Varredura de fogo atinge a fauna da região
Biólogo comenta os impactos das queimadas junto aos animais
Do acervo · publicada originalmente em 23 de setembro de 2020
Fonte: Ana Luiza Otrente Batista (Estagiária)
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2020Nos últimos dias, o Pantanal – bioma localizado em parte do centro-oeste brasileiro – teve mais de 15% do seu território consumido pelo fogo, segundo dados do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo). No norte do país, a Floresta Amazônica – de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) – registrou o maior número de queimadas desde 2010. As perdas são irreparáveis aos biomas brasileiros, como explica o biólogo José Ricardo Falconi, e Matão não se encontra distante desse eixo.
O município, com vegetação predominante de Mata Atlântica, foi tomado por alguns focos de incêndio na semana passada, em locais próximos à Fazenda Cambuhy, espalhando fumaça e fuligem por quase toda sua extensão. Além de destruir diferentes ecossistemas, agravar o clima seco e piorar problemas de saúde, os incêndios também causam inúmeros danos à fauna. Devido aos acontecimentos no Pantanal e na Floresta Amazônica, muitas imagens de animais acometidos pelas chamas têm circulado pela internet. O jornal Estado de S. Paulo estampou na capa da edição de segunda-feira (14) a fotografia de uma cobra carbonizada em meio aos resquícios de matas, no interior do Mato Grosso.
“Muitos animais são alcançados pelo fogo e morrem queimados. Alguns de grande porte, como onças, cervos, lobos-guará e vários tipos de macacos, por serem de rápida locomoção, conseguem escapar – embora, às vezes, o vento mude de direção e as chamas acabem os apanhando, como o que tem acontecido e gerado imagens tão tristes. No entanto, muitos roedores, mamíferos de pequeno porte, insetos, anfíbios e também os polinizadores – como abelhas e borboletas –, animais que são a base da cadeia alimentar, estão sofrendo com o fogo. Os que conseguem sobreviver, tanto herbívoros quanto carnívoros, ainda correm o risco de morrer de fome, pela falta de alimentos devido à destruição da fauna e da flora”, expõe Ricardo Falconi.
A perda de quilômetros de vegetação, a poluição e a baixa umidade do ar com as cinzas que restam de parte de um bioma chocam as pessoas, especialmente quando se discute sobre os minuciosos detalhes da natureza que desaparecem. O biólogo Ricardo Falconi explica que a morte de muitos agentes polinizadores, por exemplo, gera um enorme desequilíbrio ao meio ambiente, afinal, estes seres são essenciais para manter a biodiversidade em todo o planeta. “Grande parte dos alimentos que são consumidos por nós tem ajuda dos polinizadores, que são responsáveis por transportar o pólen, possibilitando a produção e reprodução de inúmeros frutos e sementes. Geralmente, eles se abrigam nas áreas florestais e polinizam os campos de monocultura. Com as queimadas há uma perda gigantesca desses grupos, que mal imaginamos”, conclui.
PREVENÇÃO
Como os danos dos incêndios são quase irreversíveis a curto ou longo prazo, a solução para contê-los, além da mobilização e visibilidade aos que continuam acontecendo, é justamente evitá-los. E ao contrário do que afirma o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que apoia o uso de fogo preventivo e queimadas ‘controladas’ a fim de limpar e preparar terrenos para novos plantios, o biólogo Ricardo Falconi explica que “essas técnicas não devem ser utilizadas porque podem servir, além de tudo, como combustível para novos focos de incêndio, devido à presença de grande quantidade de matéria orgânica. Isso faz com que o fogo se alastre rapidamente, ainda mais quando os mosaicos de floresta se encontram lado a lado, incinerando vidas e vegetações que poderiam até ser usadas na descoberta e composição de novos medicamentos”.
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