Os impactos severos da seca
Baixa umidade do ar é normal à época do ano, mas também pode ser influenciada pelo desmatamento
Do acervo · publicada originalmente em 4 de setembro de 2020
Fonte: Ana Luiza Otrente Batista (Estagiária)
Foto: Acervo A Comarca
Acervo · 2020Em todos os anos, os meses de junho, julho e agosto são marcados pela baixa umidade do ar devido aos longos períodos sem chuvas, ou com chuvas mal distribuídas, na região de Matão. Segundo os índices pluviométricos registrados na Casa da Agricultura ‘Paulino Rossi’, no ano passado, as marcas nestes meses somaram 153mm de chuvas, enquanto neste ano houve apenas 40mm. Luiz Cesar Magnani, engenheiro agrônomo da Prefeitura de Matão que opera na Casa da Agricultura, explica que, apesar da queda nos números, os índices estão dentro do padrão para a temporada, visto que o clima mais seco já é recorrente.
No entanto, a seca continua afetando as populações urbanas, rurais, micro, pequenos e médios agricultores, no sentido socioeconômico e no meio ambiente. “O principal impacto da seca é causar redução da produtividade tanto na agricultura quanto na pecuária. A indisponibilidade de água no solo, por exemplo, causa alguns problemas como a redução do desenvolvimento das plantas e do crescimento de frutos, acarretando danos de qualidade e danos econômicos, seja para o consumidor ou para o produtor. Em Matão, temos muitas plantações de cana, laranja, goiaba, manga, limão e abacate que podem ser prejudicadas. Já na pecuária, o pasto não se desenvolve como deveria, pois, com a seca muito forte, ele não vegeta e, assim, oferece um alimento menos nutritivo aos animais, ocasionando perda na produtividade”, expõe Luiz Magnani.
Outro problema habitual ocasionado pela falta de chuvas, que se reflete na agricultura, é a estiagem. De acordo com o engenheiro agrônomo, “a estiagem se diferencia da seca por se caracterizar em pequenos períodos nos quais a quantidade de chuva que era esperada – especialmente em momentos de veraneio – não acontece”. Tanto a seca quanto a estiagem impactam social e economicamente na redução da oferta de alimentos, na qualidade e na quantidade da produção, podendo afetar o bolso do consumidor e causar prejuízos aos produtores. Dentre as soluções para estes problemas, Magnani destaca que, na agricultura, a irrigação das plantações pode ser útil, porém, por ser uma tecnologia de alto custo, é de difícil acesso a micro e pequenos agricultores. Enquanto, na pecuária, costuma-se diminuir a lotação de animais por hectare nestes períodos.
Além disso, alerta-se também para a questão da saúde em períodos de clima seco, sobretudo em meio a uma pandemia que causa grave doença respiratória. Condições climáticas advindas da baixa ou ausente precipitação pluvial, a poluição natural da poeira suspensa no ar e as queimadas podem causar e acentuar problemas de saúde. Magnani frisa que, “para diminuir os efeitos nesse cenário, é preciso combater o desmatamento. Afinal, todas as regiões do Brasil estão interligadas; quanto mais desmatar no Norte, por exemplo, mais seca teremos no Sul e no Sudeste. E apesar das queimadas serem crime e proibidas por lei, muitos produtores ainda a seguem fazendo, seja para desmatar uma área ou por acreditar que pondo fogo na plantação, ela renascerá mais saudável. No entanto, hoje temos tecnologias que demonstram o contrário e que são bem mais sustentáveis, sem que precisemos poluir o meio ambiente”.
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