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Agronegócio: produzindo mais e consumindo menos

Artigo - ANTONIO LUIZ ZUCOLO

Do acervo · publicada originalmente em 9 de outubro de 2020

Fonte: Antônio Luiz Zucolo

Foto: Acervo A Comarca

Agronegócio: produzindo mais e consumindo menosAcervo · 2020
Agronegócio: produzindo mais e consumindo menos

Cresce a cada dia a necessidade do homem ter que destinar cada vez mais recursos tecnológicos, financeiros, entre outros, para a diminuição dos danos e para a preservação dos recursos naturais essenciais à vida no planeta. A crescente demanda por todo tipo de energia, alimentos, água, moradia, transporte e saúde tem sido ainda acelerada pelo crescimento da população, que deverá chegar muito próximo a 10 bilhões de pessoas até 2050. Essas demandas por energia, água e alimentos deverão crescer 80%, 60% e 55%, respectivamente, diz recente relatório da ONU.

Portanto, esse enorme desafio que temos pela frente deverá receber atenção especial e perene de todas as atividades, sejam elas econômicas, sociais, político-financeiras, geopolíticas, e da conscientização de cada um de nós, que podemos e devemos contribuir. Dentre todas essas demandas, a produção de alimentos vindos da terra também tem vital importância na mitigação dos efeitos nocivos ao nosso maior patrimônio, que são esses recursos naturais; porém, com o auxílio da tecnologia e com responsabilidade, o agricultor está conseguindo resultados cada vez mais positivos.

O agronegócio, no entanto, não é apenas uma forma de agricultura, mas refere-se a toda a cadeia que vai desde a produção de insumos (máquinas e equipamentos, sementes, fertilizantes, agroquímicos) até a agroindústria, passando obviamente pela agricultura. Temos como maior aliado nessa mitigação o uso das recomendações da ciência, através dos infinitos resultados que a pesquisa científica tem nos dado e ainda nos dará.

Podemos ver isso nos resultados e na eficiência da produção do agronegócio – a relação ‘resultados obtidos, pelos recursos consumidos’, que aponta claramente o quanto esse setor, que participa com cerca 1/3 do PIB e emprega 19 milhões de pessoas, segundo estudo feito pelo Cepea/Esalq (Centro de Estudos de Economia Agrícola da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - Piracicaba), vem produzindo cada vez mais e consumindo cada vez menos recursos, mitigando de maneira exemplar, ao contrário do que defendem e contestam algumas organizações ambientalistas que desferem ataques ideológicos ao agronegócio.

Hoje somos o maior exportador do mundo de café, açúcar, suco de laranja, etanol, proteína animal e soja. Projeções do Agronegócio, pela Embrapa – 2018/2019 a 2028/2029” preveem que a área total plantada com lavouras no país passará de 75,4 milhões de hectares para 85,68 milhões, crescimento de pouco mais de 10%, e a produção terá acréscimo de cerca de 30%, ultrapassando 300 milhões de toneladas. Em plena pandemia, em que o mundo encolheu, o agronegócio brasileiro teve crescimento. A produção de etanol contribui para diminuição do efeito estufa, principal agente das mudanças climáticas, emitindo 73% menos CO2 que a gasolina, e ainda essa quantidade de dióxido de carbono (CO2) é retirada da atmosfera pela planta da cana-de-açúcar para a produção de um novo etanol. Um hectare de soja produz cerca de 5 toneladas de matéria seca, sendo 50% carbono sequestrado.

Portanto, o agronegócio tem entregado imunidade ao Brasil na questão de preservação de recursos naturais, emprego e renda. Podemos, então, afirmar que se trata de uma atividade guardadora desses recursos, pois nenhuma outra atividade humana pode sequestrar carbono (principal responsável pelo efeito estufa) como a agricultura. O agronegócio brasileiro é também pioneiro no uso das terras do bioma Cerrado – que era previsto ou tido como um futuro deserto, caso fosse cultivado. Mostramos que isso não era verdade. Somos hoje detentores da melhor tecnologia de como produzir no Cerrado e ainda a exportamos para o mundo produzir em solos com essas características. Estamos batendo sucessivos recordes de produtividade, e usando cada vez menos recursos.

Gostaria de dedicar parte dessa conquista a um profissional que está sempre à frente desse desafio – seja na pesquisa, formando novos profissionais, seja na extensão, orientando os produtores, ou na agroindústria: o engenheiro agrônomo, que tem o dia 12 outubro como data comemorativa. Parabéns, engenheiro agrônomo, pelo seu dia, e por estar vencendo o desafio de produzir alimentos, cuidando do meio ambiente e continuando a obra do Salvador, “tirando da terra o milagre da vida”.

Antônio Luiz Zucolo é engenheiro agrônomo

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