Setembro Amarelo: a importância de reforçar a prevenção ao suicídio
Campanha busca conscientizar sobre os fatores de risco e orientar para o tratamento adequado
Do acervo · publicada originalmente em 18 de setembro de 2020
Fonte: Mariluci Schiavetto
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2020A campanha do Setembro Amarelo teve início nos Estados Unidos, em 1994, após um garoto chamado Mike Emme (17 anos) colocar fim à própria vida, dentro do carro amarelo que ele havia restaurado. As pessoas que conviviam com ele nunca notaram alterações emocionais ou comportamentais. Em seu velório foram distribuídos cartões e laços amarelos como homenagem. A ideia das fitas repercutiu pelo mundo com a intenção de incentivar as pessoas a pedirem ajuda quando precisarem.
A psicóloga Denise Ferarezzi Damasio explica que pesquisas recentes apontam que uma média de 10 milhões de pessoas tentam o suicídio por ano e, infelizmente, 1 milhão delas conseguem concluir o intento. Essas mesmas pesquisas registram um suicídio a cada 40 segundos no planeta; no Brasil são computados um a cada 40 minutos. Essa é a décima causa de morte entre todas e a segunda maior entre os jovens de 15 a 24 anos. Denise ressalta que a ideia de suicídio surge quando há níveis insuportáveis de dor emocional ou física. “Quando uma pessoa planeja colocar fim à própria vida, ela almeja eliminar uma dor acreditando que vale à pena o não viver, pois naquele momento nenhuma ocasião de alegria ou prazer se sobrepõe ao sofrimento emocional ou físico”, esclarece.
Segundo a psicóloga, existem alguns sinais de alerta e fatores de risco que merecem atenção, tais como: diferenças sociais, distúrbios mentais, transtorno de humor, problemas financeiros, abusos de substâncias (bebidas alcoólicas, drogas e medicações), doenças crônicas, perdas afetivas significativas, abuso/violência, indivíduos que tendem a automutilação, mudança comportamental (alterações de sono, alimentação e higiene pessoal), negligência pessoal ou prejuízo no desempenho escolar ou profissional. Geralmente nota-se uma variação nos pensamentos, como a preocupação sobre quem cuidaria das suas coisas (filhos, animais, casa), buscas pelo tema gerando um histórico de navegação na internet, inserção em jogos que fazem apologia ao suicídio, certa frequência de falas com conotação de desesperança.
“É comum encontrar grupos com maior inclinação ao suicídio, principalmente pela sensação de não pertencimento e não aceitação da sociedade, devido a sua orientação afetiva ou sexual, baixa classe social, raça. O acometimento do sofrimento baseia-se em como o indivíduo se relaciona com o mundo e como ele é visto por outras pessoas”, salienta Denise.
SITUAÇÕES
Fatores situacionais como a pandemia do novo coronavírus também potencializam ações suicidas. Com o isolamento social é comum o aumento da ansiedade e depressão, sentimento de solidão e desamparo, desconexão social, limitação no acesso ao suporte comunitário religioso e espiritual, dificuldade nos atendimentos dos cuidados emocionais devido à sobrecarga do sistema de saúde, estressores financeiros, aumento de eventos de violência doméstica, maior tempo de convívio com familiares tóxicos. O conjunto desses fatores tem o poder de causar sofrimento psíquico profundo, pois envolve uma carga emocional muito grande.
“Diante do exposto, existem duas formas de interceder: oferecer ajuda pessoal, se conectando com a pessoa, fazendo uma escuta ativa (ouvir com empatia, evitando fazer julgamentos), procurando validar os sentimentos do indivíduo. A outra forma de abordagem é incentivar o individuo a entrar em contato com um profissional ou alguém especializado no atendimento psicológico. Não se deve desmerecer a dor do outro, comparar com situações de pessoas menos vulneráveis, pois isso pode piorar a situação emocional. Há sempre outros caminhos, mesmo que estes pareçam inacessíveis; com a ajuda adequada, esse sofrimento extremo pode ser cessado. Feridas invisíveis também precisam ser tratadas”, conclui a psicóloga.
ASSISTÊNCIA
Existem canais de comunicação e instituições que disponibilizam, de forma gratuita e anônima, o amparo através de atendimento online, atendimento telefônico (188), grupos de rede de apoio como o Centro de Valorização da Vida (CVV), o blog Vittude (uma startup brasileira cuja plataforma é composta por psicólogos com consultas gratuitas) e também a possibilidade da busca particular de um psiquiatra, assistente social e/ou psicólogo para possível diagnóstico e tratamento individual.
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