesp.
A AAPMR é uma das entidades paulistas que compõem a Federação das Associações e Departamentos de Aposentados, Pensionistas e Idosos (Fapesp), que é uma das federações de outros estados que integram a Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap). O nosso saudoso José Veiga de Oliveira (Sabiá) presidiu também a Fapesp. No último dia 25, na sede da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Jundiaí, aconteceu a solenidade de posse da diretoria para o quadriênio 2020-2024, que continuará a ser presidida por Antônio Alves da Silva. Na ocasião, fui empossado como diretor para Assuntos Jurídicos da Fapesp. Assumi esse compromisso com o intuito de colaborar nas ações necessárias para a organização de nossa classe. Esta imprescindível federação – referência no Brasil – registra históricas lutas dos aposentados levadas a efeito por honrosas lideranças que ao tempo vão se passando e deixando o seu legado. Portanto, ao me dispor a colaborar, levo com modéstia minha experiência acumulada em tantas ‘trincheiras’ que passei na vida pública e também minha condição profissional como advogado. Sinto-me honrado a somar esforços com os demais dirigentes da Fapesp e associações do estado e do país. Muitos são os desafios a superar para garantir e conquistar direitos. Juntos, seremos fortes!
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